| "Dieta basicamente
vegetariana é a mais indicada na prevenção e no tratamento
dos cálculos biliares"
É mais fácil prevenir a formação de cálculos
biliares do que tratá-los quando esses já estão formados
dentro da vesícula biliar, reservatório musculomembranoso,
que se localiza na face inferior do fígado.
Os cálculos são bons exemplos de doenças que podem
ser desencadeadas pela dieta ocidental. Podem ser assintomáticos
ou ocasionar intensa dor abdominal, com intervalos de ausência de
dor que podem durar dias ou até meses. Nesse caso, podem provocar
eructação (arrotos), flatulência (gazes nos intestinos),
náuseas e desconforto gastrointestinal após a ingestão
de alimentos gordurosos (gordura e frituras) e pesados (de difícil
de digestão). O diagnóstico definitivo é sempre feito
por ultra-som.
Os fatores que mais predispõem à formação
de cálculos biliares de colesterol e mistos são: a dieta
(pobre em vegetais e em fibras dietéticas, rica em frituras e gorduras);
o sexo (as mulheres têm uma predisposição maior por
causa do aumento do colesterol na bile e pela supressão da síntese
de ácidos biliares pelos hormônios estrógenos); a
raça; a obesidade; certos medicamentos; as doenças gastrointestinais
(doença de Crohn e fibrose cística); e a idade (é
também um fator de risco entre os homens com mais de 40 anos).
Os cálculos biliares podem ser classificados em quatro
principais categorias
• Colesterol puro.
• Pigmento puro de bilirrubinato de cálcio. Os cálculos
puros de colesterol e de bilirrubinato de cálcio são muito
raros nos EUA. Os cálculos biliares pigmentados são mais
comuns no Oriente, devido à incidência elevada de infecções
parasitárias do fígado e da vesícula biliar, por
uma variedade de parasitas como, por exemplo, o trematódeo (pantelmintos)
hepático Clonorchis sinensis. Nos Estados Unidos, os cálculos
pigmentados, na sua grande maioria, são provocados pela hemólise
crônica (explosão de eritrócitos) ou cirrose alcoólica
hepática.
• Misto: contendo colesterol e seus derivados com quantidades de
sais biliares, pigmentos biliares e sais inorgânicos de cálcio.
Estudos recentes demonstram que, nos EUA, cerca de 80% dos cálculos
são mistos.
• E cálculos formados totalmente de minerais.
O que ocasiona os cálculos biliares?
• Supersaturação da bile ou a insolubilidade do colesterol
dentro da vesícula biliar. A solubilidade da bile (líquido
viscoso e muito amargo secretado pelas células hepáticas,
estocado na vesícula biliar e vertido no duodeno através
do canal colédoco) depende das concentrações de colesterol
(insolúvel em água), de ácidos biliares, de lecitina
(fosfatidilcolina) e de água. Um aumento do colesterol ou uma diminuição
dos ácidos biliares, de lecitina e de água dentro da bile
pode muito contribuir para a formação de cálculos
biliares.
• Nucleação e iniciação de formação
de cálculo.
• Aumento do cálculo biliar.
• As bactérias e os protozoários podem causar obstrução
no fluxo da bile e atuar como agentes estagnadores.
Terapêutica
O tratamento natural deve incluir a redução de todos os
fatores de riscos envolvidos no desenvolvimento dos cálculos biliares.
Uma vez que já estejam formados, torna-se indispensável
evitar a ingestão de alimentos que possam contribuir para a formação
cálculos biliares e empregar procedimentos que aumentem a solubilidade
do colesterol presente na bile.
Diversos fatores alimentares são importantes na prevenção
e no tratamento. É importante eliminarem-se os alimentos que possam
produzir e agravar os sintomas, aumentar-se a ingestão de fibras
dietéticas (especialmente as formadoras de gel ou mucilagem como,
por exemplo, sementes de linhaça, farelo de aveia, endosperma de
Cyamopsis tetragonolobus, pectina, etc) e de vegetais e frutas (é
muito respeitada a hipótese de que a principal etiologia dos cálculos
biliares seja o elevado consumo de alimentos refinados e pobres em fibras
dietéticas), eliminarem-se as intolerâncias alimentares (alergias)
e reduzir-se o consumo de frituras, de gorduras saturadas e de proteínas
de origem animal. Sabe-se que uma dieta rica em carboidratos refinados
(amidos e açúcares), em frituras e gorduras e pobre em fibras
muito contribui para uma redução da síntese de ácidos
biliares na vesícula biliar.
Dieta vegetariana
A dieta basicamente vegetariana é a mais indicada na prevenção
e no tratamento dos cálculos biliares. As proteínas animais,
como a caseína (proteína e o principal constituinte dos
queijos) dos derivados do leite, aumentam a formação dos
cálculos biliares em animais; e as proteínas vegetais, como
a soja, auxiliam na prevenção dos cálculos biliares.
Outros procedimentos naturais envolvem o emprego de compostos lipotrópicos
nutricionais (impedem o acúmulo de gorduras no fígado),
coleréticos botânicos (ativam a produção e
a secreção da bílis) e outros compostos naturais,
tendo por objetivo aumentar a solubilidade da bile.
As deficiências nutricionais de água (deve-se ingerir de
seis a oito copos de água por dia para melhorar-se o conteúdo
hídrico da bile e torná-la mais fluida), de lecitina (encontrada
em abundância na soja), das vitaminas E e C podem também
predispor o organismo à formação de cálculos
biliares.
Medicina Tradicional Chinesa
Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, a infecção aguda
do trato biliar, os cálculos biliares (os quais costumam ser tratados
cirurgicamente) e a colecistite (inflamação da vesícula
biliar) são bons exemplos de doenças causadas pelo calor
e umidade patológicos. Observa-se não ser, tanto para os
terapeutas indianos quanto para os chineses, a cirurgia uma das melhores
alternativas, em muitos casos, devido ao próprio risco que ela
impõe ao paciente e à reincidência da doença.
Assim, os alimentos mais indicados, para reduzir-se o calor e a umidade
patológicos, são: broto de feijão-azuki (planta originária
do extremo Oriente); raiz de alfafa e de gramadeira; trigo-sarraceno;
melão almiscarado (cantapulo); carpa; raiz de aipo; repolho chinês;
erva cidreira; cabelo de milho; brotos de feijão soja (preta);
berinjela; folhas de figueiras; rã; caule de arroz glutinoso; azeitonas;
banana de são-tomé; amaranto picante (as folhas são
comestíveis, como as do espinafre); raiz de abóbora; moranga;
óleo de feijão soja.
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