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Como se libertar do consumo de calmantes?
por Danilo Baltieri

Saiba por que o consumo prolongado de calmantes, sem acompanhamento médico especializado, pode trazer complicações à saúde

Sou viciada em calmantes há alguns anos. O que posso fazer, ou melhor, qual o melhor caminho para me libertar. Já tentei várias vezes deixar este vício, mas não consigo. Sou fumante de cigarro.

Resposta: Os benzodiazepínicos, como Diazepam, Lorazepam, Midazolam, Alprazolam, Bromazepam, dentre outros, podem, a partir do consumo prolongado, promover quadros de dependência fisiológica. Embora sejam medicações extremamente úteis no tratamento de vários quadros clínicos, a prescrição das mesmas deve ser realizada criteriosamente pelo médico e o acompanhamento do paciente que as recebe deve ser rigoroso.

Automedicação de calmantes deve ser evitada sob qualquer pretexto

Essas medicações não devem ser auto-administradas sem o acompanhamento de um médico capacitado, sob quaisquer pretextos ou hipóteses. Em situações onde o indivíduo faz uso dessas medicações sem o rigoroso acompanhamento do médico, os riscos para desenvolver complicações advindas desse consumo aumentam. No entanto, mesmo quando essas medicações são prescritas por médicos, sem o adequado acompanhamento clínico, elas podem gerar quadros de dependência.

Consumo de calmantes no Brasil e nos EUA

No Brasil, cerca de 3,3% da população entre 12 e 65 anos de idade faz uso de benzodiazepínicos sem prescrição médica. Nos Estados Unidos da América, cerca de 6% da população adulta faz uso de benzodiazepínicos sem receita médica.

De fato, a maioria das pessoas que faz uso de benzodiazepínicos está procurando alívio da ansiedade ou indução do sono. No entanto, após o consumo crônico dessas substâncias, essas mesmas pessoas podem estar fazendo uso dessas substâncias para evitar sintomas relacionados com a falta da droga (sintomas de abstinência). Por isso, a prescrição dessas medicações deve ser criteriosa.

Calmantes são freqüentemente usados por indivíduos com quadro de dependência química

Por outro lado, os benzodiazepínicos são freqüentemente utilizados por indivíduos portadores de outros quadros de dependência química. Indivíduos com síndrome de dependência ou abuso de cocaína ou anfetaminas, muito amiúde, fazem uso de benzodiazepínicos para aliviar os sintomas de intoxicação provocados por aquelas drogas. Já os indivíduos com síndrome de dependência de álcool, opióides (heroína, oxicodona, morfina, meperidina etc) ou outras drogas, infelizmente, muitas vezes, fazem uso de benzodiazepínicos para obter melhora dos sintomas das síndromes de abstinência provocadas pela redução ou cessação abrupta do uso das drogas primariamente abusadas.

Abaixo, forneço um quadro sobre os sintomas relacionados à falta do uso de benzodiazepínicos entre usuários crônicos que reduzem ou cessam abruptamente o uso dessas substâncias:

Sintomas da síndrome de abstinência de calmantes

• Ansiedade;

• Tremores de membros;

• Pesadelos;

• Insônia;

• Náusea;

• Hipotensão postural;

• Confusão mental;

• Convulsão;

• Aumento da temperatura corporal

De fato, os indivíduos portadores de dependência fisiológica, abuso ou mesmo de síndrome de dependência de benzodiazepínicos consistem em uma população bastante heterogênea. Existem tratamentos e estratégias específicas para cada um desses quadros, mas muitas vezes as abordagens precisam ser adequadamente individualizadas, observando as características de cada paciente.

Os tratamentos são complexos e devem ser realizados por especialistas na área. Aproveite a oportunidade para procurar um médico especialista e, também, promover a cessação do consumo de cigarros. Esse, seguramente, é o caminho mais seguro.

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Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

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Danilo Baltieri
Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas
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