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Contemple esses sábios ensinamentos do livro sagrado do Yoga,
A Bhagavad Gita:
Cap. VI estrofe 16: “A união mística com a Divindade
não é atingível, porém, para aquele que é
comilão, nem para quem jejua demasiadamente, nem para o dorminhoco,
nem para quem se debilita por demasiadas vigílias. Quem quer ser
yogi, há de evitar os extremos e seguir o dourado caminho do meio.”
Na estrofe 17: “A ciência yogi, que destrói o sofrimento,
é realizável para os que observam moderação
e temperança em comida e recreio, em ação e descanso;
para que aqueles que, fugindo do mal do excesso em ação,
não caem no mal oposto do excesso em repressão.”
Antes de alcançar o dourado caminho do meio, geralmente, o ser
humano percorre os caminhos dos extremos, e fica perdido e reprimido.
Ora vive apenas os prazeres da vida material, se esquecendo da vida espiritual.
Ora se reprime, evitando as alegrias saudáveis da vida, pensando
que seguir um caminho espiritual é ser sério e rígido.
O Yoga gosta de ensinar através de contos, pois é
mais fácil assimilar os ensinamentos.
Reflita, então sobre esse conto:
“Era uma vez um jovem que visitou um grande sábio para perguntar-lhe
como é que deveria viver para adquirir a sabedoria. O ancião,
ao invés de responder, propôs um desafio:
- Vou encher uma colher de azeite e você vai percorrer todos os
cantos deste lugar, mas não deixe derramar uma gota sequer. Após
ter concordado, o jovem saiu com a colher na mão andando com passos
pequenos, olhando fixamente para ela e segurando-a com muita firmeza.
Ao voltar, orgulhoso por ter conseguido cumprir a tarefa, mostrou a colher
ao ancião, que perguntou:
- Você viu as belíssimas árvores que havia no caminho?
Sentiu os aromas das flores maravilhosas do jardim? Escutou o canto dos
pássaros:
Sem entender muito o porquê disso tudo, o jovem respondeu que não,
e o ancião disse:
- Assim você nunca encontrará sabedoria na vida; vivendo
apenas para cumprir suas obrigações sem usufruir das maravilhas
do mundo. Assim nunca será sábio.
Em seguida, pediu para o jovem repetir a tarefa, mas desta vez observando
tudo pelo caminho. E lá foi o rapaz com a colher na mão,
olhando e se encantando com tudo. Esqueceu da colher e passou a observar
as árvores, cheirar as flores e ouvir os pássaros. Ao voltar,
o ancião perguntou se ele viu tudo e o jovem extasiado disse que
sim. O velho sábio pediu para ver a colher e o jovem percebeu que
tinha derramado todo o conteúdo pelo caminho.
E o ancião disse:
- Assim você nunca encontrará sabedoria na vida, vivendo
para as alegrias do mundo sem cumprir suas obrigações. Assim
nunca será sábio.
Para alcançar a sabedoria, terá que cumprir suas obrigações
sem perder a alegria de viver. Somente assim conhecerá a verdadeira
sabedoria.”
Contemple como tem sido sua atitude perante à vida:
Você é perfeccionista?
Está sempre se julgando, se cobrando e também julgando e
criticando os outros?
Você está sempre ocupado, preocupado com o trabalho, sem
achar um tempo para seu lazer?
Vive apressado, ansioso, com muitas tarefas?
Ou você priorizou seu tempo para dar uma caminhada, para praticar
hatha yoga, para relaxar, para praticar um exercício físico
saudável?
Quando você caminha na rua, você percebe a beleza das árvores,
a arquitetura bonita das casas e edifícios? Ou está sempre
voltado para si mesmo, egoisticamente pensando apenas em seus problemas?
Você leva suas preocupações do trabalho para casa,
ou consegue separar os vários momentos de sua vida?
Sabe equilibrar seus deveres e lazer?
Vive apenas voltado para a vida mundana, para atividades fúteis,
esquecendo de suas obrigações?
Pensa apenas nos prazeres dos sentidos e deixa que eles o dominem com
vícios prejudiciais?
Ou tem o autodomínio de escolher os prazeres benéficos,
vivendo com moderação sem vícios?
Lembra de Deus em sua vida diária?
O sábio livro budista Dhammapada, A Senda da Virtude,
diz:
Cap.XX. Do Caminho:
Sloka (estrofe)280:
Aquele que, quando é tempo de levantar-se, não se levanta,
Jovem, forte, dado à ociosidade.
Indolente, fraco em pensamento e vontade,
Este preguiçoso o caminho da sabedoria não encontra.
281: Vigiando sua fala, na mente bem controlada,
Que ele não faça nada insalutar por meio de seu corpo;
Que ele purifique estas três vias de ação,
E atinja o Caminho pelo santo homem ensinado.
Praticar a Contemplação (Dharana, em sânscrito) é
uma maneira de se autoconhecer, de perceber seus erros e corrigi-los,
sem se culpar. É uma maneira também de reconhecer suas qualidades
e se valorizar.
É muito importante entender o paradoxo do Yoga e vivenciá-lo
em sua vida:
Ser responsável e ter a leveza de espírito.
Ser firme e flexível.
Ter disciplina e determinação, com alegria e entusiasmo.
Ser forte como um aço e ao mesmo tempo suave como a manteiga.
Equilibrar a vida material e a vida espiritual.
Procure aplicar esses ensinamentos em sua vida e alcance o dourado caminho
do meio. Fique em paz! Namastê! Deus em mim saúda Deus em
você!
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