"Se veio à mente
o pensamento: "Não dá mais", provavelmente
você acabou de chegar à conclusão que tem
de se separar" |
Toda separação incluiu
dois processos: o externo e o interno. O externo é a separação
formal, a parte jurídica, a partilha dos bens, as comunicações
feitas aos filhos, familiares, amigos, a guarda dos filhos, pensão,
etc. |
O processo interno da separação
é o processo psicológico e emocional. Muitas vezes a decisão
de separar-se poderá estar relacionada à infância.
O modelo de relação dos pais que a criança tem, permanece
arquivada em seu inconsciente e pode fazê-la agir conforme a referência
de relação que foi registrada.
Uma das partes pode se dar conta de estar repetindo esses padrões.
Ou ainda, ter medo de passar pelo mesmo que presenciou na infância,
como brigas e discussões frequentes.
Como chegar à conclusão se já é hora
de se separar?
1º) Obviamente, quando você para e pensa...
"Não dá mais"
Nem sempre é fácil chegar a essa conclusão.
E se ainda houver dúvidas, pergunte-se: “
2º) Sinto me mais insatisfeita com qual situação?
3º) Meus valores coincidem ou conflitam com os
da outra pessoa? Quais objetivos ainda temos em comum?
4º) Compartilhamos responsabilidades, decisões
e compromissos?”
Enfim, reveja como está o vínculo, a relação.
E por fim é importante saber se ainda há amor.
5º) Amo essa pessoa? Quero continuar vivendo com
ela? Quero continuar a ser tratada da maneira como tenho sido? Estou feliz
com a vida que tenho ao lado dessa pessoa?” E ouça todas
as respostas. Se ainda existe amor, reflita se não é possível
reconstruir a relação e tente mais uma vez o diálogo.
Além de todo esse questionamento, não esqueça que
o relacionamento é feito a dois e, para que exista, é necessário
que ambos queiram. Se um não quer mais, o relacionamento se desfaz
de qualquer maneira. A sua parte é de 50% e você não
poderá fazer 100%. Assumir o papel de vítima: ninguém
me ama, ninguém me quer, de nada ajudará.
É possível separar-se sem agressões
Mas se chegar à conclusão que o melhor é mesmo a
separação, é possível, apesar de não
ser comum, separar-se sem agressões, manipulações,
jogos de culpas, perseguições, mas tentar despedir-se do
outro por chegar à conclusão de que não existem mais
vínculos, objetivos em comum, não existe mais amor. Claro
que nem sempre é fácil assumir tudo isso e ser apenas racional,
mas é preciso nesse momento dar espaço para que cada um
reconstrua sua vida sem chantagens ou culpas.
Como também é preciso dar espaço para a tristeza
pelo término de uma história que chegou ao fim. Se um de
vocês ainda sente amor, é preciso questionar que amor é
esse, unilateral, sem troca, sem comunicação... Afinal,
antes de tudo, devemos amar e respeitar a nós mesmos. Mas durante
esse processo o que mais perdemos, é o respeito pelos próprios
sentimentos e o amor próprio.
Contentar-se com migalhas de amor é o maior sinal
de que deixamos de nos amar. O mesmo vale para quem se
deixa ficar em depressão, querer morrer, ou sair fugindo da relação,
sem assumir a responsabilidade por tudo aquilo que um dia acreditou. Outra
atitude destrutiva é o desejo de vingança: "Se não
vou ficar com essa pessoa, ninguém mais vai ficar".
Reconstrução
Reconstruir não significa querer viver tudo aquilo de novo, ainda
que seja com outra pessoa, é muito mais aprender com a experiência
passada, refletir sobre os erros, acertos e viver muito mais consciente
do que se deseja e espera de um relacionamento. É se permitir unir-se
a alguém só depois de ter encontrado a si mesmo.
Evite agir sem pensar, entrando em relacionamentos apenas para suprir
carências, que na verdade, não serão supridas dessa
forma, muito pelo contrário, poderão ficar mais intensas
e potencializadas e com maior tendência em repetir o mesmo processo
com outra pessoa.
Por mais que a parte formal e externa da separação tenha
sido resolvida, o processo interno da separação ainda se
estende por algum tempo, ao menos do ponto de vista emocional. Isso porque
passamos, ainda que inconscientemente, por um processo de luto. Esse período
varia em cada pessoa, podendo durar de seis meses a dois anos.
Como lidar com o processo interno da separação
O importante é se permitir elaborar cada uma das fases para poder
se recuperar e reconstruir. É necessário elaborar a perda
- sem negar -, aceitar a dor que o processo provoca, sem punir-se ou fugir
do que estiver sentindo. Agora é o momento de fazer mudanças,
uma verdadeira reforma emocional através da crise que está
passando, elaborando e transformando seus sentimentos, pois só
assim conseguirá reconstruir sua vida sob alicerces firmes e muito
mais estáveis e seguros.
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