| "Trabalho publicado em outubro
2009, pelo grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São
Paulo, na revista "Epilepsy and Behavior" (Physical exercise
in epilepsy: What kind of stressor is it?) mostra claramente a importância
da atividade física regular na redução do estresse
em indivíduos com epilepsia" |
O estresse é considerado um dos fatores precipitantes
de crises mais frequentes em pessoas com epilepsia. Ao mesmo tempo,
as crises epilépticas e em particular sua ocorrência
sem predição, são suas maiores causas de estresse
em pessoas com epilepsia. Nesse sentido, o fato dessas pessoas não
saberem quando, onde ou se uma crise epiléptica irá
ocorrer, induz a uma grande insegurança e preocupação
nesses indivíduos. |
| Pessoas com epilepsia relatam
que a frequência de suas crises aumenta se elas são expostas
ao estresse, isto é, ao aumento da tensão, excitação,
tristeza ou outras emoções. Portanto, a maioria das
pessoas com epilepsia acredita que algumas de suas crises estão
relacionadas ao estresse. |
Um estudo realizado por Nakken e colaboradores (2005)*, mostrou que o
estresse emocional foi o fator precipitante mais frequente. O conceito
de que o estresse emocional aumenta a probabilidade de crises epilépticas
é fortalecido com achados de estudos psicofarmacológicos
e comportamentais, onde a redução dos níveis de estresse
e ansiedade resultou em diminuição da frequência de
crises**.
Um trabalho publicado no mês de outubro pelo grupo de pesquisadores
da Universidade Federal de São Paulo, na revista "Epilepsy
and Behavior" (Physical exercise in epilepsy: What kind of stressor
is it?)*** mostra claramente a importância da atividade física
regular na redução do estresse em indivíduos com
epilepsia.
Os pesquisadores Prof. Ricardo Mario Arida, Fulvio
Alexandre Scorza e Esper Abrão Cavalheiro têm pesquisado
sobre efeitos do exercício físico na epilepsia utilizando
modelos animais com epilepsia. Dessa forma, os autores do trabalho
mostram dados da literatura e de estudos realizados em seus laboratórios
sobre esse tópico. O artigo mostra que o estresse físico
(exercício físico) pode exercer ações benéficas
em pessoas com epilepsia.
Terapias antiestresse
Várias terapias têm sido usadas para a redução
do estresse em pessoas com epilepsia como yoga, acumpuntura, meditação
e psicoterapia. Embora sejam observados resultados positivos nesses estudos,
nenhuma técnica para redução
de estresse tem sido analisada profundamente. Uma vez que muitos
estudos têm mostrado que um programa de exercício físico
provoca uma redução do estresse, os autores sugerem que
o exercício físico poderia ser um candidato em potencial
para a redução do estresse em pessoas com epilepsia.
O exercício físico representa um estresse físico
que altera a ****homeostase
do organismo . Em resposta a uma condição de estresse,
o sistema nervoso autônomo e o eixo hipotála-hipófise-adrenal
reagem para manter a homeostase. A ativação desses sistemas
pelo estresse afeta a liberação de hormônios e neurotransmissores
que podem alterar a susceptibilidade das crises epiléticas. Ainda,
o exercício físico é geralmente aceito na contribuição
da saúde geral e bem-estar, na melhora do humor, qualidade de vida,
redução dos sintomas de ansiedade e depressão, assim
como na capacidade de lidar melhor com o estresse.
Efeitos fisiológicos benéficos como melhorar da condição
cardiovascular já está bem documentado, isto é, pessoas
com epilepsia apresentam os mesmos benefícios que qualquer outra
pessoa como aumento da capacidade aeróbia, aumento da capacidade
de trabalho, redução da frequência cardíaca
para uma mesma condição de trabalho, redução
do peso e de gordura, aumento da autoestima e redução da
depressão.
Dessa forma, o exercício físico poderia também induzir
positivas ações encontradas nas diferentes terapias citadas
acima. Em conclusão, considerando o potencial papel do exercício
físico na prevenção ou tratamento da epilepsia, devemos
refletir sobre a inclusão rotineira da atividade física
para as pessoas com epilepsia.
* Nakken KO, Solaas MH, Kjeldsen MJ, Friis ML, Pellock JM, Corey LA. Which
seizure-precipitating factors do patients with epilepsy most frequently
report?
Epilepsy Behav 2005;6:85-9.
** Schmid-Schonbein C. Improvement of seizure control by psychological
methods in patients with intractable epilepsies. Seizure 1998;7:261-70.
*** Arida RM, Scorza FA, Terra VC, Scorza CA, de Almeida AC, Cavalheiro
EA. Physical exercise in epilepsy: What kind of stressor is it? Epilepsy
Behav. 2009 Oct 14
****Homeostase: processo de regulação pelo qual um organismo
mantém constante o seu equilíbrio
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