Cérebro & Corpo
Entenda a relação entre cérebro, corpo, saúde e bem-estar
Exercício físico e interação social podem reduzir declínio de memória na doença de Alzheimer
por Ricardo Arida



"Muitos estudos epidemiológicos têm mostrado que o exercício físico, a atividade intelectual, relações sociais e uma dieta saudável induzem a um menor risco de demência." Em texto recente (veja aqui), comentamos os resultados de um estudo recente publicado numa revista de geriatria (International Journal of Geriatric Psychiatry) que avaliou as atitudes e motivações de pessoas com idades entre 50-65 anos em relação a “manter um cérebro ativo” (1).

Os autores enfatizaram que dançar pode ajudar na prevenção de demência. Um trabalho publicado no mês de julho numa das revistas de maior impacto científico – Nature – confirma esses achados (2).

A dança pode não ser o primeiro tratamento preventivo para a doença de Alzheimer, mas pode ser uma alternativa para aqueles preocupados com a sua memória em declínio. Perminder Sachdev, neuropsiquiatra da Universidade de New South Wales, em Sydney – Austrália comenta que a dança inclui uma associação de estímulos que ajudam a prevenir a demência. A dança pode envolver uma associação de atividade cognitiva, atividade física e interação social.

Muitos estudos epidemiológicos têm mostrado que o exercício físico, a atividade intelectual, relações sociais e uma dieta saudável induzem a um menor risco de demência. Apesar de resultados animadores sobre este assunto, é importante avaliar a quantidade de exercício, qual o melhor tipo de atividade intelectual e em que estágio cada um desses fatores poderia influenciar o curso da doença.

De uma forma bem simplista, podemos sugerir quais são os mecanismos que porvocam essa melhora. Estudos com roedores mostram pelo menos dois mecanismos diferentes. Primeiro, a atividade física reduz a formação de ß-amiloide - uma proteína que compõe as placas características da doença de Alzheimer. A atividade física também está associada à produção e liberação de substâncias no cérebro, como fatores de crescimento neuronal que promovem a formação de neurônios e conexões entre eles. Isso pode fazer com que o cérebro seja capaz de lidar melhor com as alterações patológicas da doença de Alzheimer. A o texto anterior apresenta com mais detalhes, o assunto e os trabalhos que reforçam esses achados.

Se conseguirmos pelo menos prevenir alguns dos fatores que provocam esses declínios relacionadas com a idade, poderemos fazer com que nossa qualidade de vida seja melhor com o avançar da idade.

1- Bowes A, McCabe L, Wilson M, Craig D. 'Keeping your brain active': the activities of people aged 50-65 years. Int J Geriatr Psychiatry. 2011 May 2.
2- Prevention: activity is the best medicine. Nature. 2011;475(7355):S16-7.

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Ricardo Arida
Doutor em Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo e Pós-Doutorado
pela Universidade de Oxford - UK.
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