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Os efeitos da fadiga mental no rendimento cognitivo têm sido extensivamente
estudados. Entretanto, um estudo publicado no *Journal of Applied
Physiology de (março de 2009), abordou um tópico interessante,
a relação entre fadiga mental e rendimento físico.
| "Esses dados podem fornecer
informações importantes no estudo da síndrome
da fadiga crônica, uma doença caracterizada por cansaço
geral, dores musculares, depressão, etc. Da mesma forma, indivíduos
com a síndrome da fadiga crônica apresentam uma maior
percepção ao esforço físico, apesar das
respostas fisiológicas estarem normais durante o exercício" |
Eu venho pensando neste assunto há muito tempo.
Por experiência pessoal, percebo que quando minha atividade
no trabalho é intensa, com muitas decisões e responsabilidades
exigidas naquele dia, meu rendimento físico no final do dia
parece ser um pouco menor. É difícil quantificar este
estado, pois existem variáveis envolvidas que são subjetivas
para avaliar. |
Pesquisadores da Universidade de Bangor – UK mostraram que quando
os participantes realizavam uma tarefa mental fatigante antes de um teste
de esforço físico, eles alcançavam a exaustão
mais rapidamente em comparação à realização
do mesmo exercício sem cansaço mental.
Dezesseis participantes foram submetidos a um teste em bicicleta ergométrica
até a exaustão em duas condições, uma vez
quando estavam cansados mentalmente e outra vez sem cansaço mental.
O protocolo para induzir a fadiga mental consistiu de tarefa mental que
requeria atenção, memória e reação.
Após a sessão de fadiga mental, os participantes realizaram
um teste de esforço intenso até a exaustão em bicicleta
ergométrica. Uma redução de 15% do tempo até
a exaustão foi observada quando comparado ao estado sem fadiga
mental.
Mas por que a fadiga mental pode afetar o redimento físico?
O mecanismo para esse achado pode estar na liberação de
neurotransmissores, isto é, a fadiga mental pode afetar a dopamina,
um neurotransmissor que tem papel na motivação. Um outro
achado interessante é que esta demanda mental ativa uma região
cerebral chamada córtex do cíngulo anterior. Estudos anteriores
com animais têm mostrado que ratos com lesão nessa região
não se esforçam muito por uma recompensa. Esses autores
sugerem que essa área pode ser a origem dessa percepção
do esforço.
Esses dados podem fornecer informações importantes no estudo
da síndrome da fadiga crônica, uma doença caracterizada
por cansaço geral, dores musculares, depressão, etc. Da
mesma forma, indivíduos com a síndrome da fadiga crônica
apresentam uma maior percepção ao esforço físico,
apesar das respostas fisiológicas estarem normais durante o exercício.
Como sugestão, pessoas que realizam treinamento físico intenso,
como atletas competitivos deveriam treinar em estado mental adequado.
Vale a pena ressaltar que muitas pessoas que praticam atividades físicas
ou esportivas após o trabalho, devem continuar com seus exercícios
físicos, pois ainda assim, o exercício fornece efeitos benéficos
fisiológicos e psicológicos como melhora do estresse e melhora
da saúde mental.
* Samuele Maria Marcora, Walter Staiano, and Victoria Manning. Mental
fatigue impairs physical performance in humans. Journal of Applied Physiology,
2009.
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