Cérebro & Corpo
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Cansaço mental pode diminuir rendimento físico, indica estudo
por Ricardo Arida

Os efeitos da fadiga mental no rendimento cognitivo têm sido extensivamente estudados. Entretanto, um estudo publicado no *Journal of Applied Physiology de (março de 2009), abordou um tópico interessante, a relação entre fadiga mental e rendimento físico.

"Esses dados podem fornecer informações importantes no estudo da síndrome da fadiga crônica, uma doença caracterizada por cansaço geral, dores musculares, depressão, etc. Da mesma forma, indivíduos com a síndrome da fadiga crônica apresentam uma maior percepção ao esforço físico, apesar das respostas fisiológicas estarem normais durante o exercício" Eu venho pensando neste assunto há muito tempo. Por experiência pessoal, percebo que quando minha atividade no trabalho é intensa, com muitas decisões e responsabilidades exigidas naquele dia, meu rendimento físico no final do dia parece ser um pouco menor. É difícil quantificar este estado, pois existem variáveis envolvidas que são subjetivas para avaliar.

Pesquisadores da Universidade de Bangor – UK mostraram que quando os participantes realizavam uma tarefa mental fatigante antes de um teste de esforço físico, eles alcançavam a exaustão mais rapidamente em comparação à realização do mesmo exercício sem cansaço mental.

Dezesseis participantes foram submetidos a um teste em bicicleta ergométrica até a exaustão em duas condições, uma vez quando estavam cansados mentalmente e outra vez sem cansaço mental. O protocolo para induzir a fadiga mental consistiu de tarefa mental que requeria atenção, memória e reação. Após a sessão de fadiga mental, os participantes realizaram um teste de esforço intenso até a exaustão em bicicleta ergométrica. Uma redução de 15% do tempo até a exaustão foi observada quando comparado ao estado sem fadiga mental.

Mas por que a fadiga mental pode afetar o redimento físico?

O mecanismo para esse achado pode estar na liberação de neurotransmissores, isto é, a fadiga mental pode afetar a dopamina, um neurotransmissor que tem papel na motivação. Um outro achado interessante é que esta demanda mental ativa uma região cerebral chamada córtex do cíngulo anterior. Estudos anteriores com animais têm mostrado que ratos com lesão nessa região não se esforçam muito por uma recompensa. Esses autores sugerem que essa área pode ser a origem dessa percepção do esforço.

Esses dados podem fornecer informações importantes no estudo da síndrome da fadiga crônica, uma doença caracterizada por cansaço geral, dores musculares, depressão, etc. Da mesma forma, indivíduos com a síndrome da fadiga crônica apresentam uma maior percepção ao esforço físico, apesar das respostas fisiológicas estarem normais durante o exercício.

Como sugestão, pessoas que realizam treinamento físico intenso, como atletas competitivos deveriam treinar em estado mental adequado. Vale a pena ressaltar que muitas pessoas que praticam atividades físicas ou esportivas após o trabalho, devem continuar com seus exercícios físicos, pois ainda assim, o exercício fornece efeitos benéficos fisiológicos e psicológicos como melhora do estresse e melhora da saúde mental.

* Samuele Maria Marcora, Walter Staiano, and Victoria Manning. Mental fatigue impairs physical performance in humans. Journal of Applied Physiology, 2009.

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Ricardo Arida
é graduado em Educação Física (USP) e possui pós-doutorado em Medicina (Neurologia) pela Universidade de Oxford - UK
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