| Pesquisa foi coordenada
por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Este é o primeiro estudo realizado no mundo sobre a ação
do ômega-3 no tecido cerebral
O omega 3, um precioso lipídio que promove a saúde
cardíaca, pode ajudar nosso cérebro. Estudos experimentais
e clínicos apontam que os ácidos graxos poliinsaturados
(Omega-3) são importantes para o desenvolvimento e manutenção
das funções do sistema nervoso central.
| "Pesquisa foi publicada mês
passado na revista Epilepsy and Behavior* revelou que o ômega-3,
forma de gordura presente em algumas espécies de peixe, pode
ajudar no combate à epilepsia. Em experimentos com animais,
os pesquisadores verificaram que o ômega-3 é capaz de
minimizar a morte de neurônios (células nervosas) durante
as crises epilépticas e ajudar na regeneração
do tecido cerebral" |
Com relação às epilepsias, tem
sido demonstrado que a suplementação dos ácidos
graxos poliinsatuados previne e reduz a duração e freqüência
de crises epilépticas em ratos e seres humanos, no entanto,
os mecanismos para este fenômeno ainda são desconhecidos.
Nesse sentido, encontrar alternativas que minimizem as lesões
neuronais induzidas por crises epilépticas é importante
para elaborar estratégias terapêuticas. |
Diante da importância aparente dos ácidos graxos poliinsaturados
e da facilidade em se obter um tratamento eficaz, seguro e, sobretudo,
com múltiplos benefícios, existe um interesse em se explorar
os mecanismos envolvidos com as ações dos ácidos
graxos poliinsaturados nas epilepsias. O ômega-3 é
encontrado principalmente em peixes (salmão, atum e sardinha),
mas também pode ser vendido em cápsulas. No passado, as
pessoas tomavam o conhecido “óleo de fígado de bacalhau”,
sem saber do efeito de proteção dos neurônios.
Uma pesquisa coordenada por cientistas da Universidade Federal de São
Paulo (Unifesp) foi publicada no mês passado na revista Epilepsy
and Behavior* revelou que o ômega-3, forma de gordura presente
em algumas espécies de peixe, pode ajudar no combate à epilepsia.
Em experimentos com animais, os pesquisadores verificaram que o ômega-3
é capaz de minimizar a morte de neurônios (células
nervosas) durante as crises epilépticas e ajudar na regeneração
do tecido cerebral.
A pesquisa coordenada por Fulvio Scorza, Ricardo Arida, Esper Cavalheiro
da Unifesp e Roberta Cysneiros da Universidade Mackenzie, mostrou um papel
neuroprotetor do ômega-3 em animais com epilepsia. Nesta pesquisa,
após dois meses de tratamento com Omega-3, ratos com epilepsia
apresentaram uma menor perda de neurônios na região do hipocampo
(área central do cérebro que desempenha papel fundamental
na memória e aprendizado) em relação aos animais
com epilepsia sem tratamento.
A próxima etapa será repetir o experimento com seres humanos.
No entanto, é importante salientar que as pessoas com epilepsia
não podem abdicar de seus remédios: o ômega-3 é
só mais uma forma de minimizar as crises da doença. Este
é o primeiro estudo realizado no mundo sobre a ação
do ômega-3 no tecido cerebral e pode ser um grande passo para ajudar
a minimizar os danos causados pelas crises epilépticas nos neurônios
e, com isso, melhorar a qualidade de vida do indivíduo com epilepsia.
*Neuroprotective activity of omega-3 fatty acids against epilepsy-induced
hippocampal damage: Quantification with immunohistochemical for calcium-binding
proteins. Epilepsy Behav. 2008. Ferrari D, Cysneiros RM, Scorza CA, Arida
RM, Cavalheiro EA, de Almeida AC, Scorza FA.
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