| Velhos conhecidos da medicina oriental,
o chá verde e o chá branco tornaram-se famosos nos últimos
anos, devido principalmente às várias pesquisas científicas
divulgadas mostrando seus benefícios à saúde. Aqui
no Brasil, as duas bebidas já fazem parte da dieta de muitas pessoas
e têm sido divulgadas por modelos famosas e celebridades do cinema
e da TV, preocupadas com a saúde e a boa forma.
Características diferenciadas
Os chás verde e branco são provenientes das folhas da
Camellia sinensis, uma planta procedente principalmente do norte
da Índia e sul da China, onde é conhecida desde os primórdios
da dinastia Tang (618-907 d.C.).
O chá verde é obtido por meio do murchamento das folhas
com vapor que, em seguida, são secas, fase na qual ocorre a inativação
de uma série de enzimas, chamadas de polifenóis oxidases.
As folhas permanecem verdes e não sofrem qualquer tipo de alteração
na sua composição, e o chá resultante desse processo
apresenta sabor amargo.
Diferentemente do chá verde, na produção do chá
branco, só os brotos mais jovens são colhidos. Durante a
maturação, os brotos são protegidos contra a ação
do tempo e do sol e a colheita é realizada antes que ocorra a síntese
de clorofila nas folhas, quando ficam verdes e começam a abrir.
Nessa fase, a folha tem uma coloração prateada, devido à
fina penugem branca que recobre os brotos, daí a origem do nome
chá branco.
Depois de colhidos, os brotos secam naturalmente, sendo assim menos processados
que as folhas do chá verde. Todo esse processo é manual
e ocorre poucos dias no ano, entre os meses de abril e maio, uma das razões
para a raridade e alto custo do produto. O chá branco apresenta
sabor mais adocicado e delicado que o chá verde.
Por ser proveniente de brotos muito jovens, acredita-se que o chá
branco apresente uma maior concentração de substâncias
bioativas que o chá verde, cujas folhas são mais processadas.
Nessa fase de maturação, os brotos contêm uma alta
concentração de substâncias ativas como os polifenóis
(com ação antioxidante), o que pode sugerir uma ação
mais eficiente na redução do risco de doenças quando
comparado ao chá verde.
O que torna esses chás tão especiais?
O segredo dos chás verde e branco reside no fato deles serem ricos
em polifenóis catequinas, particularmente a epigalocatequina galato
(EGCG). A EGCG é um poderoso antioxidante que além de inibir
o crescimento de células cancerígenas, é capaz de
destruir células cancerosas sem danificar os tecidos saudáveis.
Pesquisas com a EGCG demonstram que a substância também é
eficaz na redução dos níveis de colesterol LDL (colesterol
ruim), além de inibir a formação de coágulos
sanguíneos anormais. Este último assume importância
quando consideramos que a trombose (a formação de coágulos
sanguíneos anormais) é a principal causa de ataques cardíacos
e acidentes vasculares cerebrais.
Os efeitos proporcionados pelo consumo de EGCG também têm
sido ligados ao “Paradoxo Francês”. Durante anos, pesquisadores
ficavam perplexos pelo fato de, apesar de consumirem uma dieta rica em
gordura, os franceses apresentavam uma menor incidência de doenças
do coração do que os americanos. A resposta foi encontrada
no vinho tinto, que contém resveratrol, um polifenol que limita
os efeitos negativos do consumo de cigarro e uma dieta gordurosa. Em um
estudo de 1997, pesquisadores da Universidade do Kansas determinaram que
a EGCG é duas vezes mais poderosa que o resveratrol, o que pode
explicar a razão pela qual a taxa de doenças cardíacas
entre os japoneses é muito baixa, apesar de cerca de 75% serem
fumantes.
O que dizem os estudos
Enquanto o chá verde já foi alvo de muitos estudos científicos
internacionais, são poucas as informações sobre o
chá branco na literatura científica. Ainda não há
trabalhos representativos e que ofereçam informação
fidedigna sobre a bebida, embora se saiba que a mesma é tão
ou mais rica em catequinas que o próprio chá verde.
Recentes pesquisas mostram uma forte associação entre o
consumo desses chás com uma ação antioxidante, anti-inflamatória
e anticarcinogênica no trato digestivo. Alguns estudos evidenciam
também os benefícios do chá verde para o coração
e o sistema cardiovascular, além da capacidade do chá branco
de destruir organismos causadores de infecções causadas
por Staphylococcus e Streptococcus.
Estudos realizados pela Universidade de Nova Jersey apontam que
o consumo desses chás diminui a incidência do aparecimento
de diversos tipos de câncer, como o de mama, pâncreas, cólon,
esôfago e pulmão, em seres humanos. Outras pesquisas revelam
que eles também estimulam o sistema imunológico, aumentando
nossa proteção natural contra as infecções,
inclusive contra gripe.
A saúde dentária também tem sido alvo das pesquisas
com as bebidas derivadas da Camellia sinensis. Assim como esses
chás apresentam a capacidade de destruir certas bactérias
causadoras de infecções, ajudando na prevenção
da intoxicação alimentar, eles podem destruir bactérias
responsáveis pela formação da placa dentária.
Fator coadjuvante na perda de peso
Em relação à perda de peso, testes clínicos
mostram que aparentemente esses chás são capazes de aumentar
as taxas metabólicas e acelerar a oxidação das gorduras.
Dulloo e colaboradores da Universidade de Genebra demonstraram que além
da cafeína, a presença dos polifenóis presentes no
chá verde aumenta a termogênese (taxa pela qual as calorias
são queimadas) e o gasto total de energia. Esse gasto não
é alto, em torno de 5% do gasto total de energia diário,
mas os pesquisadores acreditam que combinado com uma dieta equilibrada,
o chá verde pode funcionar como um coadjuvante da perda de peso.
O efeito que alavanca o metabolismo parece ser independente da cafeína
suplementar consumida pelos indivíduos estudados, existindo uma
interação sinergética entre cafeína e outros
componentes bioativos do extrato de chá verde e/ou branco, que
acarreta uma promoção de maiores taxas de queima de gordura.
Como esses chás devem ser consumidos?
Os chás verde e branco podem ser consumidos de diversas formas.
A mais comum é a infusão das folhas secas em água
quente. Contudo, a indústria atualmente pesquisa e desenvolve formas
mais práticas e saborosas que oferecem o extrato em altas concentrações.
Eu, por exemplo, assessorei dois desenvolvimentos onde foram utilizados
extratos do chá verde ou branco com altas concentrações
de polifenóis.
Os alimentos, elaborados em forma de pó para o preparo instantâneo
da bebida, foram enriquecidos com vitaminas e minerais com ação
antioxidante, adoçados com sucralose e flavorizados com sabor suave
de frutas (cítrico ou abacaxi com hortelã). As duas bebidas
podem ser consumidas geladas ou quentes e facilitam a vida do consumidor
que preza pela praticidade e sabor.
Um ponto importante que merece ser destacado aqui é que na onda
da popularização dessas duas bebidas, muitos fabricantes
se aproveitam da situação e acabam oferecendo produtos com
quantidades ínfimas do ingrediente, ou seja, de chá verde
ou branco. Existem no mercado até gelatinas onde no rótulo
pode-se ler a palavra chá verde em letras grandes, mas na verdade
trata-se de uma sobremesa aromatizada com chá verde, e não
enriquecida com este ingrediente funcional. Portanto, fica aqui um alerta
para que os consumidores atentem-se para os rótulos desses produtos
e aprendam a fazer a melhor escolha.
Modismo passageiro?
Os estudos científicos atuais consideram a Camellia sinensis
uma planta estratégica para a saúde humana no século
XXI. Por isso, do ponto de vista de pesquisadores como eu, que trabalham
na área dos alimentos funcionais, bebidas à base dessa planta
deverão cada vez mais fazer parte dos hábitos alimentares
das pessoas, que até então desconheciam os inúmeros
atributos dessas bebidas.
Os japoneses e chineses que as consomem há séculos, são
considerados atualmente os povos mais longevos e com menor incidência
de doenças do mundo. Entre esses povos, o provérbio chinês
"Melhor ser privado de alimento por três dias, do que de chá
por um” é seguido à risca, o que faz do chá
verde, por exemplo, a segunda bebida mais consumida no mundo depois da
água.
Mais informações: www.jocelemsalgado.com.br
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