| Cistite, inflamação
aguda ou crônica da bexiga, que se manifesta por micções
freqüentes, pela dificuldade em urinar (a urina sai em pequenas quantidades),
pela urgência de urinar à noite, pelo ardor e dor ao urinar,
pela urina turva ou escura com odor ruim, pela dor na região inferior
do abdome (bexiga) e, às vezes, pela eliminação de
pus e/ou sangue junto com a urina.
A cistite pode ter diversas causas: cálculos na bexiga, infecções
urinárias, doenças venéreas, traumatismos, friagem
nos pés e no abdome, etc. Com maior freqüência, é
causada por bactérias como a Escherichia coli (a mais comum) e
germes provenientes dos intestinos e das fezes.
Em situações especiais, esses germes migram para o interior
da vagina e, após um período de multiplicação,
alcançam a uretra (canal que vai da bexiga ao canal urinário)
e a bexiga, causando uma cistite infecciosa. A falta de higiene e a do
hábito de se beber água em abundância durante o dia
todo também muito predispõem a esse tipo de infecção.
A infecção urinária, ou da bexiga, é mais
comum em mulheres, principalmente na fase adulta. O orifício externo
da uretra encontra-se acima e muito próximo do orifício
da vagina. A uretra feminina é muito curta (cerca de 3 cm); os
germes que se desenvolvem na vagina podem penetrar na bexiga.
21% de todas as mulheres apresentam algum desconforto
no trato urinário pelo menos uma vez ao ano; e 2 a 4% têm
níveis elevados de bactérias na urina, revelando a presença
de uma infecção no trato urinário.
A atividade sexual predispõe à infecção urinária
(principalmente, quando o sexo vaginal é feito logo após
o sexo anal). É muito importante realizar uma higiene da uretra
após o ato sexual, para se evitar uma infecção. Para
isso, basta urinar logo em seguida ao ato sexual, pois a urina carrega
para fora toda secreção que possa ter entrado na uretra.
Por isso é aconselhável beber água em abundância
antes do intercurso sexual para estimular-se a produção
de urina. O pH ácido ou alcalino da urina inibe a proliferação
de muitas bactérias.
A urina, quando é secretada pelos rins, é estéril
até alcançar a uretra. As bactérias podem infectar
o trato urinário ascendente através da uretra ou, menos
comum, pela corrente sangüínea e são introduzidas na
uretra por contaminação fecal ou secreções.
No homem, a infecção urinária pode decorrer do aumento
da próstata, o que dificulta o esvaziamento adequado da bexiga.
A urina retida favorece a infecção. Já a uretra masculina
é longa e ocupa todo o canal que liga a bexiga à extremidade
do pênis.
Criança
Na criança, as infecções urinárias podem ocorrer
também por um defeito qualquer no trato urinário e é
de extrema importância que sua causa seja investigada. Em meninos,
as infecções do trato urinário são raras (0,05%),
enquanto 2% das meninas apresentam níveis elevados de bactérias
na urina.
As mulheres com história de infecções recorrentes
do trato urinário tendem a sofrer de inflamação da
bexiga pelo menos uma vez ao ano. Tais infecções podem ser
muito prejudiciais, pois 55% das inflamações acometem os
rins. A infecção renal recorrente pode causar sérios
problemas e danos progressivos, inclusive insuficiência renal.
O adulto, geralmente, não apresenta febre nos quadros de cistites;
entretanto pode ocorrer febre de 38 graus ou mais. A febre moderada pode
ocorrer em crianças.
Há quadros em que o paciente apresenta germes na urina e não
desenvolve sintoma algum como, por exemplo, na bacteriúria (presença
de bactérias em número excessivo na urina) assintomática.
Há também casos de cistite não infecciosa cujos sintomas
são os mesmos da infecciosa, com a única diferença
da inexistência de germes nos exames de urina.
Cálculos urinários localizados na extremidade do ureter
(cada um dos dois canais que conduzem a urina dos rins à bexiga)
podem ocasionar sintomas semelhantes à cistite, assim como as doenças
neurológicas que afetam a bexiga. A presença de febre, calafrios
e lombalgia pode indicar comprometimento dos rins.
O fluxo livre, o grande volume de urina, o esvaziamento completo da bexiga
e a função imunológica adequada são importantes
para a prevenção da infecção da bexiga.
Alguns fatores associados ao maior risco de infecção da
bexiga: gestação (duas vezes mais freqüentes), intercurso
sexual, sexo entre dois homens, trauma mecânico e anomalias do trato
urinário que dificultam o fluxo livre de urina.
Apenas 60% das mulheres com sintomas típicos de infecção
na trato urinário têm níveis elevados de bactérias
na urina.
O diagnóstico é realizado mediante os sinais, sintomas e
resultado do exame clínico da urina. O exame microscópio
da urina infectada revela elevados níveis de leucócitos
(glóbulos brancos) e bactérias. A urocultura com antibiograma
auxilia na identificação de uma cistite infecciosa ou não
infecciosa.
Terapêutica
Somente se deve fazer uso de remédios e medicamentos sob a orientação
e a prescrição terapêuticas. Deve-se combater a automedicação.
Ingerir grandes quantidades de líquidos (três litros de água
por dia). Urinar após o intercurso sexual e realizar higiene íntima
(dos lábios vaginais e do pênis) com água corrente.
Dieta: evitar açúcar simples, carboidratos
refinados (açúcares e amidos), sucos de frutas concentrados
(diluir o suco de fruta e não adicionar açúcar) e
alimentos alergênicos. Restringir também as calorias e consumir
alho e cebola.
Remédios botânicos: Hydrastis canadensis
(Hidraste); Uncaria tomentosa (Unha-de-gato); Barosma betulina (Buchu);
Taraxacum officinale (Dente-de-leão); Arctostaphylos uva-ursi (Uva-ursina);
Allium sativum (Alho) e Clorela (ou Alga blue green).
Suplementação nutricional: Vitamina C;
Zinco (picolinato); Bioflavonóides; Betacaroteno e Lactobacilos
acidófilos.
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