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"E confiar no outro
significa dar ao parceiro um crédito de confiança
e ter em mente que cada um é responsável por sua própria
felicidade. Ou seja, a traição deve ser encarada como
um problema de quem trai e não de quem é traído"
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Há quem ache que namorar é
fazer - e cobrar - sacrifícios. Quando um namoro nasce viciado
pela valorização da troca de sofrimentos tem tudo para
terminar em um casamento penoso onde os cônjuges em vez de aliados
e parceiros são adversários e até inimigos. |
Para evitar isso, é necessário que os parceiros comecem a
refletir desde cedo sobre seus desejos em uma relação e optem
entre escolher a alegria e o prazer da convivência ou se preferem
viver o clima repressivo das proibições recíprocas
e do patrulhamento afetivo.
"Desde
que comecei a namorar nunca mais fui ao Maracanã", ou "Ele
me proibiu de conversar com meus amigos" são comentários
ouvidos com frequência que expressam uma relação na
qual se está dando espaço para amarguras imediatas e futuros
rancores. Esse posicionamento negativo na relação é
quase sempre causado pela insegurança. Esta se origina do sentimento
de falta de valor próprio e isso fortalece o ciúme.
Pessoas que não acreditam em sua própria capacidade de atrair
os outros, tendem a desconfiar do amor que recebem. É uma situação
típica onde a baixa autoestima acaba por provocar dificuldades
no relacionamento. Para superar a insegurança, é importante
aprender a confiar em si mesmo e no outro.
Confiar em si mesmo significa acreditar na própria capacidade de
seduzir o parceiro de forma a que ele não se interesse por outras
pessoas. Mas principalmente confiar na própria capacidade de superar
eventuais traições e de ser capaz de lidar com essas situações
inevitavelmente dolorosas. E confiar no outro significa dar ao parceiro
um crédito de confiança e ter em mente que cada um é
responsável por sua própria felicidade. Ou seja, a traição
deve ser encarada como um problema de quem trai e não de quem é
traído. A confiança ajuda no fortalecimento do vínculo
afetivo e contribui de modo muito mais eficaz para o sucesso da relação
do que o clima de repressão.
Quando, numa relação amorosa, um dos parceiros
sente-se sufocado pelo outro, isso significa que o amor não está
predominando. Em lugar dele, estão em cena o ciúme, o egoísmo,
a vaidade e possessividade. Enquanto o amor impera, a relação
é caracterizada por altruísmo, generosidade, humildade e
respeito pelo parceiro. A confusão entre possessividade e amor
é frequente. Existe até um adesivo para se colocar no vidro
traseiro do carro que diz: "Não tenho tudo o que amo, mas
amo tudo o que tenho". Quem acredita nessas palavras não aprendeu
que amor é doação, respeito, admiração
e liberdade.
Amor tem a ver com ser e estar. Não com ter e possuir. Caso seu
parceiro manifeste a necessidade de lhe controlar, isso é sinal
de que chegou o momento de você "cair fora". Pois já
não há confiança nem amor suficiente. Amor é
um sentimento adulto e maduro de quem está consciente de que não
pode ser dono da pessoa amada. Uma relação que evolui, melhora
com o passar do tempo e dá frutos preciosos se fundamenta na igualdade
entre os parceiros e não em cobranças e, muito menos, na
superioridade de um sobre o outro. É uma relação
que se enriquece com trocas (de carinho, de ideias, de apoio) e vive do
respeito recíproco.
O ciúme é imaturo
Frequentemente os namoros começam sobrecarregados
por uma atitude de ciúme da parte de um dos dois, por vezes até
dos dois parceiros, principalmente quando são jovens. Em geral,
esta atitude está relacionada com uma baixa autoestima que conduz
à falta de confiança em si mesmo. Tal situação
gera uma insegurança que faz crescer o medo de perder o outro.
Racionalmente não faz sentido ter medo de perder alguém
que pouco tempo antes não significava nada e cuja existência
às vezes nem sequer se conhecia.
Para pessoas inseguras, de baixa autoestima, conseguir um namorado é
vivido como uma vitória e como uma evidência de valor pessoal.
A existência do outro significa que a pessoa tem capacidade de atrair
um parceiro. Ela se sente em condições de mostrar-se bem-sucedida
e consegue esconder de si mesma sua insegurança.
Esta situação emocionalmente confortável e muito
desejada corre o risco de se desfazer caso o parceiro desista da relação.
Mas na medida em que a pessoa não acredita em seu próprio
valor, tem dificuldade em crer no interesse do namorado pelo relacionamento
e em consequência está sempre aguardando o momento - para
ela previsível - em que o companheiro vai se decepcionar e partir
para outra. Então a insegurança faz o ciúme brotar
e crescer. Ciúme significa apenas isso: baixa autoestima e insegurança
gerando uma tola e permanente desconfiança. Controlar o outro é
inútil. O problema só pode ser resolvido melhorando a autoestima.
Quando digo que ciúme é apenas isto devo deixar claro, estou
passando ao largo das situações de ciúme patológico.
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