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Como encaminhar pacientes para essas comunidades?
Resposta: Indivíduos dependentes de cocaína,
álcool, opioides, múltiplas substâncias podem obter
benefícios com o tratamento de longa permanência nas chamadas
comunidades terapêuticas. Esses estabelecimentos são, geralmente,
reservados para indivíduos com baixa probabilidade de beneficiar-se
do tratamento ambulatorial, como por exemplo:
a) História de múltiplas falhas no tratamento
ambulatorial ou internações curtas;
b) Grande prejuízo na capacidade de ressocialização
e na habilidade para obter e manter atividade laboral;
c) Necessidade de ambiente altamente estruturado para
a modificação do estilo de vida.
Trata-se de uma das várias formas de abordagem para pacientes
dependentes de substâncias, cuja indicação/recomendação
deve ser adequada.
Muitas vezes, ao invés de ver o uso inadequado de substâncias
psicoativas como uma doença (relativo ao modelo médico de
doença), os programas das comunidades terapêuticas costumam
considerar o consumo de substâncias como um comportamento desviado,
ou seja, um sintoma do desenvolvimento inadequado da personalidade, relacionamentos
sociais, habilidades sociais e econômicas.
As comunidades terapêuticas devem propor a reabilitação
individual, social, e vocacional através de programas altamente
estruturados, contando com profissionais capacitados e treinados em intervenções
comportamentais relacionadas às dependências químicas.
Alguns dos elementos teóricos centrais das comunidades terapêuticas
são:
a) Revelar métodos adequados para proporcionar
a modificação comportamental;
b) Desenvolver atividades que favoreçam o desenvolvimento
da autoestima e confiança dos seus membros;
c) Proporcionar uma estrutura com membros com papéis
adequadamente definidos;
d) Apresentar um sistema que proporcione limites e recompensas,
sempre adequadas;
e) Utilizar a comunidade como um meio de aprendizagem
social;
f) As comunidades devem ter regras, normas e um sistema
de valores adequados para a modificação do estilo de vida;
g) Ter um processo de tratamento voltado para a reinserção
social;
h) Apresentar um “curriculum” que ensine
os membros da comunidade os elementos, processos e métodos para
a manutenção da sobriedade, saúde e estilo de vida
seguro.
As comunidades terapêuticas tradicionais mantêm uma política
de “portas abertas” em relação à admissão
no tratamento residencial. Isso, geralmente, gera um grande número
de “candidatos” para o tratamento, embora as motivações
sejam bastante variadas. Segundo algumas das regras das comunidades terapêuticas,
a “idoneidade” e o “risco para a comunidade” são
avaliados pelos coordenadores.
A “idoneidade” refere-se ao grau em que o paciente pode cumprir
com as demandas do regime instalado e integrar-se nesse sistema. Aqui
incluem aspectos como participação nos grupos, cumprimento
dos trabalhos designados e convivência com normas e regras. O “risco
para a comunidade” refere-se ao grau de periculosidade representado
pelo paciente para aquela comunidade. Alguns dos critérios para
exclusão dos pacientes em algumas das comunidades são: tentativas
de suicídio, transtornos psiquiátricos graves (psicoses)
e condutas antissociais permanentes.
As comunidades terapêuticas têm a sua regulamentação
t écnica estabelecida pela ANVISA – Resolução
– RDC nº 101 de 30/05/2001. Elas são definidas como
“serviços de atenção a pessoas com transtornos
decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas, em regime
de residência ou outros vínculos de um ou dois turnos, segundo
modelo psicossocial.
São unidades que têm por função a oferta de
um ambiente protegido, técnica e eticamente orientados, que forneça
suporte e tratamento aos usuários abusivos e/ ou dependentes de
substâncias psicoativas, durante período estabelecido de
acordo com programa terapêutico adaptado às necessidades
de cada caso. É um lugar cujo principal instrumento terapêutico
é a convivência entre os pares. Oferece uma rede de ajuda
no processo de recuperação das pessoas, resgatando a cidadania,
buscando novas possibilidades de reabilitação física
e psicológica, e de reinserção social”
.
Como qualquer estabelecimento de saúde, deve estar devidamente
licenciado pela autoridade sanitária competente do Estado ou Município
em que está instalado. Também, como estabelecimento de saúde,
deveria ser registrado no Conselho Regional de Medicina do Estado. A resolução
do Conselho Federal de Medicina nº 997/80 criou nos Conselhos Regionais
e no próprio Conselho Federal os Cadastros Regionais e o Cadastro
Central dos Estabelecimentos de Saúde de direção
médica.
Mais recentemente, a resolução do Conselho Federal de Medicina
nº 1716/04, que objetiva garantir a fiel execução de
resolução e leis anteriores, determina, dentre outros fatores:
a) A inscrição nos CRM de empresa, entidade,
instituição ou estabelecimento prestador e/ou mediador de
assistência médica dar-se-á através do cadastro
ou registro, obedecendo-se às normas emanadas dos Conselhos Federal
e regionais de Medicina;
b) O cadastro ou registro de empresa, instituição,
entidade ou estabelecimento deverá ser requerido pelo profissional
médico responsável técnico, em requerimento próprio,
dirigido ao conselho regional de medicina da sua jurisdição
territorial;
c) O diretor técnico responde eticamente por todas
as informações prestadas perante os Conselhos Federal e
Regionais de Medicina.
Emana-se dessa resolução que, para receber autorização
dos conselhos de Medicina, necessariamente o estabelecimento de saúde
terá que ter Diretor ou Responsável Técnico, sempre
médico.
Reconsiderando a Regulamentação da ANVISA acerca das comunidades
terapêuticas, não há qualquer determinação
de cadastro ou registro em Conselhos de Medicina para funcionar como estabelecimento
de saúde. Existe a conceituação 2.2 que determina
que a “responsabilidade técnica pelo serviço junto
ao órgão da Vigilância Sanitária dos Estados,
Municípios e do Distrito Federal deve ser de técnico com
formação superior na área de saúde e serviço
social”.
No entanto, considerando que as Comunidades Terapêuticas propõem
o tratamento de pacientes dependentes químicos, os quais frequentes
vezes apresentam sintomas de síndrome de abstinência e outras
doenças físicas e psiquiátricas, acredito ser necessária
a presença de profissional médico especializado.
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