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Sou Psicóloga e namoro um dependente químico de cocaína.
Há muito tempo ele é usuário. Quero ter um filho,
mas tenho medo das consequências. Quais as chances de termos um
bebê saudável?
| "O pai da criança deve
imediatamente procurar ajuda médica e psicológica para
cessar o consumo dessa substância. Isso, seguramente, amenizará
quaisquer prejuízos futuros para o seu filho" |
Resposta: De fato, pesquisas
sobre os possíveis efeitos adversos do uso de álcool
e outras drogas pela mãe sobre o feto durante a gravidez têm
vicejado na literatura especializada. Em contraste, o efeito do consumo
dessas substâncias pelo pai sobre o feto, especialmente quando
a mãe não faz uso de substâncias, tem sido menos
investigado na literatura científica. |
| Apesar disso, existem algumas
evidências de que o consumo de substâncias psicoativas
pelo pai, como a cocaína, interfere no desenvolvimento físico,
cognitivo e comportamental dos bebês. |
Alguns estudos têm demonstrado que:
a) Após controlar (nas análises) os efeitos do consumo
de álcool e drogas pela mãe sobre o feto, o consumo de drogas
pelo pai é também significativamente relacionado com prejuízos
no desenvolvimento cognitivo do bebê;
b) Filhos de pai alcoolista e usuários de substâncias
apresentam menores escores em testes de memória, habilidade visuoespacial
e linguagem.
Por mecanismos ainda não plenamente esclarecidos, o consumo excessivo
de bebidas alcoólicas e outras substâncias, como a cocaína/crack,
pelo pai afeta negativamente o feto tanto em termos comportamentais quanto
cognitivos, mesmo quando a mãe não utiliza substâncias.
Prejuízos de memória, linguagem, desempenho acadêmico
e atenção têm sido observados entre filhos de pai
alcoolista.
De fato, é realmente muito difícil formular uma explicação
para essa situação. Alguns autores têm apontado que
os filhos de pai usuário de álcool e/ou outras substâncias,
durante a gestação, sofrem várias influências
ambientais e sociais negativas (estresse da mãe, exposição
da mãe às drogas e inadequado suporte do pai durante a gestação).
Realmente, o fato do genitor fazer uso de cocaína/crack frequentemente
está associado com maior desgaste físico e psicológico
da mãe, maior chance de comportamentos agressivos pelo pai, maior
risco de complicações legais pelo usuário e várias
dificuldades relacionais entre o pai e a mãe. Tudo isso, seguramente,
afeta o período da gestação.
Por outro lado, alguns autores aventam que filhos de pai com dependência
química apresentam maior chance de desenvolver quadro clínico
de dependência química no futuro e, muitas vezes, alterações
comportamentais e cognitivas discretas podem ser vislumbradas na infância.
Outros estudos têm verificado que pais usuários crônicos
de cocaína podem apresentar alguns defeitos nos espermatozóides,
como redução da mobilidade, diminuição da
produção e maior risco de anormalidades morfológicas.
Alguns estudos experimentais, realizado em ratos, têm mostrado que
ratos (machos) que fizeram uso de cocaína cronicamente podem gerar
uma prole com baixo peso e tamanho, além de aumentar o risco de
morte neonatal. Mas, repetindo, esse estudo foi experimental.
Trata-se de assunto bastante vasto, onde inúmeras variáveis
podem interagir em um resultado bastante insatisfatório.
De qualquer forma, a sua preocupação é bastante pertinente,
e se engravidar, você deverá sempre fazer seu acompanhamento
pré-natal de forma adequada. O pai da criança deve imediatamente
procurar ajuda médica e psicológica para cessar o consumo
dessa substância. Isso, seguramente, amenizará quaisquer
prejuízos futuros para o seu filho.
Abaixo, forneço interessante recomendação de leitura
sobre este assunto.
Frank, D. A., Brown, J., Johnson, S., & Cabral, H. (2002). Forgotten
fathers: an exploratory study of mothers' report of drug and alcohol problems
among fathers of urban newborns. Neurotoxicol Teratol, 24(3), 339-47.
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