| "É importante
entender e aceitar que os relacionamentos que teve, ou o relacionamento
que ainda tem, por mais doloroso e destrutivo que seja, pode ser necessário
para seu crescimento e com certeza, poderá trazer muitos aprendizados,
se assim os perceber" |
O que mais percebo nas queixas das pessoas que atendo
no consultório é a tendência a repetir padrões
conhecidos de comportamentos, os quais são repetidos sem a
consciência que isso está ocorrendo. Como isso acontece?
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Alguns padrões de comportamentos aprendemos muito cedo, ainda
em nossa infância e passamos a repetir alguns desses padrões
de comportamentos nos relacionamentos afetivos. Será que muitas
vezes você não agiu em seu relacionamento como aprendeu que
deveria agir e que nem sempre era o que queria de verdade? Será
que o que espera do outro não é muitas vezes aquilo que
não teve em sua infância e por ignorar esse fato, está
sempre buscando relacionamentos que nunca o satisfazem?
A verdade é que tendemos a repetir padrões já conhecidos.
Quais foram os modelos de dar e receber afeto e amor que teve? Muitas
pessoas acreditam que amar é sofrer, ou ainda, por exemplo, quem
teve uma família com brigas constantes, agressões, poderá
repetir esse mesmo padrão de comportamento em sua relação
afetiva, ainda que queira exatamente o contrário. Um exemplo comum
é de quem teve um dos pais alcoólatra e, apesar de não
terem desenvolvido o alcoolismo, pode se relacionar com alguém
também alcoólatra. Outro exemplo é quem teve um pai
ausente, poderá buscar um companheiro tão ausente como o
pai. Quem teve uma mãe autoritária poderá se deparar
com uma esposa com atitudes iguais, apesar dos anos que se passaram.
Mas por que isso acontece?
É como se buscássemos resolver questões que não
conseguimos resolver no passado e assim, as repetimos. Esse processo acontece
de forma inconsciente, por isso nem sempre percebemos facilmente. Tudo
isso pode acontecer com o intuito, inconsciente, de resolver conflitos
do passado e que por não terem sido elaborados e compreendidos,
se repetem para que sejam compreendidos e aceitos. É como se o
inconsciente nos desse a oportunidade de resolver aquilo que enquanto
crianças não tínhamos estruturas para resolver. É
preciso ficar atento, pois nem sempre a situação é
tão fácil de ser identificada como os exemplos acima. Muitas
vezes a situação atual pode se apresentar muito diferente
da original (que aconteceu quando éramos crianças), mas
o sentimento gerado é exatamente igual.
Para quem está buscando um novo relacionamento ou não está
feliz com a relação atual é importante observar alguns
comportamentos que podem ter se tornado padrão com o passar dos
anos, e por necessidades inconscientes, fazer com que repita novamente
o padrão do antigo relacionamento, sofrendo novamente e sequer
percebe.
| Para romper padrões é preciso
identificá-los. Pense um pouco sobre seus relacionamentos mais
significativos ou seus dois últimos. Como começou? Como
acabou? Quais foram os motivos? Consegue perceber algo em comum entre
os últimos relacionamentos? |
Você aceitou uma relação afetiva mesmo estando consciente
de que estava muito distante do que queria? E ainda assim sofre porque
acabou? Ou será que não estava muito mais em contato com
o sonho de como o relacionamento poderia ser, do que com a realidade da
situação? A outra pessoa estava tão interessada que
o relacionamento desse certo como você? O que você encontra
em comum entre aquilo que vivenciou na infância e seu relacionamento
atual? Será que suas atitudes não estão mantendo
um círculo vicioso e destrutivo?
Busque as respostas, mas não para se culpar ou se lamentar, desejando
que tivesse sido diferente. Remoer o passado não vai fazer com
que ele seja modificado. Ficar se lamentando: “Por que isso aconteceu
comigo?” não vai ajudar em nada. Mas entender as causas do
sofrimento poderá fazer com que mude aquilo que depende exclusivamente
de você.
É importante entender e aceitar que os relacionamentos que teve,
ou o relacionamento que ainda tem, por mais doloroso e destrutivo que
seja, pode ser necessário para seu crescimento e com certeza, poderá
trazer muitos aprendizados, se assim os perceber. Responda cada uma das
perguntas sendo sincero consigo mesmo.
Escrever facilita reflexão
Se quiser, escreva sobre isso. Escrever as respostas pode facilitar sua
reflexão. Identifique os sinais de insatisfação e
infelicidade. Muitas vezes há sinais evidentes em nosso próprio
corpo através de sintomas que nos mostram claramente que estamos
sofrendo e que também ignoramos.
Agora volte a atenção para você. Esconder o que estiver
sentindo, evitando pensar, fugindo da realidade, não fará
com que modifique sua maneira de amar e receber amor. Considera-se capaz
e merecedor de ser amado? Se responder que sim sem pensar muito, repense
sobre isso. Muitas vezes gostaríamos de sermos amados, mas nem
sempre nos sentimos merecedores. Examine sua vida, suas expectativas a
respeito do amor. Isso pode levar algum tempo, não se preocupe,
leve o tempo que for necessário. Seja paciente consigo mesmo. Não
julgue nem coloque rótulos em seus sentimentos, mas seja compreensivo.
Só irá entender o que o levou agir da maneira que agiu,
se não for crítico nem se censurar ou punir.
É preciso curar o que precisa ser curado dentro de você.
Esse momento deve ser utilizado de forma a aprender e crescer e não
para continuar a sofrer. Só assim conseguirá realmente curar
o que tanto lhe dói. É isso que irá prepará-lo
para um relacionamento saudável e construtivo, sem agressões,
cobranças, inseguranças, mas com uma constante troca de
amor!
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