| Você evita pensar ou falar
sobre o que sente ou convive com alguém assim? É muito comum
as pessoas não desejarem saber sobre alguns fatos que estão
bem diante delas. Estamos habituados com frases feitas como: “o
que os olhos não vêem o coração não
sente”, ou “pensar dói”, “não quero
nem saber...”, “vamos colocar panos quentes”. Existe
ainda a crença que devemos colocar para debaixo do tapete situações
ou atitudes com as quais não concordamos ou que nos machucam e
por isso mesmo tendemos a fugir, negando o que é óbvio.
Mas quais as conseqüências disso? Muitas!
| "Não coloque o que sente
para debaixo do tapete, pois poderá chegar um momento em que
terá tanta sujeira, que você não conseguirá
sequer mais enxergar o outro na sua frente, e sequer, a si mesmo.
Converse, converse muito sobre tudo, afinal o diálogo é
o que nos faz seres humanos e nos aproxima de quem tanto amamos" |
Em algum momento aquilo que até então
estava escondido pode se manifestar de alguma forma, seja por um sintoma,
doença, acidente, angústia, insegurança, tristeza,
culpa, arrependimento, entre outros. E muitas vezes sequer relacionamos
o fato a situações mal resolvidas e acumuladas ao longo
do tempo. Isso acontece porque ainda que nossa consciência queira
negar, tudo é registrado pelo inconsciente. Ou seja, uma situação
não deixa de existir apenas porque a negamos. |
Quando evitamos a verdade, estamos omitindo de nós mesmos o que
sentimos e nos negando a possibilidade de evitar conflitos futuros, que
com certeza irão existir.
Adiar pode ser prudente, mas deixar pra lá não
Em algumas situações pode até ser mais prudente adiar
a conversa sobre o que aconteceu e como nos sentimos, mas isso não
significa deixar pra lá, como muitas pessoas preferem. Em algum
momento de nossa vida o deixar pra lá vai ressurgir e em geral,
de maneira muito mais intensa, pois irá se somar a muitas outras
situações que também foram deixadas pra lá.
É a famosa última gota que faz tudo transbordar! Transborda
a paciência, tolerância, a raiva, o ressentimento, as mágoas,
podendo comprometer a amizade, admiração, e até o
amor!
Quando somos acusados injustamente por algo que não fizemos é
natural tentarmos nos defender, mas nem sempre fazemos isso, pelos mais
diferentes motivos. Alguns alegam que é para evitar brigas, outros
sentem dificuldade em demonstrar o que sentem diante de alguma situação,
outros ainda querem tanto agradar que nem pensam na possibilidade de dizerem
o que pensam, enfim, no fundo queremos poupar o outro em detrimento de
nosso próprio sofrimento. É justo?
Brigar por tudo não, mas às vezes é preciso
impor limites
Não quero defender a idéia de que devemos brigar por tudo,
mas saber impor limites e nos fazer respeitar quando alguém nos
invade, nos machuca, deve ser entendido como saudável e não
como mais fonte de brigas. Se a briga acontece porque você demonstrou
que não gostou de uma acusação, uma palavra ou gesto
que te ofenderam, na verdade está lidando com uma pessoa imatura
e que não suporta ser contrariada.
Já percebeu que algumas pessoas têm a necessidade de inferiorizar
o outro com brincadeiras inadequadas e desagradáveis? Sabe por
qual motivo agem assim? Em geral para sentirem-se superiores. É
certo com você mesmo agir como se nada houvesse acontecido? E nos
relacionamentos afetivos? Quantas pessoas não sabem nada da vida
do outro? A parte financeira é algo sigiloso até entre os
casais. E sabe o que aconteceu com um casal que conheço? O marido
veio a falecer num acidente e a esposa ficou totalmente perdida e sem
nenhum recurso financeiro, pois nada sabia sobre isso. Quantas histórias
você conhece que aconteceu isso? Se não conhece, saiba que
é muito freqüente.
Outra situação muito comum é de pessoas que buscam
sempre agradar ao outro e cedem em tudo, deixam que o outro escolha a
comida, onde viajar, o filme que irão assistir, e assim, com o
tempo acabam se tornando desconhecidas de si mesmas, sem saber mais o
que gostam. E não é surpresa se o outro deixar de ter a
admiração e atração que tinha por você.
Afinal, onde está aquela pessoa por quem um dia se apaixonou, se
ela se tornou uma extensão dele?
Difícil escolha
Atendi um senhor em meu consultório que durante as férias
sua esposa e os filhos foram viajar e ele ficou. Numa noite foi até
a pizzaria e não sabia qual o sabor da pizza escolher, pois sempre
deixava que a esposa e os filhos decidissem. Inconformado, voltou para
seu carro e decidiu que não voltaria para casa sem escolher aquilo
que queria comer. Demorou quase uma hora, mas conseguiu ouvir a si mesmo
e fazer sua escolha. Depois disso, sempre que vão comprar pizza
ele pede que ao menos dois pedaços sejam com seu recheio preferido.
Parece brincadeira, mas isso mostra o quanto nos perdemos até para
fazermos escolhas tão simples como uma pizza, quem dirá
para outras coisas. Sim, é importante cada um ceder em algumas
situações, mas isso não quer dizer fazer o que agrada
apenas para um. Relacionamento é troca, em todos os sentidos. E
aquelas pessoas que estão sempre fugindo de uma conversa mais séria,
evitam falar o que não gostaram para não machucar o outro
ou evitar maiores aborrecimentos, devem pensar no quanto já estão
machucadas, o quanto estão permitindo serem desrespeitadas, talvez
até porque nunca aprenderam a se respeitar. Pense sobre isso.
Não coloque o que sente para debaixo do tapete, pois poderá
chegar um momento em que terá tanta sujeira, que você não
conseguirá sequer mais enxergar o outro na sua frente, e sequer,
a si mesmo. Converse, converse muito sobre tudo, afinal o diálogo
é o que nos faz seres humanos e nos aproxima de quem tanto amamos.
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