| Semana passada foi preso um agricultor
acusado de estuprar sua filha por dezessete anos, ter vários filhos
com ela, e ainda por cima tentar violentar suas netas de cinco e sete
anos. Está sendo comparado ao austríaco que manteve a filha
em cativeiro violentando-a sistematicamente. Infelizmente esses casos
vão continuar a aparecer, e quando surgem devemos entender que
são apenas a pontinha de um gigantesco iceberg.
| O lado oculto dessa barbaridade é
a força do mais primitivo de todos os programas emocionais:
o sexo! Quando o Ego não é forte o bastante e nem a
sociedade faz o seu papel coercitivo para acuar o mostro devorador,
fatos primitivos como esses devem continuar a acontecer. No caso do
brasileiro, a sociedade simplesmente não existia uma vez que
ele morava no meio da selva isolado de tudo e de todos. Esse é
o ambiente propício para reavivar o homem das cavernas que
habita em cada um de nós. |
Não nos enganemos, temos mais tempo de selvagem do que de civilizado.
Nosso cérebro tem estruturas mais pesadas associadas ao ser primitivo
que fomos do que as delicadas estruturas novas e preparadas para abrigar
o civilizado que queremos ser. Além disso, é claro temos
o danado do carma.
Se o cérebro é o suporte físico (circuito impresso)
o carma é o software gigantesco que acaba controlando as ações.
O programa do sexoé muito poderoso, mais até do que os programas
de sobrevivência, uma vez que o sexo é o programa de sobrevivência
da espécie. Não preciso citar exemplos, ou preciso? Padres
(palavra espanhola para pai) que apesar de tudo, que significa ser padre,
não conseguem controlar seu programa sexual primitivo, são
bons exemplos disso.
Podemos ir adiante e falar da covardia dos pedófilos, da crueldade
dos pais molestadores de filhas, dos estupradores violentos, enfim de
todo um contingente de homens das cavernas modernos que não resistem
aos programas primitivos. Mesmo homens cultos, líderes, exemplos
sociais, podem manter vidas secretas onde o sexo que viola regras é
a regra. Existem várias tragédias quando permitimos que
o primitivo em nós assuma o controle e atropele as regras que tanto
nos esforçamos para estabelecer. A principal delas é justamente
a reação culta que temos como sociedade diante de fatos
assim.
A reação social de indignação e condenação
também se manifesta nas vítimas tornando muito pior para
elas a situação a que foram submetidas. Ou seja, a sociedade
grita e faz o maior alarde possível diante da descoberta de um
crime desse tipo, mas não aumenta os esforços para impedir
que isso aconteça com tanta facilidade. Mas o que podemos fazer
para evitar isso? Perguntaria algum leitor sinceramente interessado. Só
existem duas formas: educação e repressão.
O austríaco que aprisionou a filha era “educado”, mas
não se sentia sob o peso de uma sociedade que estava atenta aos
seus passos. Ao contrário, a cultura onde ele vicejou de certa
forma o incentiva a adotar o mantra: “Tô nem aí. Viva
e deixe viver. Cada um com seus problemas” e vai por aí.
Já o brasileiro, teve a seu “favor” a absoluta ignorância,
a flacidez social (pelo isolamento) e todos os estímulos que um
ambiente selvagem proporciona ao cérebro primitivo. O sofrimento
que isso causa é inimaginável. Toda vez que o primitivo
de alguém volta e age, coloca toda a sociedade em alerta. Isso
nos incomoda exatamente por causa do efeito ressonância. Quando
um monstro primitivo acorda em alguém, ele mexe com os nossos monstros
primitivos que se contorcem no nosso paleo-cérebro.
Educar e reprimir, criar mecanismos sociais de vigilância e de
prontidão para auxiliar a parte mais fraca dessa equação,
deveria ser a maior tarefa da sociedade.
Não podemos contar com os governos, mas apenas conosco mesmos enquanto
força organizada. Cada vez que uma criança chora impotente
diante de um adulto violador, nós damos um passo atrás no
caminho evolutivo.
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