| Comportamento | |||
| Um 'papo amigo' sobre emoções, sentimentos, autoconhecimento, autoestima e psique | |||
| Será que me tornei workaholic? |
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| por Rosemeire Zago |
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É como uma droga, onde são necessárias doses cada vez maiores para se alcançar os mesmos resultados e, como todas as drogas, não consegue mascarar a dor indefinidamente, ainda que a princípio ninguém assuma a presença de alguma dor. Para muitos é um total absurdo sequer pensar que o trabalho excessivo
possa ser um sinal de que esteja fugindo de algo. Não podemos negar
as responsabilidades assumidas, as contas a serem pagas, a competição
acirrada nos grandes centros comercias, mas tudo deve ter um equilíbrio.
E quando a atenção está voltada muito mais para apenas
uma área da vida é preciso reavaliar tudo. Trabalha durante horas, sem interrupção, não apenas para concluir um projeto como acredita, mas para se anestesiar. Quanto mais trabalha, mais precisa trabalhar. A única emoção experimentada é a satisfação temporária que surge com a conclusão de algum projeto, que é logo substituído pela necessidade de realizar alguma outra coisa. Mesmo apesar do cansaço, da fadiga transformando-se em exaustão, estresse, correndo o risco de adoecer gravemente pela sobrecarga, não consegue parar. Trabalhando exaustivamente não há tempo para pensar sobre outras coisas, e principalmente, não há tempo para sentir. Pode atingir tanto homens como mulheres. Os homens em geral se afastam da família, esposa, namorada e filhos. Tudo que possa representar emoções ou entrar em contato com seus verdadeiros sentimentos. Ir para casa cedo e se deparar com uma mulher que irá cobrá-lo por sua ausência ou que quer conversar sobre a relação, poderá fazê-lo entrar em contato com o significado de manter o casamento, assunto o qual não quer falar. Afoga-se em trabalho, chega mais tarde para não ser confrontado e o círculo vicioso se mantém. O mesmo acontece com mulheres, independente de terem uma carreira profissional. Umas trabalham fora e em excesso, outras se ocupam dos cuidados com os filhos, a casa, a ponto de esquecerem que há um casamento, uma vida em comum, uma vida própria, esquecendo-se de si mesmas. A fuga para o trabalho, seja criar os filhos, ficar até tarde no escritório diariamente, sair de um trabalho e entrar em outro, pode ser o seu jeito de permanecer na escuridão de seus sentimentos, pois a atividade excessiva impede de pensar sobre o que sente, pois nunca há tempo para isso. Quem acorda às seis horas da manhã, toma banho, leva os filhos para escola, vai para academia, depois para o trabalho, onde começa uma reunião atrás da outra, e quando bate uma fome pede por telefone um sanduíche que irá comer no mesmo local. Afinal, não há tempo para se alimentar, quem dirá para ligar para casa, saber se todos estão bem e ainda correr o risco do outro lado da linha alguém contar algum problema, nem pensar! Depois que a maioria das pessoas no escritório vão embora, ele continua. Ir para casa e encontrar todos acordados? Ou mesmo quem mora só, ir para casa e ficar sozinho com os próprios sentimentos? Ter silêncio suficiente para ouvir sua própria voz? Para não se correr nenhum risco, o melhor mesmo é ocupar o tempo, o máximo que for possível, fazendo de conta que se está seguro (a) enquanto trabalha, seja com as necessidades dos filhos, da casa, fazendo de cada tarefa uma exigência urgente a ser cumprida, tendo a certeza de que realmente estará seguro (a). Do quê? Para evitar entrar em contato com as insatisfações que algumas das áreas de sua vida proporcionam? Para não enfrentar a dor que determinada situação está lhe causando? Se suspeita ou tem certeza que é um compulsivo no que faz, pergunte-se: - Minhas atividades/projetos são mais importantes do que as pessoas
que amo? Se responder sim a qualquer uma das perguntas acima, explore melhor seus sentimentos em cada área de sua vida. - Como está sua vida afetiva? Está próxima de como
gostaria que estivesse? O que tem feito para isso? Há quanto tempo
não conversam sobre o relacionamento ou expressa o que sente verdadeiramente? Depois de toda essa reflexão é bem provável que perceba que nem tudo está como gostaria que estivesse, mas é preciso ter consciência que enquanto continuar fugindo, tudo permanecerá como está e nada mudará. Se for assim que quer passar os próximos anos de sua vida, mantenha tudo igual. Mas se dentro de você algo lhe clama por ser mais feliz, pare de fugir, permita-se ter mais tempo para saber o que sente e por que sente. Perceba que sua vida pode ser muito mais do que se envolver em atividades de modo compulsivo. Quanto mais fugir, mais estará adiando esse momento. |
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