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Meu marido encontra-se internado pela segunda vez em uma 'fazendinha':
instituição que propõe um tratamento somente espiritual
e sem nenhum
acompanhamento médico para recuperação de drogas
e álcool. Ele é usuário de cocaína e álcool.
Gostaria de saber se esse tipo de tratamento
tem bons resultados, ou que tipo de profissional devemos procurar?
| "Se o seu marido se adaptou
ao programa de tratamento proposto e acredita que possa lhe trazer
benefícios, isso já é um grande passo. Mas como
essa é a segunda internação, uma avaliação
realizada por profissional especializado pode ser importante para
sua recuperação" |
Resposta: Ao contrário
de outras abordagens terapêuticas (convencionais e não
convencionais) serem intensivamente avaliadas e pesquisadas para o
tratamento das dependências químicas, os programas religiosamente
orientados não têm sido adequadamente cobertos na literatura
científica. |
Claramente, nem todos os portadores de dependências químicas
são satisfatoriamente atingidos com os programas religiosamente
orientados; da mesma forma, como muitos dependentes de substâncias
falham em obter sucesso através das técnicas tradicionais.
Dessa maneira, os manejos religiosamente orientados precisam receber maior
atenção de pesquisadores, objetivando avaliar a efetividade
dos métodos empregados de forma adequada e rigorosa.
É importante ressaltar que os manejos religiosamente orientados
parecem ser mais efetivos entre aqueles indivíduos previamente
bastante religiosos. As tradições religiosas lembram-nos,
muitas vezes, que os indivíduos devem assumir sacrifícios,
respeitar disciplinas e promover a exaltação espiritual
e moral, com o objetivo de se atingir a dignidade, a liberdade e o "renascimento".
Dentre os vários sistemas de crenças dessas propostas de
abordagem, destacamos:
a) Ideia de "renascimento". Essa ideia pode ser interessante
para algumas pessoas, com a perspectiva de adquirir uma "vida limpa",
"sem drogas";
b) Ideia da "conversão". Muitas vezes, essa idéia
implica a necessidade de redirecionar os objetivos da vida, mudando completamente
o foco. No entanto, existem críticas pertinentes contra algumas
formas de manejo que pregam apenas o acompanhamento religioso.
Cito algumas:
a) Não identificação da necessidade de atendimento
médico para determinados sintomas físicos e psíquicos;
b) Proposta de práticas punitivas como uma forma de "purificação".
Certamente, a grande maioria dos programas não realiza formas de
abordagem punitivas, mas existem relatos na literatura sobre essas práticas
que devem ser peremptoriamente rejeitadas;
c) Não manutenção de estreito contato com
a evolução do conhecimento científico.
Se o seu marido se adaptou ao programa de tratamento proposto e acredita
que possa lhe trazer benefícios, isso já é um grande
passo.
No entanto, como essa é a segunda internação, creio
que também uma avaliação realizada por profissional
especializado possa ser importante ingrediente na sua recuperação.
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