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por Danilo Baltieri
"Jovens ansiosos, deprimidos,
hiperativos, com características de grande busca por novidade
e, com dificuldades de evitar riscos, estão em maior risco
de consumo regular e pesado de bebidas em idade precoce" |
Este é o primeiro texto de
uma série de quatro sobre o consumo de álcool entre
jovens.
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O alcool é a droga de escolha entre muitos adolescentes e a média
de idade para o início do consumo tem sido mais baixa através
do tempo.
Enquanto em 2003, a média de idade para o início do consumo
era de 14 anos, em 1965 a média do início do consumo era
de 17 anos. Quanto mais cedo é o início do consumo de bebidas
alcoólicas, mais precoces são as complicações
sociais, educacionais relacionadas à saúde nessa população.
Segundo dados do I Levantamento Domiciliar Sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas
no Brasil realizado em 2001, 48,3% dos jovens de 12-17 anos já
fizeram uso na vida de álcool, ao passo que esse número
atinge 73,2% dos jovens de 18-24 anos. Segundo o mesmo estudo, 5,2% e
15,5 % dos jovens de 12-17 anos e 18-24 anos, respectivamente, são
dependentes de álcool.
No ano de 2005, com a realização do II Levantamento
Domiciliar no Brasil, os autores constataram que o uso de álcool
por jovens de 12-17 anos e de 18-24 anos foi de, respectivamente, 54,3%
e 78,6% ao passo que a dependência dessa substância nesses
mesmos grupos etários foi de 7,0% e de 19,2%, respectivamente.
Além do consumo de bebidas alcoólicas ser cada vez mais
precoce, tem-se reconhecido que muitos adolescentes que bebem costumam
beber pesadamente, comumente ingerindo cerca de 70 gramas de álcool
(equivalem a umas 5 latas de cerveja) ou mais por ocasião de consumo
de bebida.
Embora a diferença entre os gêneros tenha se mantido, com
jovens do gênero masculino consumindo mais frequentemente e pesadamente
álcool do que as do gênero feminino, essa disparidade tem
se tornado cada vez menor.
Garotos e garotas têm as mesmas motivações
para beber
De fato, algumas evidências apontam que os motivos atribuídos
pelos jovens de ambos os gêneros para consumir bebidas alcoólicas
têm sido muito parecidos.
Motivações:
- Pressão de pares;
- Necessidade de perder as inibições e aproveitar mais o
tempo;
- Vontade de ficar “alto”.
Essas são as três principais razões entre homens e
mulheres jovens para fazer uso de bebidas. Também, correntemente
jovens de ambos os gêneros frequentam os mesmos ambientes, são
menos sujeitos às críticas devido a comportamentos relacionados
ao beber, sustentam crenças mais liberais e assumem plena igualdade
de posições.
Ser adolescente é um fator de risco
À medida que as crianças se desenvolvem para a fase da adolescência,
múltiplas modificações físicas, psicológicas
e de estilo de vida acontecem. Transições no desenvolvimento
têm sido associadas com o recrudescimento ou mesmo início
do consumo de álcool, o que também tem sido visto na transição
para a terceira idade. De qualquer forma, simplesmente o fato de ser um
adolescente, pode ser considerado um fator de risco estático tanto
para o início do consumo de bebidas alcoólicas quanto para
o consumo pesado delas.
Principais fatores relacionados à experimentação
precoce de bebidas alcoólicas:
1º) Tomada de risco
As conexões cerebrais estão em contínuo desenvolvimento
nessa fase da vida, e a busca por estímulos ou sensações
tem sido associada com esse fato. Para alguns adolescentes, a busca intensa
por excitação ou estímulos pode incluir a experimentação
de bebidas alcoólicas e as atividades associadas com esse uso.
Segundo pesquisas populacionais, quanto mais precoce é o consumo
regular de bebidas alcoólicas, mais cedo é o início
da vida sexual, menor é o tempo dedicado aos estudos, e mais frequente
é a experimentação de outras substâncias. Modificações
no desenvolvimento físico, incluindo hormonais e cerebrais, podem
estar relacionadas com o comportamento muitas vezes impulsivo de adolescentes.
2º) Expectativas
O modo como as pessoas enxergam o consumo de bebidas alcoólicas
e seus efeitos influencia o padrão de uso. Um adolescente que espera
que, ao beber, sinta-se mais descontraído, sociável, desejável
em determinado grupo, fará o uso. Crenças sobre o álcool
e seus efeitos são estabelecidas antes mesmo da adolescência.
Comumente, antes dos 9 anos de idade, a criança tem crenças
negativas a respeito do uso de bebidas; entretanto, depois dos 12 anos
essas crenças mudam.
3º) Sensibilidade e tolerância ao álcool
Diferenças entre o cérebro de um adulto e de um adolescente
podem explicar, pelo menos parcialmente, porque jovens conseguem consumir
doses bastante altas de bebidas alcoólicas quando comparado a adultos.
Também, experiências novas, influência de pares, expectativas
positivas diante desse uso colaboram intensamente para o desenvolvimento
de tolerância;
4º) Características de personalidade e presença
de transtornos mentais
Jovens ansiosos, deprimidos, hiperativos, com características de
grande busca por novidade e, com dificuldades de evitar riscos, estão
em maior risco de consumo regular e pesado de bebidas em idade precoce;
5º) Fatores hereditários
Ser filho de alcoolista ou ter vários membros familiares portadores
de alcoolismo coloca os jovens em maior risco de desenvolver problemas
com o uso de bebidas. Filhos de alcoolistas têm risco de 4 a 10
vezes maior para manifestarem problemas com o uso de bebidas, quando comparados
a jovens sem antecedentes familiares de problemas com o consumo de álcool.
Também, mais recentemente, alguns genes têm sido relacionados
com o desenvolvimento do alcoolismo e de comportamentos nocivos relacionados
ao consumo de bebidas;
6º) Influência ambiental
Certamente, fatores genéticos sozinhos não explicam o desenvolvimento
do comportamento nocivo em relação ao álcool. Influência
dos colegas ou pares e pais que mantêm uma visão positiva
sobre o consumo de bebidas influenciarão o uso de álcool
pelos filhos.
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