Nuno Cobra - dicas para a sua qualidade de vida

Copa do Mundo 2006
Fator emocional positivo é a melhor 'tática'

Por Nuno Cobra

Nunca houve tanta unanimidade em relação à possibilidade do Brasil vencer uma Copa do Mundo, como essa na Alemanha. Parece até que já estamos com a sexta estrela na camisa. Se isso chegar aos atletas da Seleção, teremos desenhado a primeira derrota. Cabe aos dirigentes tirar da Seleção, o peso da responsabilidade de vencer, pois isso tem um efeito emocional muito negativo. Os jogadores devem entrar em campo fortes, resolvidos e decididos a darem o máximo de si. O resto virá como conseqüência natural de um jogo solto, consistente e efetivo.  

Em esporte de alta competição como a Copa do Mundo, não se pode bobear com o adversário nem por uma fração de segundo, porque quando o subestimamos,  ele avança célere no marcador. E necessária extrema capacidade de concentração, se fixando absolutamente em cada instante dos 90 minutos.

Se essas regras não forem seguidas e, o salto alto 'sapatear', todos que jogarem com o Brasil, terão grandes chances de ter um desempenho vinte vezes mais poderoso, porque foi tirado deles a responsabilidade de vencer. Numa competição desse nível, depois da boa forma física, o fator emocional é o mais importante. 

Isso é muito comum no tênis. Quem é colocado entre os primeiros no ranking mundial, passa a ter muita dificuldade em vencer aqueles que estão na trigésima ou quadragésima colocação.    Isso porque os ‘retardatários’ crescem demasiado na sua performance; sentem-se  ‘obrigados’ a dar tudo ou um pouco mais para vencer. 

Para que isso não ocorra com o Brasil na Copa, é necessário um sólido trabalho com o 'corpo emociona' de cada jogador, ressaltando e conscientizando cada um sobre seus talentos especiais, o que cada um tem de melhor. Principalmente no caso do Ronaldo - o fenômeno - primeiro as bolhas no pé e agora a febre.

Numa Copa do Mundo, assim como em qualquer campeonato mundial, a primeira vitória do atleta é sobre ele mesmo, no caso da Seleção a primeira tem que ser sobre a própria Seleção. Aí sim, poderemos nos dispor a vencer os outros adversários ou mesmo uma seleção com os melhores do mundo.

Mas o fato do Brasil ser favorito, não amedronta seus adversários?   

Não é assim que funciona. É claro que todas as seleções quando entrarem em campo contra o Brasil, vão ter aquele frisson de sentir o peso do combate, principalmente nos primeiros momentos do jogo. Mas fisiologicamente isso passa, porque o adversário usará toda a sua função metabólica na agressão das suas passadas e isso dissipará o medo e ficará apenas a vontade férrea de vencer os invencíveis.

É muito importante o Brasil entrar com tudo, correndo muito e se esforçando ao máximo para também dissipar fisiologicamente essa ansiedade pré-competição.

Caberá ao Brasil se emocionar diante do espetáculo. Se o Brasil entrar em campo buscando um jogo controlado, frio,  'estudioso', burocrático e esquematizado, sem ímpeto de decisão, terá perdido sua melhor chance de arrefecer o adversário. Esse poderá crescer e isso poderá ocorrer na medida exata em que a emoção for substituída pela burocracia tática. 

O pior mal do esporte de alta competição e intelectualizar os movimentos.  Se o jogo partir para o raciocínio, esse estará se distanciando da voz profunda do coração de todos os excelentes jogadores brasileiros.    

Jogadas que definem o jogo são frutos da emoção    

Nos momentos em que os jogadores se emocionam positivamente com o combate e deixam completamente de raciocinar, saem os lances feéricos e magistrais, conseguindo por instantes relâmpagos, jogadas  que definem o jogo.  

Com essa emoção positiva esperamos que o jogador brasileiro - talentoso, dedicado e criativo  - pise no gramado em todos os jogos da Copa.  Emoção é a base fundamental da vitória.

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Nuno Cobra é formado pela Escola de Educação Física de São Carlos e pós-graduado pela Universidade de São Paulo. Foi preparador físico de Ayrton Senna, Mika Hakkinen, Rubens Barrichello, Abílio Diniz entre outros. É autor do best-seller A Semente da Vitória
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