Oriente-se pela psicologia e cultive sua auto-estima

Por Rosemeire Zago - Sente-se infeliz? Podem ser as falsas crenças vindas da infância
O modo como fomos tratados quando crianças pequenas é o modo como nos trataremos pelo resto da vida
Alice Miller



Rosemeire Zago

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Todos nós temos dois aspectos em nossa personalidade: o Adulto e a Criança. Quando estas duas dimensões estão conectadas e trabalhando juntas, registramos uma sensação interna de paz, de totalidade. Quando não estão conectadas por terem sido feridas ou abandonadas, a sensação é de conflito, vazio e solidão.

Quem não foi valorizado quando criança, sentirá dificuldade em perceber a existência dessa criança dentro de si. Mas quando se entende a importância que é reconhecer a existência dessa criança ferida e abandonada dentro de você, se torna possível valorizar a Criança para conseguir se tornar inteiro.

A Criança Interior tem uma ampla variação de emoções: alegria, dor, felicidade, tristeza. Ela funciona na modalidade do hemisfério cerebral direito, ou seja, ela é o ser, sentir, vivenciar, é pura emoção. O Adulto funciona na modalidade do hemisfério cerebral esquerdo, ou seja, é o fazer, pensar e agir, é a razão.

"Fazer" relaciona-se com o mundo externo, enquanto "ser" refere-se ao nível interno, emocional e espiritual. Fazer é a experiência externa e o ser é a interna. Cabe ao Adulto iniciar a tarefa de refazer de maneira amorosa as etapas das necessidades não satisfeitas da Criança, de curar as antigas feridas e mágoas e substituir as falsas crenças com a verdade.

Falsas crenças assimiladas na infância

- Não sinta, não fale de seus sentimentos
- Não pense, não tome decisões, você não sabe o que é melhor
- Seja sempre bonzinho, perfeito e forte
- Não seja quem você é
- Não seja egoísta, nunca se coloque em primeiro lugar
- Não diga o que quer, pensa ou precisa
- Nunca diga não, não imponha limites
- Cuide sempre dos outros
- Não confie em determinadas pessoas, nem na Força Superior, nem em você
- Demonstre sempre estar bem, independente do que esteja sentindo

Reflita se essas crenças existem em sua vida. Preste atenção no seu diálogo interno, que acontece inconscientemente o tempo todo, ou seja, sem que você perceba, talvez possa estar repetindo palavras semelhantes àquelas que ouvia na infância, pelas pessoas mais importantes de sua vida. Assim, continuamos quando adultos a repetir as mesmas falsas crenças que marcam nossa vida, como:

- Não posso ser feliz, não consigo ficar feliz, ficar feliz é egoísmo e, portanto, errado
- Não consigo cuidar de mim
- Não consigo enfrentar a dor, especialmente a da rejeição e do abandono, nem a da minha solidão;
- Os outros são responsáveis por meus sentimentos
- No fundo eu não tenho valor, sou errado, não mereço ser amado
- Não sou capaz de conseguir sozinho.

Enquanto existir essas ou outras crenças falsas, não conseguirá ser amoroso com sua Criança, assim como não foram com você no passado. Quando os pais e outros adultos rejeitam a criança, fazem-na sentir vergonha por aquilo que ela é ou abusam dessa criança durante a infância. A dor desse abandono é tão insuportável, que o Adulto Interior se desliga da Criança Interior para não sentir essa dor.

A Criança Interior abandonada está quase sempre com medo de estar errada, porque acredita ter sido esse o motivo de a rejeitarem, podendo desenvolver a necessidade de ser perfeita. O perfeccionismo e o medo de estar errada podem ser sintomas da desconexão interna entre o Adulto e a Criança. Ao se sentir sozinha para enfrentar a solidão do abandono externo, pode ainda desenvolver vários vícios com o intuito de preencher esse vazio. Pode procurar substâncias como álcool, drogas, comida, ou pessoas, criando uma dependência para preencher seu vazio. E como fuga da dor causada, pela solidão interna e externa, pode ainda desenvolver a necessidade de controlar os outros como forma de obter amor.

A Criança ferida contamina a vida do Adulto, que pode vir como uma depressão, sentida também como um grande vazio, onde está sempre se lamentando pela perda do verdadeiro eu. Esse vazio pode levar ao sentimento de solidão, porque nunca somos quem somos, nunca estamos realmente presentes. A depressão pode vir pelo fato da criança ter de se adaptar a um falso eu, abandonando seu verdadeiro eu. É como se esse abandono do verdadeiro eu criasse um espaço interior vazio, onde se perde contato com seus verdadeiros sentimentos, carências e desejos. Ter um falso eu, é viver representando, onde o verdadeiro eu nunca está presente.

A sensação de ter valor - sou uma pessoa de valor - que é a base da auto-estima, é essencial à saúde mental. Quando a pessoa se sente valiosa cuidará de si mesma de todas as maneiras que forem necessárias e não se submeterá a ser maltratada por ninguém.

Procure analisar se algumas dessas crenças ainda existem em você e se continuam a interferir em sua vida, pois conforme conseguir ir se conscientizando de cada uma delas, mais fácil será encontrar-se com quem você é de verdade.

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semeire Zago
é psicóloga clínica com abordagem junguiana. Mais informações - clique aqui