| O céu é o limite! Para
quem? Não para o sistema capitalista-consumista.
O desejo de comprar tornou-se o sentido de vida do ser humano.
A velocidade das propagandas na mídia invade sem escrúpulos
até mesmo o universo infantil. É a mais pura demonstração
do descontrole total da sociedade em relação à educação
no Brasil.
Atualmente, as crianças passam mais tempo de suas vidas diante
da TV do que em qualquer outra atividade. São reféns da
mídia, posto que seus desejos são impostos pelos produtos
que ‘devem’ ser adquiridos para que possam fazer parte do
grupo ‘feliz’ da sociedade.
| Outro dia, tive uma experiência estonteante
ao ver um grupo de crianças dizendo que elas preferiam comprar
a brincar. Fiquei estarrecida e, ao mesmo tempo, triste, pois vi a
infância ser trocada, literalmente, por objetos sem significado. |
TV, shopping, dinheiro, fama, status, beleza, nada disso fazia parte
do universo da criança. Mas hoje, esses dados são importantes
para esvaziar a infância das mesmas.
O que fizeram à nossa preciosa esperança?
A mídia criou novas subjetividades, novos valores, uma nova infância,
a da criança vazia. E os pais, perdidos, tornam-se cúmplices
de tais atos.
Cria-se assim uma criança que teme o contato, uma pessoinha que
exige coisas para ser feliz, um adulto-mirim que negocia com seus pais
o direito a ter objetos ao invés de afetos. E então, vemos
crianças sofrendo de depressão, praticando bullying. Meninos
e meninas que se expõem no orkut de maneira sensual, fingindo ter
18 anos e conversado com pedófilos.
Onde está a infância? Onde está a criança?
Onde está o futuro?
Socorro! Salvem os que ainda estão por vir, que verão a
nossa descendência ser engolida pelos titãs mediados pela
TV, pela internet e pelos vendedores de felicidade.
Retirem da barriga do lobo as vovozinhas que ainda contam fábulas
ingênuas para que as futuras crianças tenham apenas medo
do bicho-papão, e que voltem a sonhar em ser mocinhas ou príncipes
que vencem dragões.
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