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por
Sandra Vasques
Além
do mais, eu e meu marido trabalhamos e ele faz faculdade. No final do
dia não estou disposta para a transa. Moramos com meus pais e nossa
privacidade fica prejudicada.
| "É preciso perceber
os pensamentos e emoções que existem em relação
ao sexo para também entender as atitudes frente a ele" |
Resposta:
Sexo bom e gostoso precisa de tempo, lugar, disposição
pessoal e do casal. As pessoas reservam tempo para comer, trabalhar,
tomar banho, ir ao banco, dentre outras atividades, mas não
para o sexo. |
É difícil encontrar alguém que realmente
perceba o sexo como uma atividade que faz parte da vida, que é
importante, e que, portanto precisa ser planejado, executado e sempre
avaliado e melhorado. As pessoas inventam receitas novas de comida, procuram
acessórios modernos para o carro, marcam hora para ir ao cabeleireiro,
ao médico, não abrem mão do happy hour, o futebol,
mas e o sexo?
Sim, existe uma dificuldade importante de falar sobre sexo, de planejar,
de assumir que se deseja e de um jeito bem feito e bem cuidado, de investir
para melhorar, para transformar o que não está bom. E essa
dificuldade existe, porque sexo ainda é vítima de muito
preconceito e medos. Assumir que gosta de sexo perante si mesma pode fazer
a pessoa se sentir promíscua, leviana, culpada. E assumir perante
outras pessoas, é mais complicado ainda, pelo medo dos julgamentos,
perder o respeito, ser desvalorizada. E assim, as dificuldades vão
aparecendo.
Vamos olhar para o problema apresentado. Os dois trabalham, o marido faz
faculdade. Os dois cansados no final do dia, e pelo jeito, não
só sem disposição para transar, mas até para
conversar, conviver. Isso afasta. Então, o que fazer? Primeiro,
deve haver compreensão da realidade e um não deve responsabilizar
e brigar com o outro pelo que não acontece. Foi uma escolha, trabalhar
e estudar, que pelo jeito vocês fizeram porque acreditam que pode
ser importante para a vida do casal. E isso traz consequências que
precisam ser administradas pelos dois, para prejudicar o menos possível
o relacionamento. Então, seu marido precisa entender que não
dá para querer que você esteja sempre acordada quando ele
chega e disposta para, dentre outras coisas, a transa. E você pode
procurar, em outros dias, chegar do trabalho e descansar, para que quando
ele chegue você tenha mais disposição para dentre
outras coisas, transar.
Mas para isso, você vai precisar considerar que o sexo é
algo bom e desejável. Pense o que acha de fazer sexo, é
gostoso, algo que realmente te deixa de bem com a vida? Você diz
que mora com seus pais e a privacidade fica prejudicada. Mas se seus pais
sabem que vocês estão casados, é esperado que eles
saibam que vocês transam e precisam de espaço para ficar
à vontade e desfrutar da intimidade da relação. Será
que eles são invasivos e precisam de uma conversa a fim de que
mudem o comportamento, será que é preciso definir um espaço
mais reservado para que vocês fiquem realmente a dois? Ou será
que eles respeitam vocês como casal, mas é você que
não se sente bem transando na casa de seus pais?
É preciso perceber os pensamentos e emoções que existem
em relação ao sexo para também entender as atitudes
frente a ele. E seu marido? Você diz que o sexo é muito rápido.
A culpa é mesmo do local em que moram ou será que vocês
têm dificuldade de conversar um com o outro sobre o que e como gostam
e daí tudo é feito como se a necessidade fosse apenas de
cumprir uma obrigação, que nem é tão interessante
e estimulante assim!?
| Para um sexo gostoso, é preciso namorar,
ter tempo de trocar alguns carinhos, carícias, olhares, palavras,
que estimulem as fantasias um do outro, ou seja, que preparem um ao
outro, excitem, para então partir para a penetração
e o orgasmo. Rapidinho, o sexo só será bom, só
se for dentro de uma história muito excitante e que sirva de
supercombustível para excitar rapidamente e propiciar o prazer.
Do contrário, rapidinho é sinal de que alguém
saiu insatisfeito. E insatisfação contínua faz
com que a gente não queira mais viver o que é motivo
da mesma. |
Quando duas pessoas se amam e querem ficar juntas, mas
se deparam com um problema, é preciso pensar no que é preciso
mudar pessoalmente, e também como casal, na forma de se relacionar.
Mas essas mudanças devem ser algo bom e desejável para os
dois, não pode significar um peso, uma perda, pois senão
as mudanças não vão acontecer, ou mesmo que aconteçam,
o problema vai voltar.
Avaliem o que é preciso mudar, não só em relação
ao sexo, mas em relação à maneira como vocês
organizaram a vida de vocês. Se vocês acham que vale a pena
investir para resolver o que os afasta, façam isso com determinação
e alegria.
Para o que não puder ser mudado no momento, será necessária
compreensão. Mas não abram mão de viverem mais momentos
de prazer juntos. Afinal, isso vai uni-los e deixa-los fortalecidos. E
mais, lembrem-se que os momentos que deixamos de viver não voltam
atrás.
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se caracterizam como sendo um atendimento |