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O que é alcoolismo?
por Joel Rennó Jr.


Resposta: O alcoolismo é o conjunto de problemas relacionados ao consumo excessivo e prolongado de álcool. É entendido como o vício de ingestão excessiva e regular de bebidas alcoólicas e todas as conseqüências decorrentes. O alcoolismo é, portanto, um conjunto de diagnósticos. Dentro do alcoolismo existe a dependência, a abstinência, o abuso (uso excessivo, porém não continuado), intoxicação por álcool (embriaguez). Síndromes amnéstica (perdas restritas de memória), demencial, alucinatória, delirante e de humor. Distúrbios de ansiedade, sexuais, do sono e distúrbios inespecíficos. Por fim o delirium tremens, que pode ser fatal.

Assim, o alcoolismo é um termo genérico que indica algum problema, mas medicamente para maior precisão, é necessário apontar qual ou quais distúrbios estão presentes, pois geralmente há mais de um.

*www.al-anon.org.br

Qual é o melhor caminho para o tratamento do alcoolismo? Seria os Alcoólicos Anônimos? Como sei se já sou um alcoólatra?

Resposta: Quando o assunto envolve um tema tão amplo e complexo como o alcoolismo, não há soluções simplistas. Todas as formas de ajuda, incluindo o A.A, são válidas. Tais grupos de auto-ajuda, em conjunto com tratamentos específicos na área de saúde mental (consultas com psiquiatras e psicólogos) melhoram as chances de sucesso. Os familiares também precisam de muita ajuda, o Al-Anon também é excelente neste sentido.

Quando o comportamento de beber começa a estreitar o repertório de vida das pessoas, ou seja, prejudica-as em suas relações pessoais, profissionais e familiares, já que grande parte do tempo ficam dedicadas ao ato de beber e também ao tempo necessário para lidar com conseqüências negativas do mesmo, as pessoas devem procurar ajuda. Apesar dos inúmeros prejuízos gerados (físicos e psíquicos), os alcoolistas não conseguem cessar o uso do álcool, negando ou minimizando tais prejuízos nítidos. Sintomas de abstinência como tremores, agitação, irritabilidade, depressão, insônia, e em casos graves, até convulsões, podem ocorrer no dependente químico. Nessas ocasiões o álcool é utilizado no alívio de tais sintomas. Doses cada vez maiores são necessárias para obtenção dos efeitos desejados, o que denominamos de tolerância. São apenas alguns dos indícios de que a pessoa precisa procurar de forma urgente ajuda médica e psicológica.

As mulheres são mais vulneráveis ao álcool que os homens?

Resposta: Aparentemente, as mulheres são mais vulneráveis sim. Elas atingem concentrações sangüíneas de álcool mais altas com as mesmas doses, quando comparadas aos homens. Parece também que sob a mesma carga de álcool os órgãos das mulheres são mais prejudicados do que o dos homens. A idade onde se encontra a maior incidência de alcoolismo feminino está entre 26 e 34 anos, principalmente entre mulheres separadas. Se a separação foi causa ou efeito do alcoolismo isto ainda não está claro. As conseqüências do alcoolismo sobre os órgãos são diferentes nas mulheres: elas estão mais sujeitas a cirrose hepática do que o homem. Alguns estudos mostram que o consumo moderado de álcool diário pode aumentar as chances de câncer de mama. Um drink por dia não afeta a incidência desse câncer.

Em termos psicológicos, o que pode ocorrer com os filhos de alcoólatras?

Resposta: Milhões de crianças e adolescentes convivem com algum parente alcoólatra no Brasil. As estatísticas mostram que eles estarão mais sujeitos a problemas emocionais e psiquiátricos do que a população desta faixa etária não exposta ao problema, o que de forma alguma significa que todos eles serão afetados. Na verdade, 59% não desenvolvem nenhum problema. O primeiro problema que podemos citar é a baixa auto-estima e auto-imagem com conseqüentes repercussões negativas sobre o rendimento escolar e demais áreas do funcionamento mental, inclusive em testes de QI. Esses adolescentes e crianças tendem, quando examinados, a subestimarem suas próprias capacidades e qualidades. Outros problemas comuns em filhos e parentes de alcoólatras são a persistência em mentiras, roubo, conflitos e brigas com colegas, delinqüência e problemas no colégio.

O alcoolismo é genético?

Resposta: Esta pergunta vem sendo mais bem estudada nas últimas décadas através de estudos com gêmeos, e será mais aprofundada com o projeto genoma. A influência familiar do alcoolismo é um fato já conhecido e aceito. O que se pergunta é se o alcoolismo ocorre por influência do convívio ou por influência genética. Para responder a esta pergunta, a melhor maneira é a verificação prática da influência, o que pode ser feito estudando os filhos dos alcoólatras. Estudos como esses podem investigar os gêmeos monozigóticos (idênticos) e os dizigóticos. Constatou-se que quando um dos gêmeos idênticos se torna alcoólatra o irmão se torna mais freqüentemente alcoólatra do que os irmãos gêmeos não idênticos. Essa constatação mostra a influência genética real, mas não explica por que, mesmo tendo os "genes do alcoolismo", uma pessoa não se torna alcoólatra. Os estudos familiares mostraram que a participação genética é inegável, mas apenas parcial, os demais fatores que levam ao desenvolvimento do alcoolismo não estão suficientemente claros.

ATENÇÃO

As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

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Joel Rennó Jr.
Doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein-SP (HIAE)
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