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Depressão de difícil tratamento
por Joel Rennó Jr.

Minha cunhada apresenta há três anos um quadro de depressão sem nenhuma melhora. Mudou de psiquiatra, psicoterapeuta e nada. Sua tendência suicida esta preocupando toda a família que não sabe mais o que fazer.

Resposta: Entendo muito a sua preocupação. Infelizmente, é impossível fazer uma avaliação da gravidade do quadro clínico dela, sem tê-la avaliado, sem conhecer sua história completa de vida, seus vínculos afetivos e a sua estrutura de personalidade. O histórico dela e os antecedentes familiares de doença depressiva são fatores que indicam uma possível gravidade maior para seu quadro de depressão, iniciado na adolescência.

Cerca de 35% dos pacientes com depressões graves podem não responder aos antidepressivos atualizados. São as depressões resistentes aos tratamentos. Há outras alternativas terapêuticas, não medicamentosas, para quadros mais graves como a ECT (eletroconvulsoterapia), a estimulação magnética transcraniana e o novo marcapasso para a depressão (vide entrevista do Vya Estelar - clique aqui e leia).

Talvez, a ida a um meio acadêmico, dentro de um ambulatório especializado como o GRUDA, Grupo de Distúrbios Afetivos do Instituto de Psiquiatria do HC - (11) 3069-6648 - seja importante para uma melhor avaliação. Outra opção é entrar em contato com a ABRATA, um excelente grupo de auto-ajuda para os pacientes deprimidos (www.abrata.org.br ). Quando a pessoa tem uma depressão grave, dificilmente, estímulos positivos modificam o seu comportamento. Neste aspecto, uma psicoterapia de base cognitivo-comportamental pode ser bastante valiosa também.

Menopausa e depressão
Tenho 46 anos, apresento irregularidades menstruais. Às vezes fico três meses sem menstruar e tenho tido insônia, mau-humor e irritabilidade há cerca de 6 meses. O que eu estou sentindo pode ter a ver com o a menopausa?

Resposta: As flutuações na produção de hormônios, principal característica da perimenopausa, têm tudo a ver com as alterações emocionais que as mulheres experimentam nessa fase, e que interferem na libido e pode trazer problemas cognitivos, de memória, etc. Não que os hormônios sejam responsáveis pelo quadro de ansiedade e depressão, diretamente. O que se supõe, com base nos estudos conhecidos, é que algumas mulheres têm sua "química" cerebral mais suscetível às oscilações da produção de estrogênios e progesterona, que são inevitáveis ao longo de sua vida reprodutiva e mais ainda na época da menopausa. É nessa hora que ginecologistas e psiquiatras devem trabalhar juntos para melhorar a qualidade de vida da mulher, com a ajuda de terapias hormonais e não-hormonais, dependendo do caso.

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Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

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Joel Rennó Jr.
Doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein-SP (HIAE)
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