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Síndrome do pânico tem cura ou controle?
por Joel Rennó Jr.

Gostaria de saber se a síndrome do pânico tem cura, ou apenas controle, pois sofro deste mal há 10 anos.

Resposta: Em saúde mental, o conceito de cura é diferente. Aqui, cura significa devolver ao paciente a qualidade de vida. Todos os transtornos mentais têm os sintomas controlados pelos medicamentos e grande parte deles é crônica. Os medicamentos antidepressivos não causam dependência. Já os benzodiazepínicos ('calmantes') podem causar, caso não sejam administrados com critério pelo psiquiatra.

Geralmente, ninguém fala que fica dependente de um antihipertensivo (para tratamento da hipertensão arterial) ou hipoglicemiante oral (para o tratamento do diabete melito). Porém, quando o assunto envolve o sistema nervoso central, com informações ainda distorcidas, as pessoas costumam ficar assustadas ou preocupadas. Ter autonomia é estar bem, independente de estar tomando ou não medicamentos. O que não pode haver é a automedicação. A psicoterapia também é muito importante para ajudar os pacientes a controlarem os sintomas de pânico quando eles ocorrerem. Com o tratamento correto, a melhora ocorrerá.

Gostaria de saber a relação da depressão com o ganho de peso e excesso de sono

Resposta: A depressão pode afetar o peso porque as pessoas deprimidas não têm energia, motivação ou ânimo para praticar atividades físicas regulares. Geralmente, ficam em um estado de inércia. Alguns pacientes deprimidos podem apresentar, por exemplo, as conhecidas "comorbidades", ou seja, associações com outros transtornos psiquiátricos como a compulsão alimentar que pode aumentar também o peso. Por fim, alguns antidepressivos e ansiolíticos, medicamentos freqüentemente utilizados, podem aumentar o peso das pessoas. É importante também uma avaliação clínica rigorosa do deprimido, já que alguns quadros de depressão podem ser secundários a alterações da tireóide (hipotireoidismo) que, por si só, também aumenta o peso.

O consumo de bebidas alcoólicas durante a adolescência e nos finais de semana afeta o sistema nervoso?

Resposta: Isso tudo depende da intensidade dos sucessivos consumos (há doses mais seguras, as moderadas que não interferem). No geral, consumos sociais de fins de semana não causam seqüelas. Agora, abusos, ao longo de vários anos seguidos, podem, sim, causar prejuízos. Um único abuso excessivo isolado já pode causar danos, por um quadro de intoxicação sério ou acidente automobilístico. É importante uma orientação psicológica adequada para o adolescente que tem a necessidade constante de consumo de álcool nos fins de semana. Ele pode ser um tímido excessivo, inseguro ou deprimido. Antecedentes familiares e pessoais de alcoolismo e depressão devem ser considerados neste sentido também. A dependência tem fatores genéticos envolvidos. Deve-se ter muito cuidado para se estabelecer um nível social de consumo: um homem adulto saudável, sem antecedentes de alcoolismo na família, sem alterações psiquiátricas, tem um baixo risco de dependência tomando até dois ou três chopps ou três copos de vinho por dia. Seria um nível seguro. Para as mulheres, a dose segura, envolve 2/3 da dose do homem, ou seja, 1 copo de chopp ou 2 copos de vinho em média.

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As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

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Joel Rennó Jr.
Doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein-SP (HIAE)
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