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| "... o delirium tremens é
um quadro bastante grave, com alta *morbidade e mortalidade, se não
adequadamente e rigidamente tratado. Sempre o tratamento deverá
ser a internação em hospital com monitoramento contínuo.
Algumas vezes, esse paciente deverá ser tratado em unidades
de terapia intensiva" |
Resposta:
Delirium tremens corresponde a um quadro bastante grave que
pode ocorrer em indivíduos gravemente dependentes de álcool.
Significa a mesma coisa que “Síndrome de Abstinência
Alcoólica complicada com Delirium”. |
Entre pessoas dependentes de álcool, é comum o surgimento
do quadro de Síndrome de Abstinência, quando esses
indivíduos cessam ou reduzem abruptamente o consumo de bebidas
alcoólicas. Como a Síndrome de Abstinência Alcoólica
tem vários níveis, de acordo com a gravidade dos sintomas,
existem várias formas para classificá-la. Uma das formas
mais simples é classificá-la em dois grupos principais:
a) Síndrome de Abstinência Não Complicada;
b) Síndrome de Abstinência Complicada.
Na Síndrome de Abstinência Não Complicada, o alcoolista
que cessa ou reduz abruptamente o consumo de bebidas pode experimentar
os seguintes sintomas, relacionados à atividade adrenérgica.
Ou seja, atividade caracterizada pelo aumento dos níveis de adrenalina
no corpo, provocando taquicardia, sudorese, aumento da pressão
arterial, ansiedade, etc.
a) sudorese;
b) tremores (especialmente matinais);
c) taquicardia;
d) hipertensão arterial;
e) inquietação psicomotora;
f) irritabilidade;
g) insônia;
h) náusea e vômitos;
i) aumento da temperatura corporal.
Já na Síndrome de Abstinência Complicada,
o alcoolista, além de experimentar os sintomas acima reportados,
pode também apresentar crises convulsivas, alucinações
(enxergar coisas que não existem), confusão mental ou delirium,
dentre outras complicações clínicas (pneumonia, traumatismo
craniano, insuficiência hepática, etc).
O principal sintoma do Delirium Tremens (ou Síndrome
de Abstinência Alcoólica Complicada com Delirium) é
a confusão mental. Esse indivíduo encontra-se desorientado
no tempo e no espaço, o contato e o juízo crítico
da realidade estão amplamente comprometidos, ocorre ansiedade intensa.
É bastante comum nesse quadro a presença de alucinações
visuais, táteis ou auditivas.
Enfim, o Delirium tremens é um quadro bastante grave,
com alta morbidade e mortalidade, se não adequadamente e rigidamente
tratado. Sempre o tratamento deverá ser a internação
em hospital com monitoramento contínuo. Algumas vezes, esse paciente
deverá ser tratado em unidades de terapia intensiva.
O ambiente da internação deverá ser o mais calmo
possível, de modo a reduzir estímulos audiovisuais. É
importante que os pacientes com confusão mental permaneçam
em jejum, devido ao risco de aspiração e consequentes complicações
respiratórias. Nesses casos, a hidratação intravenosa
e a reposição vitamínica adequada são imperativas.
Algumas medicações devem ser administradas para esses pacientes,
objetivando o controle do comportamento auto e heterolesivo (de lesar
o outro), a confusão mental e o sofrimento cerebral. O tratamento
deve ser realizado por equipe especializada e interdisciplinar.
A Síndrome de Dependência de Álcool implica
no desenvolvimento de várias alterações neuroquímicas,
o que determina tanto a manutenção do consumo da bebida,
quanto muitas das consequências altamente nocivas do seu uso. As
alterações provocadas nos sistemas neuronais excitatórias
(principalmente relacionadas com o Glutamato) têm sido associadas
com o aparecimento dos quadros convulsivos e de confusão mental.
Abaixo, forneço duas referências de livros para consulta:
Diehl, A., Cordeiro, D.C., Laranjeira, R. (2009). Tratamentos Farmacológicos
para Dependência Química. Da Evidência Científica
à Prática Clínica. Porto Alegre, ArtMed.
Baltieri, D.A. (2004). Tratamento Farmacológico do Alcoolismo.
São Paulo, Lemos.
*Morbidade: conjunto de causas capazes de produzir uma doença
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