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O que é delirium tremens, suas causas e o que fazer quando ocorrer?
por Danilo Baltieri

"... o delirium tremens é um quadro bastante grave, com alta *morbidade e mortalidade, se não adequadamente e rigidamente tratado. Sempre o tratamento deverá ser a internação em hospital com monitoramento contínuo. Algumas vezes, esse paciente deverá ser tratado em unidades de terapia intensiva" Resposta: Delirium tremens corresponde a um quadro bastante grave que pode ocorrer em indivíduos gravemente dependentes de álcool. Significa a mesma coisa que “Síndrome de Abstinência Alcoólica complicada com Delirium”.

Entre pessoas dependentes de álcool, é comum o surgimento do quadro de Síndrome de Abstinência, quando esses indivíduos cessam ou reduzem abruptamente o consumo de bebidas alcoólicas. Como a Síndrome de Abstinência Alcoólica tem vários níveis, de acordo com a gravidade dos sintomas, existem várias formas para classificá-la. Uma das formas mais simples é classificá-la em dois grupos principais:

a) Síndrome de Abstinência Não Complicada;

b) Síndrome de Abstinência Complicada.

Na Síndrome de Abstinência Não Complicada, o alcoolista que cessa ou reduz abruptamente o consumo de bebidas pode experimentar os seguintes sintomas, relacionados à atividade adrenérgica. Ou seja, atividade caracterizada pelo aumento dos níveis de adrenalina no corpo, provocando taquicardia, sudorese, aumento da pressão arterial, ansiedade, etc.

a) sudorese;

b) tremores (especialmente matinais);

c) taquicardia;

d) hipertensão arterial;

e) inquietação psicomotora;

f) irritabilidade;

g) insônia;

h) náusea e vômitos;

i) aumento da temperatura corporal.

Já na Síndrome de Abstinência Complicada, o alcoolista, além de experimentar os sintomas acima reportados, pode também apresentar crises convulsivas, alucinações (enxergar coisas que não existem), confusão mental ou delirium, dentre outras complicações clínicas (pneumonia, traumatismo craniano, insuficiência hepática, etc).

O principal sintoma do Delirium Tremens (ou Síndrome de Abstinência Alcoólica Complicada com Delirium) é a confusão mental. Esse indivíduo encontra-se desorientado no tempo e no espaço, o contato e o juízo crítico da realidade estão amplamente comprometidos, ocorre ansiedade intensa. É bastante comum nesse quadro a presença de alucinações visuais, táteis ou auditivas.

Enfim, o Delirium tremens é um quadro bastante grave, com alta morbidade e mortalidade, se não adequadamente e rigidamente tratado. Sempre o tratamento deverá ser a internação em hospital com monitoramento contínuo. Algumas vezes, esse paciente deverá ser tratado em unidades de terapia intensiva.
O ambiente da internação deverá ser o mais calmo possível, de modo a reduzir estímulos audiovisuais. É importante que os pacientes com confusão mental permaneçam em jejum, devido ao risco de aspiração e consequentes complicações respiratórias. Nesses casos, a hidratação intravenosa e a reposição vitamínica adequada são imperativas.

Algumas medicações devem ser administradas para esses pacientes, objetivando o controle do comportamento auto e heterolesivo (de lesar o outro), a confusão mental e o sofrimento cerebral. O tratamento deve ser realizado por equipe especializada e interdisciplinar.

A Síndrome de Dependência de Álcool implica no desenvolvimento de várias alterações neuroquímicas, o que determina tanto a manutenção do consumo da bebida, quanto muitas das consequências altamente nocivas do seu uso. As alterações provocadas nos sistemas neuronais excitatórias (principalmente relacionadas com o Glutamato) têm sido associadas com o aparecimento dos quadros convulsivos e de confusão mental.

Abaixo, forneço duas referências de livros para consulta:

Diehl, A., Cordeiro, D.C., Laranjeira, R. (2009). Tratamentos Farmacológicos para Dependência Química. Da Evidência Científica à Prática Clínica. Porto Alegre, ArtMed.

Baltieri, D.A. (2004). Tratamento Farmacológico do Alcoolismo. São Paulo, Lemos.

*Morbidade: conjunto de causas capazes de produzir uma doença

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Danilo Baltieri
Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas
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