| Síndrome de dependência
química: Como enfrentar a fase de desintoxicação
e de manutenção? É possível passar por essas
duas fases sem internar?
Resposta: A Síndrome de Dependência
de Substâncias Psicoativas (álcool, cocaína/crack,
maconha, opióides, hipnóticos, estimulantes, nicotina, etc)
é um problema bastante complexo e nenhuma fórmula única
conseguirá abarcar todas as modalidades adequadas de tratamento
para cada tipo de paciente dependente de determinada (s) substância
(s). Na verdade, existem específicas estratégias terapêuticas
para cada tipo de dependente químico, e o profissional especializado
irá avaliar as mais indicadas para o seu paciente.
Realmente, os tratamentos disponíveis para pessoas portadoras de
dependência química devem ser sempre baseados nas evidências
científicas existentes, objetivando sempre o melhor resultado.
Entretanto, segundo o NIDA (National Institute on Drug Abuse)
existem alguns princípios gerais no tratamento da dependência
química que tomo a liberdade de citar neste texto:
a) Não existe um tratamento único que seja
adequado para todos os pacientes;
b) O tratamento efetivo deve contemplar as várias
necessidades do paciente e não apenas o uso das substâncias.
Outros problemas médicos, sociais, familiares e jurídicos
precisam ser abordados;
c) O planejamento terapêutico deve ser continuamente
avaliado pela equipe médica, adequando-o corretamente às
necessidades do paciente;
d) É importante que o paciente demonstre desejo
em permanecer no tratamento;
e) Para muitos pacientes, os medicamentos são
importantes ferramentas no tratamento inicial e na manutenção
da abstinência;
f) Freqüentemente, os pacientes com quadros de Dependência
Química apresentam outros problemas de saúde física
e mental, os quais precisam ser adequadamente diagnosticados e tratados;
g) A desintoxicação é apenas o primeiro
passo no tratamento da dependência química. Após o
tratamento cuidadoso dos sintomas físicos e psíquicos da
Síndrome de Abstinência, o manejo terapêutico precisa
continuar, objetivando a manutenção do comportamento de
evitação do uso das drogas;
h) O tratamento não precisa ser voluntário
para ser efetivo. Seguramente, quanto maior for a motivação
do paciente para afastar-se das substâncias, maiores serão
as chances de sucesso terapêutico. Entretanto, medidas compulsórias
provenientes de vários sistemas (família, ambiente do trabalho,
sistema judiciário) podem favorecer a percentagem de indivíduos
que entram e se mantém no processo terapêutico;
i) O consumo de quaisquer substâncias psicoativas
durante o tratamento deve ser adequadamente monitorizado pela equipe médica;
j) Os programas de tratamento devem incluir abordagem
de várias possíveis complicações físicas
decorrentes do consumo inadequado dessas substâncias;
k) A recuperação da dependência química
pode ser um processo bastante longo e, muitas vezes, requer várias
estratégias diferentes de tratamento.
Negação de dependência química é
um dos maiores obstáculos ao tratamento
Nem todos os indivíduos que fazem uso inadequado de substâncias
psicoativas reconhecem que têm um problema. A negação
é uma dos maiores obstáculos iniciais ao tratamento. Logo,
esse usuário deverá ser abordado pelo profissional especializado,
o qual tentará mostrar as evidências do mau uso e das negativas
conseqüências, motivando-o para uma tomada de decisão.
Durante a fase inicial do tratamento, geralmente, o paciente deverá
modificar seu estilo de vida, evitar quaisquer situações
ou pessoas que lhe favoreçam o consumo das substâncias, seguir
adequadamente as orientações médicas. A abstinência
completa é, em geral, o objetivo do tratamento.
Desintoxicação e manutenção da abstinência
À medida que a fase da desintoxicação passa, inicia-se
a fase de manutenção da abstinência. Existem várias
abordagens psicoterapêuticas e farmacológicas para auxiliar
o paciente nesta etapa. Para algumas substâncias, como álcool,
nicotina e opióides (heroína), a utilização
de medicações é importante, sempre associadas às
terapias psicossociais.
É bastante comum que o dependente, depois de um longo período
de abstinência, onde ele modificou seu estilo de vida, evitou situações
e pessoas que favoreciam o uso e seguiu as recomendações
médicas, retorne ao uso das substâncias (recaída).
Recaída pode ser uma lição
A recaída deve servir para que o paciente diuturnamente perceba
os fatores “gatilho” que o impulsionam para o consumo de drogas
e aprenda com eles, de tal forma que esses episódios possam não
mais acontecer. Recaída não é falha terapêutica;
ao invés disso, faz parte do tratamento dessa grave doença
médica, e sempre deve ser abordada adequadamente por profissionais
especialistas.
Na verdade, muitos dependentes de substâncias são tratados
em regime de ambulatório com sucesso.
Quando internar?
No entanto, a internação de alguns pacientes em clínicas
especializadas pode ser necessária em várias situações,
tais como:
a) Risco de suicídio ou homicídio;
b) Falha completa na manutenção de abstinência
durante o tratamento ambulatorial;
c) Graves complicações aos diversos sistemas
orgânicos (cardíaco, sistema nervoso central, etc.);
d) Síndromes de abstinência complicadas;
e) Estados psicóticos graves;
f) Falha completa de suporte social, com conseqüente
exposição social;
g) “Overdoses” acidentais ou suicidas;
h) Pacientes que necessitam de um ambiente muito estruturado
para modificar o estilo de vida.
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Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma
consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não
se caracterizam como sendo um atendimento
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