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Dependência química: É possível sair da compulsão para o controle?
por Danilo Baltieri

O senhor acha possível que alguém que tenha fumado cigarro e maconha durante dez anos, chegando a 30 cigarros e 10 baseados por dia, conseguiria reduzir/controlar essa compulsão e retornar ao uso recreativo e esporádico, por exemplo, um baseado à noite e três cigarros?

Resposta: Como eu tenho reiterado muitas vezes nesta seção de respostas, NÃO EXISTEM QUAISQUER NÍVEIS SEGUROS de consumo dessas substâncias. O ideal é a abstinência completa de toda e qualquer substância psicoativa. O paciente dependente de alguma substância psicoativa (álcool, maconha, cocaína/crack, heroína, nicotina, etc) deve procurar profissional especializado no tratamento da dependência química objetivando a abstinência completa.

Existem casos, porém, em que os usuários não desejam cessar completamente o uso de determinada substância, mas manter um uso “controlado” das mesmas. Isso é tremendamente arriscado para os indivíduos dependentes de substâncias, já que o padrão de consumo prévio de drogas é freqüentemente reinstalado, quando o individuo tenta fazer um “uso controlado”.

A natureza da dependência química caracteriza-se, dentre vários sintomas e sinais, pela perda do controle diante do consumo dessas substâncias; logo, a proposta de um “uso controlado” em alguém onde a doença “Dependência Química” esteja instalada é de difícil sustentação.

Administração de consumo de nicotina na forma de chicletes funciona?

Apesar disso, estudos que tratam sobre esse assunto (dependência de nicotina), mais propriamente sobre redução de danos, têm enfatizado que entre aqueles indivíduos dependentes de nicotina e que não conseguem (ou mesmo não desejam) cessar completamente o consumo da substância, a administração de nicotina na forma de chicletes por tempo maior do que o usualmente prescrito durante o tratamento de reposição, poderia ser uma escolha razoável. Um dos sérios problemas, no caso dos dependentes de nicotina, é a utilização da substância na forma fumada e para esta forma de uso é difícil qualquer proposta de “controle”. O hábito de fumar é extremamente lesivo e deve ser combatido.

Maconha e nicotina: terapêutica e medicamentos

Existem muitos tratamentos comprovadamente eficazes tanto para o tratamento da dependência de maconha quanto para o da dependência de nicotina. Embora, até o momento, não existam quaisquer medicações comprovadamente eficazes para o tratamento específico da dependência de cannábis, existem medicações comprovadamente eficazes para o tratamento e manejo da dependência de nicotina.

A taxa de abstinência de nicotina aumenta à medida que o tratamento é adequadamente individualizado e a associação com uma medicação comprovadamente eficaz é realizada. Enfatizo aqui que, embora não haja medicações comprovadamente eficazes para o tratamento da dependência de cannábis, existem formas eficientes de tratamento dessa condição.

No entanto, o primeiro passo para a realização desses tratamentos é o desejo persistente em abandonar o uso de qualquer uma dessas substâncias. Não existe fórmula mágica. Cada caso precisa ser avaliado por especialista e a proposta de abordagem e tratamento deve ser realizada a partir de então.

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Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

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Danilo Baltieri
Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas
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