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| "Não há fórmula mágica
para o tratamento das dependências químicas, nem tampouco
para a grande população daqueles que sofrem do diagnóstico
duplo. A equipe médica deverá individualizar o tratamento,
propondo medidas psicossociais e farmacológicas eficazes e
seguras para o manejo adequado do caso" |
Resposta: O tratamento
de pessoas com diagnóstico de Síndrome de Dependência
de Substâncias é um processo bastante complexo e,
muitas vezes, requer abordagens individualizadas. Isso é ainda
mais verdadeiro quando o portador de um quadro de dependência
química sofre também de outro quadro psiquiátrico,
como o Transtorno Afetivo Bipolar ou a Esquizofrenia. |
É sempre útil saber se os sintomas de uma doença
psiquiátrica iniciaram antes ou depois do abuso de substâncias,
como o álcool, cocaína, maconha, opioides dentre outras.
É também útil saber se os sintomas da doença
psiquiátrica pioram, melhoram ou desaparecem quando o paciente
não está usando as substâncias. Apesar de útil,
é frequentemente muito difícil obter essas respostas, especialmente
quando o paciente faz uso diário de substâncias e apresenta
uma miríade de sintomas comportamentais.
Durante o tratamento de pessoas portadoras de duplo diagnóstico
(dependência/abuso de substâncias e outro quadro psiquiátrico),
uma programação adequada e orientada por especialistas deve
ser instalada. Um cuidado especial deve ser dado na escolha de quaisquer
medicações para o tratamento de ambas as doenças
psiquiátricas, objetivando sempre o melhor resultado terapêutico
e a menor incidência de efeitos colaterais e indesejáveis.
Tratamento para quem apresenta diagnóstico duplo
Algumas das características de programas altamente estruturados
para o tratamento de pacientes que apresentam diagnóstico duplo
são apontadas abaixo:
a) Flexibilidade do programa: embora o objetivo do tratamento médico
deva ser a abstinência das substâncias psicoativas (álcool,
cocaína/crack, maconha etc), alguns desses indivíduos podem
apresentar grande dificuldade para cessar o consumo inadequado. Por exemplo,
se um paciente apresenta um recrudescimento do quadro depressivo, o risco
para o consumo de substâncias pode aumentar. Da mesma forma, se
houver uma desestabilização do quadro de humor (em um Transtorno
Afetivo Bipolar, por exemplo), o risco de recaídas ou mesmo
de consumo intenso de substâncias tende a ser grande. Logo, o programa
deve contextualizar cada caso, permitindo condutas individualizadas;
b) Persistência: a equipe deve estar disponível para
repetir, quantas vezes forem necessárias, as técnicas para
evitar o consumo de drogas bem como as situações de risco;
c) Uso de medicações: para pacientes portadores de
graves doenças psiquiátricas, o uso de medicações
comprovadamente eficazes é imperativo. Nos casos de pacientes com
duplo diagnóstico, todos os esforços devem ser lançados
para usar medicações que:
(1) sejam eficazes mesmo naqueles indivíduos que estão
fazendo uso de substâncias psicoativas,
(2) não induzam euforia,
(3) não causem dependência,
(4) sejam seguras mesmo quando o paciente sofrer alguma recaída.
Existem algumas substâncias psicoativas que, quando usadas por indivíduos
fazendo uso de determinados medicamentos, podem aumentar a toxicidade
tanto de uma quanto da outra. A interação 'substâncias
psicoativas - medicamentos prescritos' deve ser sempre rigorosamente avaliada
por equipe especializada.
Não há fórmula mágica para o tratamento das
dependências químicas, nem tampouco para a grande população
daqueles que sofrem do diagnóstico duplo. A equipe médica
deverá individualizar o tratamento, propondo medidas psicossociais
e farmacológicas eficazes e seguras para o manejo adequado do caso.
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