Esta é uma pergunta simples e direta - aparentemente-, porém,
requer uma reflexão aprofundada.
Hoje, sabemos que a depressão não tratada pode piorar
o curso e o tratamento de vários quadros clínicos como
diabetes, hipertensão, processos infecciosos, AVC (acidente vascular
cerebral), infarto agudo do miocárdio (IAM), entre outros. Em
suma, um paciente deprimido não tratado corretamente, pode ter
maiores riscos de agravamento e recorrência de sua doença
clínica de base.
| "Um paciente deprimido
não tratado corretamente, pode ter maiores riscos de agravamento
e recorrência de sua doença clínica de base" |
Vários tipos de neoplasias (cânceres)
também pioram em pacientes deprimidos. Há estudos
que tentam correlacionar com as mudanças do sistema imunológico,
entre inúmeros outros fatores, além é claro,
do impedimento que a depressão significa no tratamento do
câncer. Tratamentos radioterápicos e quimioterápicos
tornam-se muito mais dolorosos e penosos em deprimidos. |
A adesão é extremamente dificil. Portanto, seja pela
depressão em si, ou por uma consequência da mesma como
desânimo, desinteresse, apatia, inércia, sentimento de
desesperança, aumento da dor, entre outros, com a piora da evolução
do quadro clínico, há riscos de vida.
Muitos quadros de depressão grave podem também levar a
emagrecimento excessivo (pela perda do apetite ou interesse em comer),
com riscos de desnutrição e distúrbios hidroeletrolíticos
(sais minerais, como hipopotassemia) que podem causar convulsões
e arritmias cardíacas.
Há trabalhos científicos que demonstram que a depressão,
em si, independentemente de outros fatores associados, pode ser uma
das causas diretas de morte súbita em pacientes cardiopatas.
Por fim, o risco de suicídio é significativo em depressões
graves, constituindo-se em uma das principais causas de morte em pacientes
deprimidos. O suicídio é uma das 10 maiores causas de
morte em todos os países, segundo a OMS (Organização
Mundial de Saúde), e uma das três maiores causas de morte
na faixa etária de 15 a 35 anos.
As pesquisas demonstram que entre 40% a 60% dos pacientes que cometeram
suicídio procuraram o médico no mês anterior. Portanto,
identificar, avaliar e manejar pacientes suicidas é uma importante
tarefa do médico, que tem um papel fundamental na prevenção
do suicídio. O risco de suicídio em pessoas com transtornos
de humor (principalmente depressão) é de 6 a 15%. Um detalhe
significativo e que serve de alerta: 60% dos pacientes deprimidos procuram
tratamento com clínicos gerais e não com psiquiatras.
Portanto, os médicos generalistas devem estar muito bem preparados
também.
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Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem
uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não
se caracterizam como sendo um atendimento