| Vou atrasar minha contribuição
sobre o conceito de “mente”, algo que interessará certamente
mais a profissionais do que a leigos, para fazer uma contribuição
de maior utilidade pública. Ela diz respeito à tal “Síndrome
do Pânico”.
A massa do público leigo e, até onde posso perceber, uma
significativa quantidade de profissionais, está bastante mal informada
sobre esse diagnóstico, que, desde o surgimento do Alprazolam,
na última década de 70, passou a ocorrer com multiplicada
frequência. Minha presente comunicação tem por objetivo
minimizar essa lacuna.
Começo por relembrar a diferença entre sintoma, síndrome,
transtorno, etiologia e patogenia.
SINTOMA - é a menor unidade de análise de uma doença.
"Taquicardia" é um sintoma, "tristeza" é
um sintoma;
SÍNDROME - é um conjunto de sintomas que costuma ocorrer
simultaneamente. A "Síndrome de Pânico", por exemplo,
apresenta sintomas como sensação subjetiva de pavor, taquicardia,
dispnéia, dispepsia, tonteira, sensação de morte
iminente etc..Vou, adiante, oferecer uma listagem mais completa dos sintomas
da síndrome.
Para melhor entendermos o que mais nos importa aqui, seja, a DIFERENÇA
entre SÍNDROME e TRANSTORNO, é preciso saber o significado
de dois outros termos: etiologia e patogenia.
ETIOLOGIA - é a CAUSA de um sintoma, de uma síndrome ou
de um transtorno. Assim, por exemplo, suspensão da ingestão
de álcool em um usuário habitual e excessivo dele é
a causa (etiologia) da "síndrome de abstinência alcoólica",
que pode apresentar desde sintomas leves como insônia, a sintomas
graves, como convulsões.
PATOGENIA - é o processo que ocorre entre a ação
da causa e a produção do(s) sintoma(s). Para ilustrar, consideremos
a patogenia da "síndrome de abstinência alcoólica".
O álcool tem um efeito sedativo sobre o cérebro. Em uma
pessoa que bebe muito desde longa data, o cérebro fica exposto
quase continuamente, durante longos períodos, a esse efeito depressor.
Com o passar do tempo, o cérebro ajusta sua própria química
para compensar tal efeito, produzindo substâncias químicas
naturalmente estimulantes (como a serotonina ou a noradrenalina - “parentes”
da adrenalina) em quantidades maiores que as normais. Se o álcool
é retirado de repente, o cérebro se comporta como um veículo
acelerado que perdeu os freios. Consequentemente, a maioria dos sintomas
da abstinência alcoólica são sintomas de superestimulação
cerebral.
TRANSTORNO - quando se supõe que uma síndrome pode ocorrer
devido a causas diversas (etiologias) – saibamos nós ou não
que causas são essas – dizemos que ela pode ocorrer em diversos
"transtornos" (ou doença, = entidade nosológica,
ou nosográfica).
A SÍNDROME de Pânico, por exemplo, ocorre principalmente
em três grandes tipos de TRANSTORNO: nos Transtornos devidos ao
Uso de Substâncias Psicoativas (F10 a F19 da décima versão
do Código Internacional de Doenças), nos Transtornos Fóbico-Ansiosos
(F40 do CID-10) e no Transtorno de Pânico (F41.0 do CID-10).
A lição essencial que devemos tirar do acima exposto é
a de que: a "Sindrome de Pânico" pode ocorrer em MAIS
DE UMA "DOENÇA" (= TRANSTORNO). Para que seja tratada
adequadamente, é necessário que se saiba QUE DOENÇA
(= TRANSTORNO) É ESSA.
Caso contrário, o paciente ou (A) NÃO FICARÁ JAMAIS
CURADO ou (B) terá apenas seus sintomas MANTIDOS SOB CONTROLE durante
um TRATAMENTO INTERMINÁVEL.
Este texto continua...
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