| "A dieta sugerida para pacientes
com esclerose múltipla é a mesma dieta saudável
recomendada para a população adulta normal. Seu objetivo
é aumentar os níveis dos ácidos graxos essenciais
e da vitamina B12, mantendo ao mesmo tempo uma saudável função
intestinal" |
A esclerose múltipla (EM) ou esclerose disseminada
é uma doença neurológica crônica, de causa
ainda desconhecida, com maior incidência em mulheres e pessoas
brancas. Apesar da causa ser desconhecida a hereditariedade tem um
papel relevante. |
Cerca de 5% dos indivíduos afetados possuem uma
irmã ou irmão que também apresentam a doença
e aproximadamente 15% deles tem um parente próximo acometido pela
mesma.
Embora se considere que exista uma conexão entre fatores genéticos
e ambientais sua prevalência não é homogenia com relação
a regiões geográficas, sendo mais comum em países
de temperaturas mais baixas como Estados Unidos. No Brasil as regiões
com maior número de casos são as do sul e sudeste. Nessas
existem 15 casos para cada 100 mil habitantes.
A ocorrência é maior em adultos da faixa etária entre
20 a 50 anos, e como já dissemos anteriormente as mulheres são
mais afetadas por essa doença, ou seja, na proporção
de 2 mulheres para 1 homem.
Esse tipo de patologia leva a uma destruição das bainhas
de mielina que recobrem e isolam as fibras nervosas (estruturas do cerebro
pertencentes ao Sistema Nervoso Central ou SNC). As fibras nervosas presentes
no Sistema Nervoso Central (Cérebro) e periférico (pernas,
braços e coluna) são revestidas por uma camada rica em lipídeos
(gordura) chamada bainha de mielina. Ela é como o plástico
que envolve o fio de cobre, atua como um isolante elétrico que
permite a condução rápida e eficiente dos impulsos
nervosos, transmitindo informações específicas dos
neurônios para todas as partes do corpo.
Quando ocorre a destruição da bainha de mielina os impulsos
nervosos são conduzidos de forma mais lenta, gerando sintomas como
fraqueza muscular falta de memória, rigidez articular, dores articulares
e descoordenação motora. O doente sente dificuldade para
realizar vários movimentos com os braços e pernas, perde
o equilíbrio quando fica em pé, sente dificuldade para andar,
tremores e formigamento em partes do corpo.
Até o momento a causa da EM não está totalmente esclarecida,
se aceita a teoria de que algum vírus ou antígeno (corpo
estranho) desconhecido estimule uma resposta imunológica anormal.
Este processo na maioria dos casos inicia na infância. As células
de defesa do nosso corpo reconhecem a bainha de mielina como corpo estranho
e desencadeiam um processo inflamatório que a destrói de
forma parcial ou total. Quando esse quadro cessa, as regiões as
quais a bainha de mielina foi destruída sofrem cicatrização
e ocorre um endurecimento conhecido como esclerose.
Primeiros sintomas
Os primeiros sintomas aparecem na idade de 20 a 40 anos e são muito
variados dependem do local onde ocorreu a destruição da
bainha de mielina.
No estágio inicial os sintomas mais comuns são: dormência
e formigamento nas pernas, braços e pescoço. As pessoas
podem apresentar quadro de fraqueza em membros superiores e inferiores,
visão turva e dupla, incordenação motora, desequilíbrio,
vertigem, dor, tremores e dificuldade no controle da urina, fezes e na
deglutição. Também é frequente a falta de
memória, dificuldade de concentração e comprometimento
da fala. Em grande parte dos casos a depressão e fadiga estão
presentes.
O diagnóstico da EM é muito difícil, pois, os sintomas
são semelhantes aos de outras doenças inflamatórias,
requer uma avaliação global do indivíduo por profissionais
capacitados.
A EM não tem cura e a evolução da doença é
imprevisível. Muitos indivíduos conseguem desempenhar todas
as atividades de uma pessoa normal, mas quando a doença alcança
um estágio avançado, essas atividades se tornam restritas.
O tratamento deve ser individualizado e envolver uma equipe multidisciplinar
O seu objetivo é melhorar a qualidade de vida do paciente controlando
e aliviando os sintomas, e o mais importante, retardar ao máximo
a progressão da doença.
Dieta e progressão da doença
Embora até o momento não exista uma evidência clara
do efeito da dieta especifica sobre a taxa de progressão da doença,
alguns estudos científicos tem mostrado que pode ser obtido algum
benefício no consumo de alimentos que sejam fontes de compostos
antioxidantes e de ácidos graxos essenciais.
Nossa dieta normalmente contém determinadas vitaminas e minerais,
tais como a vitamina E – lipossolúvel, encontrada na margarina,
manteiga e frutas frescas vitamina A – hidrossolúvel, encontrada
nas frutas e vegetais frescos selênio – mineral essencial
encontrado nos produtos em grãos, peixes, ovos, queijos e carne
que são denominadas antioxidantes, e que podem exercer um efeito
protetor na bainha de mielina do cérebro contra inflamações
causadas pelos radicais livres.
Por outro lado os ácidos graxos essenciais, ou seja, aquelas gorduras
que o corpo necessita para sua saúde, mas é incapaz de produzir
e, por isso, deve obtê-las da dieta, constituem uma parte importante
da estrutura do tecido cerebral e da bainha de mielina. O ácido
linoleico é o mais amplamente usado desses ácidos graxos
essenciais, e está presente em grandes quantidades no óleo
de prímula e no óleo de girassol. Outro tipo de ácido
graxo essencial é a série Omega-3, encontrada nos peixes
e óleos de peixes e na linhaça.. Existem evidências
de que esses ácidos graxos essenciais podem alterar a resposta
inflamatória nas doenças autoimunes, como é o caso
da esclerose múltipla.
A dieta sugerida para pacientes com esclerose múltipla é
a mesma dieta saudável recomendada para a população
adulta normal. Seu objetivo é aumentar os níveis dos ácidos
graxos essenciais e da vitamina B12, mantendo ao mesmo tempo uma saudável
função intestinal.
- Use margarinas e óleos (p.ex. girassol) poli-insaturados;
- Coma óleo de peixe regularmente, de preferência 2-3 vezes
por semana;
- Use produtos diários com pouca gordura, p.ex. leite desnatado
ou semidesnatado;
- Prefira frango e partes magras de carne.
- Coma diariamente cinco porções de frutas e legumes, inclusive
verduras com folhas verdes escuras;
- Evite salsichas, bacon, sanduíches do tipo hambúrguer
e outros alimentos industrializados com alto teor de gordura animal saturada;
- Evite bolos, chocolate e cremes com altos teores de gordura e açúcar;
- Coma de preferência alimentos fritos em pouco óleo ou na
grelha, assados, no vapor ou fervidos, em lugar dos fritos em muito óleo;
- Prefira pão integral e cereal com farinha integral;
- Tome 8-10 copos de água diariamente;
- Evite doses elevadas de suplementos vitamínicos.
Alguns medicamentos utilizados no tratamento dessa doença tais
como os corticóides podem induzir o ganho de peso, levando à
obesidade.
A obesidade é um distúrbio nutricional muito comum entre
os pacientes com EM.
A alimentação equilibrada é fundamental para a prevenção
da obesidade e consequentemente, reduzir o risco do aparecimento de outras
doenças secundárias como: o diabetes tipo II, a hipertensão
arterial e hipercolesterolemia.
Dicas simples podem contribuir para uma alimentação
equilibrada
• Não tenha pressa! Faça da refeição
um momento agradável, coma devagar e mastigue bem os alimentos.
• Estabeleça horário para as refeições
• Procure variar o cardápio
• Coma peixe pelo menos 2 vezes por semana
• Consuma no mínimo 2 frutas por dia sendo que uma delas
seja cítrica
• Durante o almoço ou jantar procure consumir vegetais verdes
escuros, amarelos ou laranja.
• Evite o consumo de alimentos ricos em açúcar e gordura
• Para temperar saladas dê preferência para o azeite
de oliva
• Consumir alimentos fonte de vitaminas A, C, E, D e vitamina B12,
elas estimulam o sistema imunológico e assim podem auxiliar no
controle os sintomas mais severos.
Mais informações: www.jocelemsalgado.com.br
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