"Privar-se
da mesa quando ela está mais farta e enfeitada, quando
todos festejam o prazer de comer, é submeter-se a um duplo
castigo, que só nos deixará deprimidos, tristes
e insatisfeitos. São sentimentos que mais colaboram para
desequilibrar nosso organismo do que para manter uma silhueta
saudável"
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A sala iluminada pela árvore de
bolinhas coloridas, as meias aguardando os presentes, as espigas de
milho esperando para alimentar os cavalos-renas do Papai Noel. No
pé da árvore, o presépio com os reis magos barbudos
e as vaquinhas aquecendo o pequeno Jesus na manjedoura que virou berço.
Um coro de crianças cantando "noite feliz". |
E pronto, não vamos conseguir segurar as lágrimas, voltando
num tempo em que nossos Natais eram assim mesmo. Quem se recorda? Tentávamos
manter os olhos abertos, ouvidos atentos aos passos do Papai Noel, mas
o sono vinha e nos levava embora. No dia seguinte, os presentes estavam
lá, dentro das meias, embaixo da árvore iluminada.
Viramos adultos, veio a Internet, nem perguntamos mais se nossas crianças
acreditam em Papai Noel. Não importa em quem elas acreditem, a
verdade é que o Natal continua fascinando as nossas pequenas criaturas,
e mexendo com todos nós.
Para muitos, o período de Natal e fim de ano transformou-se num
momento de balanço. Há quem faça as contas e ache
que a vida ficou em débito com eles. É tempo de refazer
os projetos e no próximo ano cobrar o que não recebeu. Fazer
planos já é uma forma de reverter a situação,
de transformar o balanço negativo em comemoração.
Para a maioria de nós o saldo foi positivo e o momento é
de agradecimento. Merece ser comemorado. Eu e minha equipe nos incluímos
nesse grupo. Para todos nós, o ano de 2007 foi maravilhoso e precisa
ser festejado.
Estoque de sonhos
Nesta época do ano as pessoas costumam me perguntar qual a receita
ideal para passar o Natal com saúde e começar um ano novo
cheio de disposição.
Quem deixou planos pendentes ao longo deste ano que acaba terá
outra chance agora. E terá outras e outras, porque os Natais e
os finais de ano têm sempre esse poder de renovar em nós
nossos estoques de sonhos e projetos. Alguns podem dizer que são
apenas datas de consumo, mas a verdade é que o ser humano necessita
de referências, tanto no tempo como no espaço. É assim
que acontece na natureza, com seus ciclos de estações, suas
luas, a época das cheias e a época das estiagens.
Na verdade, comecei esta conversa pensando em receitas natalinas, nas
calorias do cardápio do Réveillon, na nutrição,
na reeducação alimentar, pois essa é minha especialidade.
Mas achei melhor falarmos à vontade sobre nossas condutas, nossos
propósitos de uma vida mais saudável e nossos limites, temas
que costumam vir às nossas mentes em épocas como essas.
Mudar hábitos requer persistência e informação.
Não se pode exagerar no rigor e nas cobranças, assim como
é preciso admitir recaídas.
Essa época do ano é certamente a mais indicada para fazermos
projetos, mas com certeza é a menos acertada para começarmos
qualquer prática que lembre dieta ou regime. Privar-se da mesa
quando ela está mais farta e enfeitada, quando todos festejam o
prazer de comer, é submeter-se a um duplo castigo, que só
nos deixará deprimidos, tristes e insatisfeitos. São sentimentos
que mais colaboram para desequilibrar nosso organismo do que para manter
uma silhueta saudável.
Não seja rigoroso demais
É natural que as festas de final de ano sejam um desafio para aqueles
que se debatem com o excesso de peso. Aos olhos de quem se dedica à
ciência da nutrição, como eu, a preocupação
deve ser menos com os quilos ganhos nesse período, e mais com as
práticas alimentares ao longo das semanas e meses seguintes. O
equilíbrio do organismo não vai ser alterado com uma ou
outra refeição, mas sim por hábitos cotidianos que
incluem o que chamamos de educação ou reeducação
alimentar.
Os especialistas lembram que todos nós somos descendentes de grupos
que sobreviveram aos grandes períodos de fome porque tinham uma
reserva extra de gordura no corpo. Por isso mesmo, temos mais fome. Mas
passada essa fase da seleção natural, o desafio hoje está
justamente no oposto, na redução do consumo. Os estudos
mostram que vivem mais tempo aqueles que consomem menor quantidade de
calorias e proteínas.
Essa regra de conduta vale certamente para nossas refeições
ao longo do ano, quando as comidas gordurosas, os empanados e hambúrgueres
costumam sobrepor-se aos pratos de salada, legumes e peixes. O importante
é que as refeições saudáveis predominem sobre
as nossas eventuais recaídas. Uma feijoadinha só não
vai estragar nosso verão. Assim como os excessos de fim de ano
não comprometem a conduta de boa alimentação que
adotamos ao longo do ano, ou que pretendemos adotar. O organismo sabe
compensar os descuidos ocasionais quando o cotidiano é mantido
com alimentação balanceada. Por isso mesmo, não seja
rigoroso demais com você diante da ceia de Natal e de Réveillon.
Costumo dizer que comer é um prazer que ilumina a alma e traz bom
humor. Se você estiver bem com você mesmo, saberá como
equilibrar o prazer e o excesso. Não faça como muita gente
que só enxerga na mesa farta algo de perigoso. Ou como aqueles
que prometem começar regimes na segunda semana do ano. A relação
com a comida deve ser a mais natural e agradável possível.
Sofrimentos não fazem perder peso, apenas aumentam nossa cota de
insatisfação.
No meu trabalho de anos lidando com pessoas que querem perder peso, aprendi
que o rigor excessivo não é uma boa prática. Eu e
minha equipe já preparamos cardápios de Natal e Ano Novo
com 1.200 calorias, muito abaixo da média de até 3.000 calorias
consumidas normalmente em refeições como essas. Devo dizer
que não obtivemos resultados nem respostas significativas. Em muitos
spas conceituados, a regra é compor pratos que não passem
das 600 calorias, mesmo nesse período do ano, como se esses dias
de festa fossem como quaisquer outros.
A receita é comemorar
Não concordo com esse rigor. A pessoa que está querendo
ou necessitando perder peso deve adotar um programa que combine com o
seu dia a dia e suas condições metabólicas. Tem gente
que sofre demais com uma redução do volume de alimento por
porção ingerida, como se estivesse atravessando um período
de privações muito grande. Em geral, quando sai do spa ou
deixa o regime, nunca mais vai querer se submeter àquela dieta,
pois estará sempre associada ao sofrimento.
Portanto, a palavra de ordem para o próximo ano é felicidade.
E nunca é tarde para começar a cuidar da alimentação,
retomar as atividades físicas, do modo que seja possível
e não impraticável. Quando estabelecemos metas possíveis,
mesmo que aparentemente mínimas, nossa satisfação
em conseguir cumpri-las nos impulsiona a estabelecer novos objetivos,
até que se consiga atingir o ideal.
Para aqueles que adotam ou pensam em adotar tais práticas, a ceia
do Natal e as festas de Ano Novo não representam risco algum para
sua silhueta e para sua saúde. A melhor receita é comemorar!
Desejo a todos boas festas e feliz 2011!
Mais informações: www.jocelemsalgado.com.br
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