| Em uma recente entrevista que dei
a um jornal de grande circulação, o jornalista me fez a
seguinte pergunta.
“Você concorda que não podemos nunca dar dinheiro como
presente, seja para um filho, parente ou como caridade?”
Não consegui saber com quem é que eu deveria concordar.
Ou discordar, já que ele havia entrevistado outros financistas
antes de mim, durante a feira Expo Money em São Paulo.
A minha resposta foi “Nunca é um exagero, com certeza”.
Muitos povos costumam presentear com dinheiro em nascimentos, casamentos,
festas de Natal. Até mesmo como tradição, especialmente
entre as nações mais ricas do mundo. Você já
deve ter visto filmes americanos onde esse hábito é bem
mostrado. Eu me lembro do filme Na sua pele - In her Shoes -,
quando a Cameron Dias acha as antigas cartas da avó, com várias
notinhas de 5 dólares dentro.
Dinheiro que depois ela usa para ir a Miami, visitar a avó. É
muito comum naquele país esse tipo de afago: dinheiro em envelopes
nos aniversários, nos casamentos e até mesmo para o carteiro,
junto com um cartão postal no Natal. Eu já dei dinheiro
a meus filhos, inclusive como forma de ajudá-los a administrar
seu dinheiro. É bom quando há um objetivo por trás:
a viagem, o curso, a aparelhagem de mergulho. A cada real que eles economizavam,
eu dobrava, tal qual fazem os fundos de pensão de algumas empresas.
Um rebate de valor semelhante, para ajudar o dinheiro a crescer mais rápido
e eles se entusiasmarem. Assim, não há nada de errado em
dar dinheiro, desde que a doação não signifique simplesmente
uma compensação pela falta de tempo, energia ou amor - isso
mesmo amor!
As conseqüências emocionais para
um filho que recebe dinheiro para comprar o próprio presente porque
o pai “esqueceu”, “não deu tempo” ou qualquer
coisa assim, são imponderáveis. A conta vem no futuro.
Quanto a esmolas, creio que deveríamos pensar que se não
temos como discernir se o dinheiro é de fato necessário,
não deveríamos simplesmente meter a mão no bolso
e dar, sem desprendimento. A mídia está toda hora nos alertando
sobre mendigos profissionais, alguns que abusam seriamente de crianças
pequenas, além de abusarem da nossa boa fé.
Em Uberlândia há essa campanha do “Quem dá esmola
não dá futuro”. Parabéns ao prefeito.
Lembre-se de que “quem dá esmola não empresta a Deus
necessariamente”, pode estar alimentando uma perversa indústria
de abuso e aí, ao invés e emprestar a Deus está,
na verdade, cometendo um sério pecado.
Nesse caso, é melhor apoiar uma instituição que se
reconheça como séria. A esmola é mais um imposto.
Ora, já pagamos mais impostos do que estamos agüentando. Seria
muito mais sensato cobrarmos uma atitude de quem levou o imposto e não
o reverte adequadamente para o bem da comunidade em que vivemos.
Como não dá para dizer ao pedinte “Já paguei
tanto imposto esse ano, será que você não poderia
pedir aos governos que revertam isso para você”, então
a solução talvez seja nós próprios, pagadores
de impostos, cobrarmos ações mais claras dos governos, acompanhar
os gastos feitos (ou não) com nosso dinheiro e votar melhor. Ainda
que a mídia e alguns prefeitos sérios têm feito esse
papel, temos que também fazer a nossa parte.
Aliás, seria muito, mas muito interessante se, no próximo
outdoor do prefeito de Uberlândia pudéssemos ler seguinte
frase: “Senhores pedintes venham cobrar isso de mim, peçam
para mim e não para a população. Eles já fizeram
a parte deles. Agora é comigo”.
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