| "Quando o fraco tem
a coragem de dizer não e o forte de dizer sim, estamos colocando
nos eixos reais essas duas palavrinhas que aí sim adquirem
sua real dimensão semântica. O não pode salvar
a sua vida, e o sim pode levá-lo ao paraíso" |
Desde o surgimento da neurolinguística a palavra
não vem sendo estigmatizada. Evitem Não
em frases, em títulos de livros, em slogans publicitários:
Não ao Não! Mas se o não pode transmitir conteúdos
negativos, ou enfraquecer argumentos, quando se trata de dizer a palavrinha
com todas as suas letras e tis, a coisa muda de figura. Dizer
não quando se quer mesmo dizer não, é um desafio
e tanto. |
A incapacidade de dizer não, quando é essa mesma a intenção,
é quase sempre uma questão de fraqueza de posição.
Essa incapacidade não quer dizer que a pessoa é fraca, mas
que está fraca. Quando o patrão pede para a funcionária
vir trabalhar no domingo quando ela já havia prometido ao marido
e aos filhos que se dedicaria a eles, e ela diz sim, o que lhe ditava
a resposta é o medo. Sua posição está (ou
pelo menos ela assim o considera) fraca, é o temor de uma retaliação
que lhe coloca na boca a palavra “fatídica”.
Dizer sim numa circunstância dessas é engolir sapos, é
rasgar-se um pouco (ou muito) por dentro. Dizer não quando se precisa
dessa negação, é mágico, é deter um
processo que ameaça nos engolir, é dizer: Pare agora! E
assumir os riscos. Nem sempre o que se multiplica é bom. A multiplicação
de bactérias patogênicas no nosso corpo é mal, a multiplicação
de inimigos é mal, e a multiplicação de massacres
pessoais é péssimo. Para deter esses processos é
preciso dar um basta, dizer Não! Com ênfase e determinação.
Não é fácil, para muitos um completo processo terapêutico
e de renovação de valores pessoais é necessário.
Saber dizer não, ter essa coragem, essa ousadia e independência,
é fundamental para alguém que almeja o título de
indivíduo.
Por outro lado há algumas pessoas que pela posição
de força que ocupam podem dizer não, precisam dizer não
a cada instante. Empresários, chefes, pessoas que detêm algum
poder e autoridade dizem não com naturalidade, pois é o
seu mecanismo de defesa natural. A beleza do processo, é quando
quem pode e sabe bem dizer não, tem a grandeza, a generosidade
de dizer sim. Muitas vezes o poder se refugia no sistemático não.
Torna-se um vício, um bordão defensivo. O não afasta
os predadores de plantão, poupa tempo, e dá ao assediado
um tempo para refletir em meio a um constante bombardeio de demandas e
ataques.
O uso do não para os poderosos equivale a uma mão espalmada
no peito do “invasor”, uma espécie de vade retro.
Quando um poderoso ou uma poderosa se dá ao luxo de dizer sim,
e tem a grandeza do acatamento, sem medo de demonstrar fragilidade, estamos
diante de uma alma grandiosa. Portanto, sim e não escasso valor
absoluto possuem.
Quando o fraco tem a coragem de dizer não e o forte de dizer sim,
estamos colocando nos eixos reais essas duas palavrinhas que aí
sim adquirem sua real dimensão semântica. O não pode
salvar a sua vida, e o sim pode levá-lo ao paraíso, depende
como dizia a letra do samba, “de hora e lugar”.
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