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Dicas para a saúde mental da mulher

Por Dr. Joel Rennó Jr. - Famosos cometem equívocos ao falarem sobre drogas


Dr. Joel Rennó Jr.

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Personalidades do mundo artístico e esportivo vivem emitindo opiniões em assuntos médicos sem nenhum conhecimento de causa.

Embora as intenções sejam as melhores possíveis, suas declarações podem influenciar jovens e causar sérios danos à saúde.

Um exemplo recente foi uma declaração da atriz Luana Piovani numa entrevista ao jornal alternativo carioca, O Tempo. Ela teria declarado que fuma maconha. Ontem (6 de novembro), em nota no seu site oficial, ela disse que tudo não passou de um mal entendido.

Episódio semelhante aconteceu dois anos atrás, quando a apresentadora Soninha perdeu seu emprego na TV Cultura ao declarar à Revista Época que consumia a droga.

A maconha é uma droga que comprovadamente pode causar dependência, perda de memória e até esquizofrenia em alguns usuários crônicos vulneráveis.

Procaína

Um outro caso recente é o da procaína, anestésico aplicado na via intra-muscular utilizado há décadas por dentistas. Ela é considerada por celebridades como a droga da eterna juventude e da energia.

Apesar de todas evidências científicas contrárias, artistas e atletas teimam em dar depoimentos sobre os poderes dela na melhora do humor, depressão, disposição e libido.

Essa conduta mexe com o inconsciente coletivo das pessoas. Afinal de contas, quem, em sã consciência, não quer uma receita da eterna juventude?

Efeito placebo da procaína

Falamos em efeito placebo quando damos a um paciente, por exemplo, com depressão, uma substância inócua (um comprimido contendo pílula de farinha) e ele melhora do quadro de depressão até por auto-sugestão. Este efeito é responsável pela melhora de quadros depressivos em cerca de 30% a 40% dos pacientes, nos diversos ensaios clínicos sobre depressão. É nessa situação que a atuação da procaína se encontra e, pior ainda, pode dar vários efeitos colaterais danosos à saúde como tremores, convulsão e até doenças auto-imunes.

Suplementos vitamínicos e sais minerais

Outra "febre" atual é o excessivo consumo dos suplementos, compostos por vitaminas, sais minerais e aminoácidos (constituintes da proteína). Deve-se ter cuidado, pois não há estudos que comprovem as doses corretas para cada indivíduo. O excesso de vitaminas, por auto-administração, pode levar a várias lesões em órgãos como o sistema nervoso central, pele, fígado e até os rins.

Qual é a solução?

As pessoas procuram soluções rápidas, fáceis e práticas contra os problemas de saúde e o próprio processo de envelhecimento. Poucos têm coragem de enfrentar um trabalho psicoterapêutico sério que promova um amadurecimento psicológico para lidar com as situações de estresse e emoções conflitantes que interferem na saúde global.

Deparo-me, na prática clínica, com várias pessoas que investiram somente em aspectos externos e acabaram com sérios transtornos mentais. É uma perda e dor irreparáveis com grande sofrimento a todos os envolvidos.

Simpósio Internacional de Saúde Mental da Mulher Climatéria, de 28 e 29 de novembro de 2003, Auditório do Hospital Sírio Libanês, R. Dona Adma Jafet, 91 - Cerqueira César, São Paulo - SP

Coordenação e Organização:
PRO-MULHER-Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher

Mais informações tel: (11) 3069-6975, no site ambulim.org.br ou no e-mail ambulim@hcnet.usp.br

Clique aqui para falar com o Dr. Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr - Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta. Especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Doutor em Medicina (Psiquiatria) pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenador Geral do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.