| Comportamentos
que a família deve evitar ao lidar com o dependente químico
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Meu namorado sempre volta ao vício. Sei que brigar não
é a solução, mas também não posso aceitar
que essa situação se estenda. Ele não se droga na
rua, mas em casa com o conhecimento dos pais
Resposta: Indivíduos dependentes de substâncias
psicoativas devem ter em mente que, apesar de algum tempo vivido de abstinência,
o risco de voltar a consumir a substância da mesma forma que na
época anterior à cessação do uso, é
alto. Basta voltar a “re-experimentar”. Tecnicamente, chamamos
isso de “reinstalação” do quadro.
Os pais que permitem ao filho usar dentro de casa, porque “é
mais seguro do que usar na rua” devem estar cientes de que esta
postura apenas reforçará o comportamento relacionado ao
consumo, mantendo e recrudescendo o quadro. Extrema condescendência
e extremo autoritarismo devem ser sempre evitados.
Os pais precisam de orientação. Na grande parte das vezes,
eles conhecem os problemas advindos do uso inadequado das drogas, mas
não conhecem as formas mais adequadas para lidar com o problema.
Muitas vezes, são os próprios pais que “financiam”
o consumo de drogas pelos filhos, fornecendo dinheiro e outros recursos,
que são utilizados pelos mesmos usuários para a obtenção
das substâncias.
Muitos membros familiares do dependente comportam-se
de uma determinada maneira que, direta ou indiretamente, apóiam,
facilitam ou perpetuam o uso inadequado de substâncias pelos filhos.
Membros familiares que consciente ou inconscientemente recusam-se a confrontar
ou, até mesmo, reconhecer o problema da dependência química,
apenas aumentarão os problemas futuros. Alguns desses comportamentos
indesejáveis dos familiares são apontados abaixo:
a) Minimização – os familiares ignoram,
racionalizam ou tentam explicar o uso de drogas, atribuindo-o a uma fase
passageira, já que “muitas pessoas usam drogas hoje em dia”,
ou “ele (o usuário) está passando por uma fase difícil
e a droga lhe dá algum alívio”, ou “ele teve
uma vida difícil, com vários traumas. Ele precisa melhorar
de vida antes de conseguir parar de usar drogas”;
b) Controle – tentar controlar ou manipular o uso
de drogas pelo dependente; fazer barganhas com o usuário. Por exemplo,
propor ao usuário “consumir apenas um baseado por dia”,
ou “usar somente à noite, antes de dormir”, ou propondo
“usar aos finais de semana apenas”;
c) Proteção inadequada – tentar proteger
o usuário das conseqüências negativas do uso. Por exemplo,
desculpando o usuário, negando a responsabilidade do mesmo pelos
seus próprios atos;
d) Assumir responsabilidades do usuário –
pagar contas do usuário; desempenhar as tarefas domésticas
atribuídas ao membro familiar dependente, sem cobrá-lo;
defendendo-o de problemas externos e assumindo a responsabilidade por
eles;
e) Conluio – ajudar o usuário a obter as
drogas, já que “ele sente falta e pode passar muito mal sem
elas ou ficar violento sem o uso delas”.
Alguns familiares acabam por organizar suas vidas ao redor do dependente,
tentando controlar ou manejar os comportamentos e problemas do usuário.
Outras vezes, os familiares tentam esconder o problema de outros membros
da família que moram na mesma casa. O segredo não deve ser
mantido. O problema deve ser encarado e confrontado de forma clara, transparente
e objetiva.
Não há qualquer problema em querer ajudar um membro da família
ou amigo em dificuldades, enfrentando as mais variadas situações
adversas. O comportamento de ajuda deve ser constantemente estimulado,
tendo em vista a sociedade individualista em que nós vivemos. No
entanto, “ajudar” requer SABER como “ajudar”.
A pessoa que insiste em “ajudar” através de formas
erradas, acaba por afetar negativamente tanto o usuário quanto
ela própria engajando-se ambos em um processo devastadoramente
patológico.
Sempre reitero: a família do dependente precisa também estar
inserida no tratamento.
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Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma
consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não
se caracterizam como sendo um atendimento
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