| Até pouco tempo atrás,
a universidade era espaço destinado prioritariamente aos jovens,
o futuro do país. A grande demanda do envelhecimento populacional,
com o aumento da longevidade, refletiu na tomada de consciência
por parte dos programas educacionais, de que a educação
poderia ser um processo permanente, contínuo e aberto a todas as
idades, embora a universidade sempre estivesse aberta a todas as pessoas.
Recentemente, a educação, sobretudo as universidades, têm
dado atenção ao fenômeno do envelhecimento e à
inclusão das pessoas mais velhas em seus programas de educação
permanente.
| "Educação
deve ser um processo contínuo e permanente vivido pelo ser
humano por toda a vida, não só pelo contato com a escola
e universidades, pelo sistema formal, mas também por meio da
sociedade que transmite, conserva e aperfeiçoa seus valores" |
A educação permanente propicia às
pessoas uma adaptação social, o aprendizado contínuo
e oportunidades para buscar o seu bem-estar físico e mental.
Por meio da educação permanente, os programas educacionais
destinados às pessoas idosas nas Universidades Abertas à
Terceira Idade têm possibilitado um grande número de
pessoas adultas e idosas à atualização, aquisição
de novos conhecimentos, participação ativa em atividades
culturais, sociais, políticas, de saúde e de lazer.
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A participação de idosos nesses programas tem despertado
a grande maioria dessa camada da população para a tomada
de consciência do envelhecimento ativo, do alcance de um envelhecimento
bem-sucedido e da boa qualidade de vida na velhice. Nos programas de educação
permanente, destinados aos idosos, o trabalho em conjunto de aluno-professor,
impulsiona-os para o aprendizado mútuo, recíproco, em que
o professor e o aluno, juntos, dividem expectativas e ansiedades, descobrindo
formas de vencer preconceitos e enfrentando desafios impostos pela sociedade
às pessoas mais velhas.
As Universidades Abertas à Terceira Idade foram criadas para ser
um espaço destinado à educação permanente
das pessoas idosas. Porém, pessoas de outras faixas etárias,
como sendo da maturidade, ou seja, com idades abaixo de 60 anos, também
têm participado ativamente dos programas das Universidades para
a Terceira Idade, principalmente pessoas que quando jovens não
tiveram acesso à Universidade, pessoas aposentadas, livres de suas
responsabilidades de criação dos filhos ou do trabalho rotineiro.
No Brasil, após um período de experiência e aprendizagem
com as atividades de educação para os idosos, tem-se buscado
consolidar e ampliar os objetivos desses programas de acordo com as diretrizes
da educação nacional, que funcionem de maneira integrada
e interdisciplinar, mesmo com as dificuldades de um país ainda
em crescimento. Atualmente, a grande maioria dos programas universitários
brasileiros para o grupo de pessoas da terceira idade segue o modelo francês
(modelo tradicional da Universidade de Toulouse) que privilegia a reinserção
social dos idosos e a educação permanente, tornando-se um
espaço em que os idosos podem relacionar-se, utilizar criativamente
seu tempo livre, estudar e atualizar-se em cursos regulares ou organizados
de acordo com seu perfil.
Na França, o conceito de organização desses espaços
universitários evoluiu implantando programas que além de
contar com a educação permanente, contam também com
a preparação dos idosos para intervirem em problemas sociais,
desenvolvimento de pesquisas gerontológicas (isto é, do
desenvolvimento físico, psicológico e social do idoso) e
atividades baseadas em participação, autonomia e integração.
| "Pessoas que ao longo
da vida têm oportunidades adequadas para adquirir e colocar
em prática seus conhecimentos, aprimorar habilidades, manter
relacionamentos sociais significativos e, estando motivadas, melhoram
o seu bem-estar" |
A lei que define a Política Nacional do Idoso
(Congresso Nacional, 1994), aponta com clareza a necessidade de se
formar pessoal de nível superior para atendimento às
demandas dos idosos, de se produzirem conhecimentos sobre os processos
de envelhecimento e de se criarem Universidades Abertas à Terceira
Idade. É de suma importância que o professor tenha conhecimento
gerontológico, com a consciência de que a população
mais velha possui características peculiares. |
Os conteúdos desenvolvidos pelas Universidades Abertas à
Terceira Idade, estimulam as possibilidades individuais, a consciência
crítica, a reflexão, a autonomia, o exercício de
cidadania, aumento das redes de relações, as relações
intergeracionais, abrem horizontes para novas idéias criativas,
proporcionam o aumento da cultura, do lazer, da atividade física
e mental, valorizam as histórias de vida, os resgates de experiências,
a quebra de tabus e preconceitos com relação à velhice.
Enfim, possibilitam novas formas de melhorar a qualidade de vida e a adaptação
social das pessoas adultas e idosas.
Experiências têm mostrado que quando as pessoas ao longo do
seu desenvolvimento, possuem oportunidades adequadas para adquirir e colocar
em prática seus conhecimentos, aprimorar habilidades, manter relacionamentos
sociais significativos e, estando motivadas, melhoram o seu bem-estar.
A educação deve ser um processo contínuo e permanente
vivido pelo ser humano por toda a vida, não só pelo contato
com a escola e universidades, pelo sistema formal, mas também por
meio da sociedade que transmite, conserva e aperfeiçoa seus valores.
A universidade significa ter o conhecimento “universal”. A
vida em sociedade também proporciona o conhecimento de mundo e
até em fases mais avançadas a escola e as agências
institucionais devem valorizar esse conhecimento de mundo das pessoas
mais velhas.
Nem a criança e nem o adulto por menos letrado que sejam, são
um papel em branco. O potencial humano para o desenvolvimento não
se encerra na vida adulta e ou na velhice. É importante lembrar
que em todas as idades o ser humano tem a possibilidade de progredir.
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