| O artigo anterior
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os efeitos benéficos da atividade física na epilepsia, assim
como as indicações e contra-indicações de
atividades esportivas. É importante ressaltar que além dos
efeitos fisiológicos e psicológicos positivos da atividade
física na epilepsia, conseqüências importantes na qualidade
de vida desses indivíduos são observadas após uma
atividade física regular.
| "Ao mesmo tempo em que
o exercício físico modifica positivamente os aspectos
fisiológicos e psicológicos de pessoas com epilepsia,
restringi-los da participação de atividades físicas
ou esportivas pode causar efeitos deletérios físicos
e mentais" |
Os efeitos negativos da epilepsia na qualidade de
vida estão bem descrito na literatura. Vários fatores
como, condições emocionais, cognitivas e comportamentais,
estabilidade familiar, auto-estima, estigma e controle das crises
epilépticas parecem ser de fundamental importância para
a qualidade de vida do indivíduo com epilepsia. |
Alguns estudos têm mostrado um significante impacto
das crises epilépticas em vários domínios da qualidade
de vida, particularmente com grande efeito nos hábitos de atividade
física. Neste sentido, as pesquisas têm mostrado um baixo
grau de participação em atividades físicas entre
pessoas com epilepsia. O grau de participação em atividades
físicas de pessoas com epilepsia tem sido considerado baixo. Um
estudo na Noruega mostrou que somente 23% das pessoas com epilepsia participavam
regularmente de atividade física. Apesar de vários estudos
epidemiológicos terem sido realizados a este respeito, estas amostras
de pessoas com epilepsia não podem ser aplicáveis aos paises
em desenvolvimento, devido a condições socioeconômicas,
culturais e de assistência à saúde.
Neste sentido, um estudo realizado no Brasil *(Arida e colaboradores,
2003) analisou o grau de participação em atividades físicas
entre brasileiros com epilepsia. Apesar de que somente 15% das pessoas
com epilepsia serem qualificadas como ativas, isto é, exercitavam
regularmente, mais da metade delas participava de alguma atividade física
uma ou duas vezes por semana ou nos fins de semana.
Crise induzida pelo exercício físico
é a maior preocupação
Enquanto que a principal preocupação das pessoas com epilepsia
em relação ao exercício parece ser a crise induzida
pelo exercício físico, outros fatores como a falta de facilidades
para praticarem exercícios, problemas com transporte, baixa motivação,
efeitos adversos das drogas antiepilépticas e falta de profissionais
qualificados que sabem como lidar com esses problemas são vistos
como importantes fatores justificáveis para uma baixa participação
em atividades físicas ou esportivas.
Pessoas com epilepsia freqüentemente apresentam doenças psiquiátricas,
especialmente depressão e ansiedade, além de uma baixa auto-estima.
Todos esses problemas de causa emocional prejudicam a qualidade de vida
das pessoas com epilepsia. Na população geral, o exercício
físico moderado tem sido mostrado em fornecer efeitos benéficos
no humor, na melhora da depressão, atenuando o impacto dos eventos
estressantes da vida diária.
Inúmeras pesquisas demonstram que as pessoas com epilepsia podem
obter efeitos psicológicos positivos da atividade física.
Por exemplo, **um estudo mostrou que os indivíduos ativos com epilepsia
tinham níveis significantemente mais baixos de depressão
e melhora psicossocial que as pessoas inativas. ***Outros estudos mostraram
uma melhora da qualidade de vida, uma melhora no estado mental assim como
uma melhor sociabilidade. ****Outro estudo mostrou que uma melhora no
humor e qualidade de vida das pessoas com epilepsia que participavam de
um programa de exercícios de 12 semanas.
Ao mesmo tempo em que o exercício físico modifica positivamente
os aspectos fisiológicos e psicológicos de pessoas com epilepsia,
restringi-los da participação de atividades físicas
ou esportivas pode causar efeitos deletérios físicos e mentais.
Restringir esses indivíduos do exercício físico pode
causar um sentimento de inferioridade que pode levara depressão
e ansiedade. Os riscos envolvidos na participação esportiva
deveriam ser considerados em relação ao trauma psicológico
resultante de restrição desnecessária de atividades
físicas. Acredita-se que as alterações emocionais
decorridas pela restrição da atividade esportiva nestes
indivíduos são mais prejudiciais que as próprias
crises epilépticas.
Dos vários fatores envolvidos na melhora da qualidade de vida de
pessoas com epilepsia, a atividade física regular, programas de
exercícios físicos ou atividades esportivas exercem importante
papel neste contexto.
* Epilepsy & Behavior, 2003; 4: 507–510. Evaluation of physical
exercise habits in Brazilian patients with epilepsy. Ricardo Mario Arida,
Fulvio Alexandre Scorza, Marly de Albuquerque, Roberta Monterazzo Cysneiros,
Ricardo Jaco de Oliveira and Esper Abrão Cavalheiro.
**Roth DL, Goode KT, Williams VL, Faught E. Physical exercise, stressful
life experience, and depression in adults with epilepsy. Epilepsia,
35(6):1248-1255, 1994.
*** Eriksen HR, Ellertsen B, Gronningaeter H, Nakken KO, Loyning Y, Ursin
H. Physical exercise in women with intractable epilepsy. Epilepsia,
35:1256-1264, 1994.
Nakken KO, Bjorholt PG, Johannesen SL, Loyning T, Lind E. Effect of physical
training on aerobic capacity, seizure occurrence, and serum
level of antiepileptic drugs in adults with epilepsy. Epilepsia, 31:88-94,
1990.
****McAuley JW, Long L, Heise J, Kirby T, Buckworth J, Pitt C, Lehman
KJ, Moore JL, Reeves AL. A Prospective Evaluation of the Effects of a
12-Week Outpatient Exercise Program on Clinical and Behavioral Outcomes
in Patients with Epilepsy. Epilepsy Behav., 2(6):592-600, 2001.
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