| Crianças com
níveis baixos de atividade física apresentam maiores chances
de desenvolver doenças cardiovasculares, obesidade, artrite, diabetes
e outras doenças relacionadas ao sedentarismo observadas em adultos.
| "Pais estimulam os filhos
sem epilepsia a praticarem exercícios físicos e mostram
uma atitude de superproteção em relação
aos outros filhos com epilepsia, fazendo com esses evitem a prática
esportiva" |
A epilepsia é uma das mais comuns doenças
neurológicas em crianças, afetando aproximadamente 1
% da população pediátrica. A atividade física
tem mostrado grandes benefícios fisiológicos e psicológicos
em pessoas com epilepsia. |
Entretanto, muitos profissionais da área de saúde
contra-indicam a prática de exercícios físicos ou
atividades esportivas para as crianças com epilepsia por acharem
que o exercício físico possa desencadear crises epilépticas
ou lesões durante a prática dos exercícios físicos.
Assim, o estigma e o preconceito da epilepsia diminuem ainda mais o incentivo
para as crianças na participação de atividades esportivas.
Um estudo realizado por Judy Wong e Elaine Wirrell *, pesquisadores da
Universidade de Alberta e Universidade de Calgar, Canadá demonstrou
resultados muito interessantes em relação aos hábitos
de atividade física entre irmãos com epilepsia.
Neste estudo, foi comparado o nível de atividade física
de crianças com epilepsia em relação aos seus irmãos
sem epilepsia. Verificou-se que as crianças com epilepsia eram
menos ativas fisicamente, com menor participação em atividades
esportivas que seus irmãos sem epilepsia. Além disso, as
crianças com epilepsia apresentavam índice de massa corporal
maior, isto é, eram mais obesas.
A falta da participação em atividades esportivas neste grupo
de crianças pode refletir um maior isolamento social, o que é
comum nesta população específica.
Neste sentido, parece que os pais estimulam os filhos sem epilepsia a
praticarem exercícios físicos e mostram uma atitude de superproteção
em relação aos outros filhos com epilepsia, fazendo com
esses evitem a prática esportiva.
Apesar da maioria dos esportes ser seguro para pessoas com epilepsia,
algumas atividades necessitam de supervisão, como esportes aquáticos
e esportes em altitudes. Detalhes das atividades esportivas recomendadas
e contra-indicadas para pessoas com epilepsia foram mostradas em matérias
anteriores sobre epilepsia e exercício físico - artigos
anteriores clique aqui.
Desta forma, é importante encorajar e orientar os pais dos efeitos
positivos do exercício físico no desenvolvimento físico
e psicológico das crianças com epilepsia.
*Judy Wong and Elaine Wirrell. Physical Activity in Children/Teens with
Epilepsy Compared with That in Their Siblings without Epilepsy. Epilepsia,
47(3):631–639, 2006.
|