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"Esclerose
múltipla não é 'doença de velho' "
Dia 27 de maio é o Dia Mundial da Esclerose Múltipla.
Essa é uma doença que poucas pessoas conhecem, mas cuja
estimativa só no Brasil é de mais de *30 mil portadores
atualmente e cerca de dois milhões no mundo.
Não tenho a menor pretensão de falar da parte física,
a reação do organismo em cada portador, ou seja, da parte
médica, mas sim refletir sobre seu aspecto simbólico perante
uma doença considerada auto-imune, e que a psicossomática
colabora com sua literatura para quem tem necessidade de maior informação.
Como sempre pensamos que doenças sérias, tragédias,
acidentes, só acontecem com os vizinhos, nunca conosco, por isso
é importante, principalmente pela falta de divulgação,
agora um pouco maior pela mídia pelo fato da atriz Cláudia
Rodrigues ter aberto ao público ser portadora da Esclerose Múltipla
- EM, levar alguma informação do pouco que se sabe pelos
próprios profissionais da classe médica.
Quando se fala em esclerose, logo se pensa em doença de 'velho',
terceira idade, mas não é nada disso. Os sintomas são
mais evidentes dos 20 aos 40 anos, mas podemos ver crianças de
8, 10 anos, já sendo portadoras, com predominância nas mulheres,
mas como é uma doença difícil de ser diagnosticada,
podendo levar anos até o diagnóstico final, sempre é
válida mais e mais informação, pois nunca sabemos
quem poderá desenvolvê-la.
Mas afinal, o que é esclerose múltipla?
É uma doença do sistema nervoso central que afeta o cérebro
e a medula espinhal, interferindo na capacidade do cérebro em controlar
funções importantíssimas como caminhar, enxergar,
falar, etc. É importante salientar que não é uma
doença mental, nem contagiosa, nem hereditária e nem fatal.
Atualmente, embora ainda não se saiba a causa, não exista
cura e não há como determinar quem poderá desenvolver
a E.M., mas existem medicamentos que podem modificar a evolução
da doença.
Os sintomas variam muito de pessoa para pessoa e da parte afetada do sistema
nervoso, por isso o mais importante ao reconhecer alguns dos sintomas
é procurar um neurologista de sua confiança para a realização
de exames laboratoriais e clínicos. Os sintomas mais comuns são:
- problemas de visão dupla, perda de visão ou de uma vista;
- problema na fala, como fala arrastada, lenta;
- tremor nas mãos;
- fraqueza ou cansaço anormal;
- paralisia parcial ou total de uma parte do corpo;
- perda de coordenação dos movimentos;
- dormência ou sensação de formigamento;
- perda de controle da bexiga e do intestino;
- arrastar os pés ao caminhar.
Estes são apenas alguns dos sintomas, mas nunca pense que você
está com a doença sem procurar um profissional capacitado
para o diagnóstico, pois outras doenças do sistema nervoso
apresentam alguns dos sintomas da E.M.. O mais desagradável de
tudo isso, não são apenas esses sintomas, mas sim o fato
de que a E.M. interrompe o fluxo de mensagens dos nervos. A maioria das
fibras nervosas estão envolvidas pela mielina, uma substância
de gordura que facilita a transmissão das mensagens, e na E.M.
a mielina é destruída, e por este motivo a transmissão
das mensagens são retardadas ou bloqueadas, podendo causar muitos
danos. Ou seja, há uma degeneração da capa de mielina
que recobre os nervos, o que a longo prazo leva à perda da capacidade
de condução nervosa, é como se a comunicação
fosse interrompida. Mas é possível reduzir seus efeitos
com um tratamento adequado. Dessa forma, como não há como
saber qual área do cérebro poderá sofrer uma lesão,
não há como saber que parte do corpo poderá ser afetada.
A psicossomática nos leva a refletir sobre o aprendizado
que cada sintoma/doença o inconsciente quer nos sinalizar. É
preciso assim, que a própria pessoa entenda que o inconsciente
- parte importante de nossa mente - se expressa através de sonhos
e também através de nosso corpo. É preciso entender
essas mensagens de maneira simbólica, pois esta é a linguagem
do inconsciente e que este deseja mostrar ao portador. Há uma imensa
capacidade de transformar cada sintoma em uma oportunidade de crescimento.
Para isso é preciso interpretar cada sintoma. Por exemplo, se está
com uma dor no ouvido, deve se perguntar: "o que não quero
ouvir?" ou ainda, "o que ouvi e não gostei?" essa
é a linguagem simbólica do inconsciente.
Sim, é preciso coragem para olhar bem dentro de si e aprender o
que o nosso corpo está querendo transmitir e ensinar. Tudo aquilo
que não queremos ver em nós mesmos, ignoramos e deixamos
de lado, na 'sombra' como define Jung. A sombra consiste em tudo aquilo
que não percebemos e não aceitamos e não gostaríamos
de ver. Sintomas nada mais são que manifestações
da sombra muito acessíveis devido ao fato de terem emergido das
profundezas da alma para a superfície do corpo, tornando-se indicadores
do caminho que devemos seguir, se estivermos dispostos na busca de si
mesmo e portanto, da cura.
Para entendermos melhor, vamos interpretar alguns sintomas, começando
a entender o termo esclerose, que traduzido do latim, significa endurecimento.
Esta expressão define o padrão psíquico básico
do afetado. Este se caracteriza por uma extraordinária dureza contra
si mesmo e contra o mundo, expressando-se como falta de consideração
em relação às próprias necessidades, negligenciando-as.
Em geral, são pessoas rígidas consigo mesmas e perfeccionistas,
tendendo a fazer tudo com perfeição, exigindo muito de si
mesma. Como o inconsciente é muito sábio, ele busca uma
forma alternativa da pessoa exercitar mudar alguns padrões de seu
comportamento, que muitas vezes nem havia sido percebido. Diante desse
quadro, alguns chegam a aceitar o diagnóstico como um alívio,
já que os libera da pressão sobre si mesmos, dando-lhes
um pretexto para relaxar ao menos um pouquinho o próprio perfeccionismo.
Eles agora não precisam mais poder e fazer tudo. Muitos se queixam
de dores nos pés, o que denota como para eles é doloroso
aguentar o caminho que está sendo percorrido.Em algumas fases,
alguns demonstram uma certa 'apatia', que vai além do seu significado
literal, já que quer dizer 'não sofrer' (do grego a = não
e pathos = sofrimento), como uma recusa em participar da vida e suas exigências.
Há uma perda de energia que surge em quase todos os casos, e aos
poucos vão se dando conta de que tudo lhes custa muito esforço.
Em alguns portadores as pernas não se sustentam mais, como se o
corpo sinalizasse que a base da vida perdeu sua capacidade de suporte.
A paralisia corporal externa pode demonstrar uma reprodução
da interna. Pesquisas sobre o sistema imunológico veemna
E.M. uma doença de auto-agressão. A rigidez e a concepções
fixas contrastam com a tendência de fazer justiça a tudo.
Com isso, negligenciam suas próprias necessidades, o que os torna
internamente irados. Sentindo-se muitas vezes incapazes de externas agressões,
eles a dirigem para dentro, contra si mesmos. Por isso é considerada
uma doença auto-imune, ou seja, a própria pessoa busca,
inconscientemente, se punir ou se destruir.
É importante lembrar que existem muitos serviços disponíveis
que podem ajudar os portadores da E.M. e suas famílias, e que podem
ser encontrados na ABEM - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESCLEROSE
MÚLTIPLA - Telefone: (11) 5587-6050. Ou no site: www.abem.org.br
O mais importante é a missão da ABEM: divulgar e esclarecer
a Esclerose Múltipla e suas terapias e proporcionar assistência
e orientação ao portador e seus familiares.
*Fonte: ABEM
Bibliografia indicada: "A Doença como Linguagem da Alma"
Rudiger Dahke
Ed. Cultrix
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