TCC - Terapia Cognitivo Comportamental
Entenda como a sua percepção da realidade afeta suas emoções

Você sabe o que é escoriação neurótica (skin picking) e tricotilomania?

por Thaís Petroff


"Maioria dos pacientes se agride diariamente, sentindo vergonha e falta de controle sobre o comportamento"
A escoriação neurótica ou skin picking é definida como uma dificuldade em resistir ao impulso de causar ou agravar lesões à própria pele (coçar, arranhar, picar), usando para isso unhas, dedos ou outros objetos.

Para que seja caracterizada como escoriação neurótica, deve-se perceber um padrão comportamental ou psicológico clinicamente importante (deve ocorrer frequentemente e ser algo que ocupe certo tempo e/ou seja motivo de preocupação para o indivíduo) e que cause risco significativo de sofrimento, dor ou deformidade.

A escoriação neurótica (skin picking) pode ocorrer sobre lesões já existentes (acne escoriada) ou sobre a pele sadia. Os locais mais acometidos são a face, membros superiores e inferiores.

A maioria dos pacientes se agride diariamente, sentindo vergonha e falta de controle sobre o comportamento. Costumam esconder as lesões e cicatrizes, por exemplo, utilizando maquiagem para camuflá-las. Quando é imposta alguma restrição a esse comportamento, o paciente relata dificuldade para se controlar. Há concordância nos relatos de que há um aumento de tensão antes do comportamento e alívio após o mesmo.

Tricotilomania

A tricotilomania caracteriza-se pelo ato de puxar de forma recorrente os próprios pelos ou cabelos por prazer, satisfação ou alívio de tensão, acarretando uma perda capilar perceptível. Os locais onde os pelos ou cabelos são arrancados podem compreender qualquer região do corpo (couro cabeludo, cílios, sobrancelhas, região púbica, períneo, axila e abdômen), sendo os pontos mais comuns o couro cabeludo, sobrancelhas e cílios.

O ato de arrancar cabelos pode ocorrer por curtos episódios ao longo do dia ou com menos frequência no decorrer do dia, mas com período de tempo mais prolongado, podendo se estender até por horas. Circunstâncias estressantes frequentemente aumentam esse comportamento, mas ele também ocorre em estado de relaxamento ou distração (por exemplo, assistindo televisão ou lendo um livro). Um sentimento de tensão aumentada está presente imediatamente antes do ato de arrancar os cabelos e há um alívio após o comportamento. Para alguns, a tensão não precede necessariamente o ato, mas está associada com tentativas de resistir a esse anseio. Alguns indivíduos experimentam uma sensação "tipo coceira" no couro cabeludo, que é aliviada pelo ato de arrancar os cabelos.

Os critérios diagnósticos do DSM-IV-R (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) para tricotilomania são:

A. Comportamento recorrente de arrancar os cabelos, resultando em perda capilar perceptível.

B. Sensação de tensão crescente, imediatamente antes de arrancar os cabelos ou quando o indivíduo tenta resistir ao comportamento.

C. Prazer, satisfação ou alívio ao arrancar os cabelos.

D. O distúrbio não é melhor explicado por outro transtorno mental, nem se deve a uma condição médica geral (por exemplo, uma condição dermatológica).

E. O distúrbio causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Tratamento

A combinação de farmacoterapia e terapia cognitivo-comportamental pode ser efetiva para o tratamento de ambas essas psicopatologias, reforçando a ideia de uma abordagem multidisciplinar para seu tratamento.

Nessas duas doenças a TCC enfoca as cognições disfuncionais (padrões de pensamento negativo) e/ou comportamentos que causam danos à pele ou ao cabelo, identificando-os e, modificando esses pensamentos para outros alternativos e mais funcionais; substituindo os comportamentos inadequados por comportamentos assertivos e/ou mais adequados.

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Thaís Petroff
Psicóloga & Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental
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