| Atleta frente às competições:
"Focar na vitória é um erro"; saiba por quê
Na primeira parte deste texto, apresentei as seis primeiras dicas para
o treinador de jovens desportistas (clique
aqui). Vou apresentar agora as outras cinco dicas
para especialistas que visam o sucesso e ao mesmo tempo se preocupam com
a formação integral dos jovens.
Essa formação indica que desde a infância, aspectos
sociais, familiares, emocionais, éticos e filosóficos precisam
estar contemplados na experiência esportiva do atleta em formação
e/ou especializado. Ademais, a preparação específica
de cada esporte não é desprezada, muito pelo contrário,
ela é expandida e redimensionada com o objetivo de relacionar o
esporte com a complexa experiência da vida interior do ser humano
atleta.
Por isso, reafirmo o quão é importante a participação
dos profissionais do esporte no momento da formação e especialização
dos atletas, independentemente se tornarão atletas profissionais.
7ª) Conhecer aspectos específicos da modalidade esportiva
A expectativa do jovem de aprender a praticar bem o esporte escolhido,
melhorar cada vez mais seu desempenho e conseqüentemente buscar sua
auto-realização serão desafios constantes para os
treinadores. Para enfrentá-los e obter sucesso o conhecimento é
condição primordial, ou seja, o treinador deve saber: detalhes
da aprendizagem, descobrir caminhos no processo de desenvolvimento e melhoria
das habilidades para a adequação dos desafios e mais, ele
precisa promover treinos de alta qualidade, encontrar soluções
de problemas e atualizar-se sobre conteúdos do esporte.
8ª) Transmitir valores educativos, morais, sociais e culturais
O esporte pode ser um valioso instrumento na formação de
jovens. Se um determinado atleta infanto-juvenil se tornará um
grande profissional ou não, é uma outra questão.
O fundamental é que o desempenho esportivo não seja o único
objetivo dos treinadores. É possível entender que na busca
do sucesso esportivo valores como, respeito, autodisciplina, comprometimento
social, honestidade, autoconhecimento e outros podem fazer parte do conteúdo
da experiência esportiva.
9ª) Fazer com que os atletas não considerem a competição
“maior que a própria vida”
O esporte competitivo pode ser uma excelente experiência na vida
dos jovens: desenvolve habilidades gerais (psicofísicas), auxilia
no amadurecimento emocional, facilita a socialização e tantas
outras experiências importantes. No entanto, é fundamental
aceitar a competição como um momento da vida que diverte,
auxilia o crescimento pessoal e mais uma das diversas atividades da vida
e não a única. Assim evita-se que os jovens interpretem
o esporte competitivo o que mais importa na vida e conseqüente a
formação de uma personalidade afeita a obter sucesso a qualquer
preço. Além disso, ao considerar que mesmo os atletas de
alto nível têm em média um ciclo de doze anos de vida
competitiva, percebe-se o quanto é importante a preparação
para uma vida fora do esporte.
10ª) Trabalhar para que o atleta focalize o que fazer para
vencer e não diretamente a vitória
Vencer é o objetivo consagrador do esporte. Mas se o atleta focar
somente a vitória, possivelmente não conseguirá concentrar-se
nos caminhos (treinamentos) que o levarão naturalmente à
vitória. Ficar pensando em vencer por muitas vezes é perda
de energia e desnecessário pois, na mente do atleta, mesmo em tenra
idade isso já está bem claro. Parece estranho, mas não
é, muito pelo contrário: Pensar “O que tenho que fazer
para vencer?” é mais funcional do que pensar na vitória
propriamente dita.
Desde cedo é fundamental que os jovens aprendam que o valor do
sucesso está em todo o processo que o precedeu: dedicação
aos treinamentos, autodisciplina, insistência, paciência,
humildade e tudo o mais que providencia as vitórias.
11ª) Evitar menosprezar ou ridicularizar o jovem atleta
devido a erros cometidos
Ficar ansioso para que os jovens aprendam algo rapidamente ou em vencer,
faz com que certas vezes, o profissional menospreze ou ridicularize o
jovem mesmo sem uma velada intenção. Uma palavra ou gesto
impensado (ou não) pode gerar constrangimentos com muitas repercussões
negativas tanto no âmbito esportivo (desempenho) como pessoal (tristeza
e angústia, por exemplo).
O erro é algo que deve ser aceito como parte do processo esportivo
e um desafio a ser ultrapassado, com calma, respeito e muita paciência.
É fundamental lembrar que muitos atletas gloriosos falharam antes
de obter sucesso e permanecem convivendo com novos erros e tentativas
de corrigi-los constantemente. A harmonia entre treinadores e atletas
no esporte começa na aceitação dos erros como parte
do processo esportivo e através da constante iniciativa de tentar
superá-los.
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