| Psicologia do Esporte | |||||
| Entenda a relação entre corpo, mente, saúde e bem-estar | |||||
Por que esportes radicais atraem tanto? |
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| por Renato Miranda | |||||
| Certa
vez estava participando de um trekking (caminhar em regiões
naturais) pelas montanhas da Serra dos Órgãos no Estado
do Rio de Janeiro. Era uma travessia entre as cidades de Petrópolis
e Teresópolis. Nesse trekking as pessoas caminham entre
montanhas em altitudes que chegam a mais de dois mil metros, e passam
por lugares cujos praticantes podem sofrer sérios acidentes caso
não tomem os devidos cuidados.
Aqui vai minha explicação, que serve para qualquer tipo
de atividade ou esporte dito radical, que mesmo com certa carga de perigo,
atrai um número considerável de pessoas. O SNA é altamente sofisticado por isso tem duas divisões: em ação o SNA é “ajustado” pelo Sistema Nervoso Simpático (SNS), em recuperação esse “ajuste” é feito pelo Sistema Nervoso Parassimpático (SNP). Sabedoria do corpo O controle automático do nosso organismo para adaptar e se regular
frente às demandas da ação e recuperação
recebe o nome de homeostasia, que se refere à permanente tendência
dos organismos de manter a constância interna. É o que o
fisiologista americano Walter Cannon (1871-1945) chamou de “sabedoria
do corpo”, como nos ensina o mestre neurocientista Roberto Lent.
Em resumo, quando nosso colega de trekking está à beira de um penhasco seu Sistema Nervoso Simpático é ativado para ficar em alerta e preparar suas ações. Assim, o SNS prepara o corpo para “lutar ou fugir” diante um desafio, tarefa ou ameaça providenciando ajustamentos fisiológicos tais como: variação da freqüência e força dos batimentos cardíacos para que o sangue seja bombeado mais rápido pelo corpo, variação da respiração para fornecer oxigênio com mais eficiência, dilatação das pupilas para uma melhor acuidade visual e ativação aguda do sistema neuromuscular para preparar os movimentos. Toda essa experiência interna acontece em poucos segundos e há uma química natural para favorecer esse “estado de alerta” frente aos desafios e/ou ameaças. Vários hormônios neurotransmissores como a noradrenalina e cortisol são produzidos pelo organismo a fim de “agilizar” a ação simpática. Porém a adrenalina é o hormônio neurotransmissor que melhor representa essa química, pois seu efeito sobre o SNS é contundente, alterando o funcionamento do coração, pulmões e participa dos demais ajustes fisiológicos descritos anteriormente. A produção de adrenalina é feita por glândulas que ficam acima dos rins chamadas de supra-renais, toda vez que somos expostos a uma grande demanda de estresse físico (exercícios árduos) ou psíquico (medo) a adrenalina será liberada para preparar o organismo para “lutar ou fugir”. Quando enfrentamos desafios, uma pequena variação da adrenalina chamada noradrenalina é produzida a fim de regular nosso tônus muscular para a ação e promover nosso comportamento de impetuosidade. Isso acontece quando estamos preparados para enfrentar a situação ameaçadora ou desafio. Adrenalina e noradrenalina Medo, controle, alerta e euforia O perigo reside na autoconfiança exacerbada, que faz o atleta esquecer os procedimentos de segurança básicos e ignorar o perigo, desprezando os sinais de medo que a adrenalina proporciona. O medo é importante para lhes manter em alerta e fora dos riscos desnecessários. Nota-se que há um número considerável de acidentes fatais registrados com excelentes atletas que em grande parte dos casos, sucumbiram por desprezar o perigo e os sinais do medo. Em conclusão, poderíamos dizer que na prática de
esportes radicais não é adrenalina pura (lembre-se da noradrenalina!)
e que todos os bons atletas têm medo. Caso contrário, para
que serviria a coragem? | |||||
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