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Alucinação auditiva nem sempre é sinal de doença mental

Da Redação

Diferenças entre alucinose auditiva e alucinação auditiva por esquizofrenia - clique aqui

Especialista da Faculdade de Medicina da USP alerta população sobre as diferenças de alucinose e esquizofrenia e destaca principais sintomas das doenças Interpretado por Bruno Gagliasso na novela Caminhos das Índias, Tarso vive o drama de mais de um milhão e meio de pessoas no Brasil que sofrem com alucinações auditivas devido à esquizofrenia.

Considerada um tipo de psicose, a esquizofrenia afeta o julgamento crítico que as pessoas fazem do mundo e as alucinações auditivas percebidas somente por eles são características da doença. O conteúdo das vozes, na maioria das vezes, é claramente identificado e tem uma conotação depreciativa ou de perseguição.

Apesar de ser uma campanha muito bem desenvolvida pela autora Glória Perez, alguns especialistas alertam para o fato de que algumas pessoas com sintomas similares nem sempre têm doenças mentais. O Grupo de Pesquisa em Zumbido da Faculdade de Medicina da USP, através de atendimentos, identificou nos últimos dois anos e meio, mais de 17 casos de pacientes que apresentaram alucinose auditiva.

Segundo a Profa. Dra. Tanit Ganz Sanchez, otorrinolaringologista e chefe do Grupo, a alucinose dos pacientes atendidos foi identificada principalmente como sons de músicas sem controle, vozes não identificadas ou de chamados do próprio nome. Diferente do que a equipe pensou num primeiro momento, nenhum desses casos teve diagnóstico de esquizofrenia ou outro tipo de psicose. A grande maioria apresentou esse quadro em decorrência de perda auditiva antiga sem tratamento, associada ou não a uma depressão.

Todos os pacientes atendidos eram extremamente conscientes do seu problema e tinham o julgamento preservado de que esses sons eram produzidos pelo seu cérebro, diferente do que ocorre com os pacientes que sofrem com a esquizofrenia. “Ouvir essas músicas da alucinose nem sempre é desagradável para os pacientes - por exemplo, quando ouvem o Hino Nacional, Ave Maria ou O Carinhoso ou marchinhas de carnaval, mas eles se preocupam com o fato delas se repetirem frequentemente. É importante diferenciar as duas coisas para não gerar pânico desnecessário”, comenta a especialista que, além do Grupo de Pesquisa em Zumbido, também coordena o Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido (GAPZ).

Alucinose e zumbido

A alucinose pode ou não ter uma relação com o Zumbido – sintoma que atinge 28 milhões de brasileiros e que gradativamente vem acometendo mais jovens. Diferente das alucinações, geralmente ocorre em pacientes que não recebem tratamento adequado para perda auditiva. Para prevenção é necessário a devida atenção e conscientização sobre os riscos que habitualmente enfrentamos quanto aos ruídos externos de alta intensidade.

Conheça as principais diferenças

Alucinose auditiva Alucinação auditiva por esquizofrenia
Paciente com crítica (compreende que o som produzido vem do próprio cérebro)
Falta de crítica (correspondem as ordens das vozes
Tendência de ter perda auditiva
Não apresenta perda auditiva necessariamente
Pode ou não ter depressão associada
Paciente com depressão psicótica
Profissional Responsável: Otorrinolaringologista e Psicólogo Profissional Responsável: Psiquiatra

SERVIÇO

O GAPZ que presta serviços voluntários nas cidades de São Paulo, Campinas, São José do Rio Preto, Curitiba, Brasília, Salvador, Rio de Janeiro e em São Luis do Maranhão pode ser considerado um complemento do tratamento de cada paciente e só poderão encontrar ajuda no Grupo aqueles pacientes que possuírem alucinose relacionadas a Zumbido e/ou perda de audição. Os pacientes que apresentam sintomas de esquizofrenia - sem Zumbido ou perda auditiva - devem procurar um especialista na área da psiquiatria e tratamentos individuais para um melhor resultado.

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