| Usufrua
do eustress (estresse positivo) e administre o distress (estresse negativo)
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Freqüentemente o fenômeno do estresse é abordado como
uma experiência negativa ou prejudicial para o ser humano. No entanto,
no esporte como na vida cotidiana o estresse não precisa ser sempre
considerado negativo. Há situações em que o estresse
é muito bem-vindo. Isto se explica ao admitirmos o estresse como
reação psicofísica do organismo a quaisquer estímulos
(reconhecidos também como pressões ou cargas) seguidos de
reações generalizadas do organismo a fim de se adaptar a
esses estímulos presentes nas mais variadas situações
de nossas vidas. Pressuposto conclui-se que o estresse pode ser um fenômeno
positivo.
Quando recebemos um estímulo físico freqüente, que
nos permite de maneira natural e funcional mobilizar todos os nossos esforços
sem alterar exageradamente nossa freqüência cardíaca,
agimos com vigor muscular e conseguimos produzir ação motora
sem provocar esgotamento, esse estresse será positivo, pois o esforço
do organismo para se adaptar e resistir a esse estímulo o tornará
mais forte e eficaz. Com o passar do tempo e na medida em que esse processo
de estímulo-reação-adaptação se consagre
continuamente, ficaremos mais resistentes e fortes, física e psicologicamente.
Basicamente, é dessa maneira que ficamos em boa forma física
e com ótimo bem-estar psicológico.
Emoções agradáveis também provocam
estresse
| Sentir motivação,
alegria, satisfação e confiaça, provoca uma reação
de adaptação positiva no organismo com conseqüente
estado psicológico favorável. Isso também é
estresse |
Em outra situação, quando recebemos
um estímulo emocional agradável, como um elogio ou uma
notícia que aguardávamos com boa expectativa, nosso
organismo desencadeia um processo de reação psicofísica
que acarreta um estado de alarme interno, que tal como no estímulo
físico, haverá variação de freqüência
cardíaca, aumento da pressão arterial, disparo de hormônios
e outras reações simpáticas típicas da
situação estressante. |
No entanto, nos sentimos motivados, alegres, recompensados
e confiantes, pois, essa reação provocará uma adaptação
positiva em nosso organismo com conseqüente estado psicológico
favorável. Isso também é estresse.
Um outro exemplo é o estresse provocado por um
estimulo químico. Nesse caso também poderemos vivenciar
uma experiência positiva. Observe a seguinte situação:
Se ao levantarmos pela manhã e sentirmos cansaço e com baixa
ativação psicofísica (desânimo!), um estímulo
químico estressor será aconselhável, ou seja, caso
não haja nenhuma restrição médica, uma boa
xícara de café sem açúcar e fresco, causará
uma reação interna simpática típica dos eventos
anteriormente citados, além de ativar nossa ação
cerebral. Em conseqüência ficaremos mais excitados e todo aquele
desânimo poderá ser drasticamente reduzido. E mais, se somarmos
a isso alguns movimentos físicos intensos com os braços
e pernas, como algumas flexões e alongamentos, mesmo com poucas
repetições, teremos uma ótima experiência estressora.
Há também a possibilidade do estímulo
estressor cognitivo (relacionado aos nossos pensamentos e organização
mental). Quando experimentamos alguma forma de exigência intelectual,
por exemplo, aprender alguma habilidade lingüística (como
uma expressão idiomática em uma língua estrangeira),
e nessa oportunidade a experiência é adequada, em outras
palavras o estímulo (exigência intelectual) é compatível
com nossa aptidão, estaremos mais uma vez, vivenciando um estresse
positivo.
Em síntese, com esse estímulo intelectual compatível
uma reação favorável interna em nosso corpo será
disparada: músculos sem espasmos (contrações repentinas
e com duração e intensidade variável), respiração
ótima, vigor psicofísico, sentimento de recompensa, autoconfiança
e motivação. Esses fenômenos irão providenciar
uma adaptação favorável do nosso corpo e assim persistindo,
por determinado período, uma resistência benéfica
será verificada e estaremos cada vez mais preparados a novas aprendizagens.
Eustress
Não é comum considerarmos estresse todas essas experiências
acima, visto que a associação da palavra estresse é
freqüentemente aceita para aquilo que é desgastante, desfavorável,
prejudicial ou algo do tipo. No entanto, a reação típica
do estresse pode ser provocada por meio de estímulos positivos
e/ou agradáveis. Essa possibilidade é denominada de eustress.
Com isso, podemos repercutir que o fenômeno de estresse não
é por si só negativo, o que o caracteriza é sua tipologia
perante a pessoa que o vivencia.
Distress
Aquilo que freqüentemente chamamos de estresse é o outro lado
do fenômeno, ou seja, quando vivenciamos experiências ou estímulos
que provocam reações desfavoráveis ao nosso corpo,
como, por exemplo, variação abrupta e exacerbada da freqüência
cardíaca, fadiga, queda das funções respiratórias
e/ou digestivas, dores inoportunas (por exemplo, cabeça, nuca e
estômago) e disfunções psíquicas como, nervosismo,
ansiedade contínua, problemas de concentração nas
tarefas cotidianas, agressividade e outras reações tão
comuns nos dias atuais, que em alguns casos podem levar a pessoa ao esgotamento,
representam, em linhas gerais aquilo que se convencionou chamar de estresse.
Mas na verdade essa é a adaptação negativa que o
corpo providencia para resistir ou “avisar” que podemos entrar
em colapso, é o que chamamos de distress.
Ocorre que nem sempre escolhemos os estímulos que provocarão
estresse (eustress ou distress), portanto precisamos aprender a buscar
e usufruir do estresse positivo (eustress) e administrar o estresse negativo
(distress). Algumas pessoas me perguntam:
Por que não evitarmos o distress e sim administrá-lo?
A resposta é simples: porque nem sempre podemos evitar os estímulos
desfavoráveis do cotidiano, desde um engarrafamento no trânsito
a um aborrecimento no trabalho. Mas é possível administrá-los.
Essa administração se dá da seguinte maneira: aquele
distress que não se pode evitar trate de criar certa resistência
(tolerância), caso contrário você ficará muito
suscetível às reações negativas e em conseqüência
muito nervoso. É o caso daquelas pessoas que “não
toleram nada” ou “não engolem sapos”. Tais comportamentos
são muito comuns no trânsito das grandes cidades. Mas ao
mesmo tempo não motive muito essa resistência, pois caso
contrário, ficaria insensível aos comportamentos indesejáveis,
por exemplo, ao ser muito resistente aos comportamentos violentos, você
pode achar absolutamente normal, ofender, agredir e coisas correlatas
quando de uma frustração ou desgosto qualquer.
Na verdade, quando o estímulo negativo (“ameaça”)
for de origem psicossocial é aconselhável que sejamos o
mais superficial possível e não valorizemos muito tal estímulo.
Por exemplo, quando alguém é grosseiro conosco por um motivo
fútil. No entanto quando o estímulo é físico
(cansaço do dia-a-dia), portanto, inevitável, a administração
se dará no sentido de diminuir ou evitar manifestações
prejudiciais ao nosso corpo. Para tanto, a prática regular de exercícios
físicos e procurar viver em harmonia no meio ambiente são
fatores intervenientes básicos.
Para usufruirmos do eustress e administrar nosso
distress, proponho os seguintes passos:
- Procure assumir o exercício físico como uma atitude positiva
em sua vida e o incorpore em sua rotina;
- Com orientação profissional, procure sempre aumentar sua
resistência física;
- Planeje sua rotina de modo a reservar um período para compartilhar
atividades junto à família;
- Melhore dia após dia a qualidade de seu relacionamento com as
pessoas e o meio ambiente;
- Descubra e aprenda uma boa técnica de relaxamento;
- Para qualquer estímulo positivo (ex.exercício físico)
procure adequar o estímulo (carga) à sua aptidão
psicofísica.
- Pratique um hobbie: esporte, leitura, arte ou outra atividade positiva
qualquer;
- Vislumbre possibilidades de melhorias de atuação profissional;
- Não vivencie internamente acontecimentos futuros e suas possíveis
reações negativas;
- Aprenda a controlar-se quando começar a ficar irritado por algum
motivo;
- Estabeleça um bom hábito alimentar e de descanso;
- Não sofra por qualquer evento banal.
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