|
Existe um dilema em relação à educação
infantil. Pergunto.
Como lidar com a inquietude, ansiedade e sobrecarga sofridas pelas nossas
crianças?
Parece um absurdo, mas uma temática que ganha notoriedade é
o estresse infantil. Em um período em que os seres humanos deveriam
brincar e se divertir, cada vez mais eles se ocupam de atividades que
deixam de ser lúdicas para se tornarem motivo de estresse: aulas
dos mais diversos tipos, competições, videogames, horas
em frente aos estímulos incessantes da televisão. Chega-se
até mesmo ao ponto em que é necessário medicar essas
crianças com psicotrópicos.
Em uma sociedade competitiva dizem que só sobrevivem os mais fortes
e preparados. Preparados para quê? Preparados como? É claro
que uma boa educação formal é parte disso.
Qual o limite da agenda formal de uma criança?
Afinal, ela quer e precisa brincar.
Uma vez que não é possível dar um passo completo
para trás e retornar a uma vida bucólica, é importante
trazer recursos cognitivos e afetivos para que a criança possa
em primeiro lugar aprender a reconhecer os seus próprios limites
e a gerenciar suas emoções, dentro das possibilidades de
sua faixa etária. E principalmente para os pais, pois são
eles quem determinam boa parte da agenda dos filhos e muitas vezes não
param e escutam os pequenos e suas reais necessidades. Existem hoje escolas
de diferentes linhas pedagógicas que podem se adequar melhor ou
pior ao perfil de uma determinada criança.
Mas alguns recursos que podem ajudar a criança a se centrar, encontram-se
em práticas contemplativas como o yoga, artes marciais (desde que
não priorizada a competição), além de práticas
de relaxamento e períodos curtos de meditação.
Hoje em dia existem diversas academias especializadas no ensino dessas
práticas para os pequenos que aprendem a canalizar sua energia
de maneira sadia. Existem até mesmo experiências no ensino
público. Por exemplo, em escolas públicas de Araçatuba
(SP) e Birigüi (SP), é ensinado o centramento, que consiste
em exercícios respiratórios realizados na sala de aula antes
do início do período letivo e após o retorno do intervalo.
É também abordada a mediação de conflitos,
baseadas em princípios de não violência e cooperação.
Há ainda uma experiência relatada em um artigo no Journal
of Pediatric Health Care sobre a introdução de práticas
de Tai Chi adaptadas a práticas de *Plena Atenção
que aumentaram o bem-estar, qualidade de sono, autoconsciência,
dentre outros fatores, em estudantes de 11 a 13 anos, em uma escola pública
de Boston.
É importante que além de levar a criança a novos
e novos estímulos, possamos também ensiná-las a desacelerar
e relaxar e a mostrar a elas o prazer que existe também nesses
momentos.
*São práticas que auxiliam a nos trazer a atenção
para o presente momento sem julgamento, como é o caso das práticas
de meditação, yoga, tai chi e outras.
Dicas de leitura:
Mantovani F. Escolas públicas usam técnicas de mediação.
Folha Equilíbrio. http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u4049.shtml.
Wall RB. Tai Chi and Mindfulness-Based Stress Reduction in a Boston Public
Middle School. Journal of Pediatric Health Care, (2005). 19, 230-237.
Artigos relacionados - clique no título
>>> O
estresse na infância
>>> Nossas
crianças estão sendo precocemente erotizadas?
>>> O
sono, a criança e seus pais
>>> Só
conjunto de ações multidisciplinares combate o estresse
|