| Assim como as demandas
da vida mudam ao longo do tempo, ao longo da vida todos nós também
apresentamos mudanças no nosso comportamento no diz respeito aos
esforços ou estratégias de enfrentamento diante dos eventos
estressantes que vivenciamos. A maneira como as pessoas enfrentam essas
mudanças e seus efeitos sobre a personalidade diferenciam de acordo
com as fases da vida.
| Estresse - "Lidar com
os eventos e com o ambiente não é só uma questão
de saber o que fazer, mas também envolve crenças sobre
a capacidade" |
A vida constitui um processo contínuo de mudança
e adaptação a desafios que em maior ou menor grau podem
ser avaliados como estressantes ou não. Na vida adulta e na
velhice o estresse não é novidade, todas as pessoas
podem experimentar situações ou eventos de vida estressantes
ou aborrecimentos do dia-a-dia mesmo numa idade mais avançada. |
O que diferencia são os tipos de eventos que uma
pessoa tem mais possibilidade de se confrontar nessa fase da vida.
Dessa forma, devido a mudanças físicas, biológicas,
psicológicas e sociais comuns a certa faixa etária, os idosos
têm maior probabilidade de experimentar eventos de vida estressantes
específicos diferentes daqueles enfrentados em outra fase da vida,
bem como de “lançar mão” de recursos que o ajudem
na avaliação, reflexão e adaptação
a tais eventos.
Estudos na área de psicologia do envelhecimento e qualidade de
vida na velhice mostram que os idosos tendem a enfrentar um total menor
de grandes eventos de vida, embora enfrentem mais eventos de perda, como
por exemplo, o declínio da saúde física, os afastamentos
do mercado de trabalho, aposentadoria, viuvez, perda de papéis
sociais, perda de amigos e familiares. Os idosos têm que enfrentar
aborrecimentos associados com a saúde. Enquanto que sobre os aborrecimentos
do dia-a-dia os idosos enfrentam menores eventos estressantes do que os
mais jovens.
Idoso avalia melhor se estresse é relevante
ou não
Na velhice a pessoa tende a avaliar mais o seu estresse psicológico
diante das adversidades da vida, avaliar a qualidade do seu relacionamento
com o ambiente, suas redes de relações, suporte social,
recursos, etc... Portanto, o indivíduo é mais capaz de julgar
se o estresse é relevante ou irrelevante em sua vida, quando o
evento estressante traz perda ou ganho e se ele promove algum bem-estar
ou não como consequência.
São considerados benignos quando os eventos são caracterizados
como alegria, harmonia, paz, contentamento, são vistos como emoções
positivas e considerados perdas quando são caracterizados de emoções
negativas tais como apreensão, aflição, preocupação,
tristeza, ameaça, etc...
Todos os eventos trazem possibilidade de adaptação e crescimento.
As avaliações e reflexões ajudam a produzir no indivíduo
esforços cognitivos (capacidade de adquirir e usar conhecimento)
para lidar com o evento estressante. Entre os fatores pessoais que influenciam
a avaliação cognitiva dos eventos e suas mudanças
com o decorrer da idade estão o envolvimento que consisti na dedicação
em uma atividade ou tarefa que tenha significado pessoal, é a busca
de atividades, valores, ideais, investimento de tempo e energia, outro
fator é a crença, crença sobre eficácia ou
controle pessoal sobre os eventos e crenças existenciais relacionadas
à religiosidade.
Lidar com os eventos e com o ambiente não é
só uma questão de saber o que fazer, mas também envolve
crenças sobre a capacidade.
Pessoas com autoeficácia baixa desistem facilmente
de desafios e de enfrentar as dificuldades. Outro fator é a novidade
de situações, isto é, pessoas que não tiveram
experiências prévias de determinada situação
podem ter a tendência de avaliar o estresse como ameaça e
não como uma situação de desafio.
A temporalidade (noção de passagem de tempo vivido) ajuda
a pessoa a entender que algo aconteceu normalmente ou não, se um
evento estressante ocorreu num momento que seria propício para
acontecer. Quando um evento ocorre “fora do tempo”, também
conhecido como não-normativo são não-controláveis
e privam o indivíduo de buscar apoio. Por exemplo quando acontece
a morte de um filho por acidente ou doença, afastamento do mercado
de trabalho de forma abrupta, perda de status social. Eventos não
esperados tendem a ser avaliados como os mais estressantes.
Após avaliação e reflexão dos eventos estressantes
o indivíduo é capaz de acionar estratégias de enfrentamento
ao estresse que ajudam a lidar com as mudanças causadas pelo estresse
na velhice. São recursos que o indivíduo dispõe de
acordo com o estágio em que ele se encontra. Alguns recursos dizem
respeito à saúde e energia, referem-se à saúde
física que é relevante para o bem-estar e promove uma mobilização.
Indivíduos mais fragilizados com sua saúde física
podem apresentar mais dificuldade para manter um comportamento mais efetivo
e utilizar estratégias diferentes. Novamente as crenças
existenciais, espirituais e religiosas que tendem a aumentar na velhice
são recursos que podem diminuir o estresse percebido. O envolvimento
também é outro recurso que ajuda a aumentar a motivação
para enfrentar os eventos estressantes e recursos de competências,
que consistem nas habilidades sociais e capacidade de resolução
de problemas.
Papel social
O papel social é importante na adaptação humana,
é um recurso valioso para os comportamentos, sobretudo na velhice.
Quanto às capacidades de resolução de problemas,
as pessoas que se adaptam mais facilmente e com maior velocidade às
mudanças e avanços tecnológicos e com mais capacidade
de reserva cognitiva (anos de estudos e uso do conhecimento) tendem a
utilizar estratégias mais eficazes para resolver problemas do dia-a-dia.
Os recursos materiais também influenciam. Na velhice os recursos
financeiros podem diminuir e aumentar o número de doenças
crônicas e isso se transforma em fonte de estresse. Recursos materiais
e suporte social e familiar diminui a vulnerabilidade da pessoa aos eventos
estressantes.
São esses recursos que permite o ser humano ser singular, cada
um ter sua história de vida e com sua competência para viver
e enfrentar com dignidade cada dificuldade. As avaliações,
a reflexividade sobre o que se vivencia é fundamental, nos ajuda
a empreender força e coragem para se mostrar vivo não importando
a idade que se tenha. É fundamental não se deixar abater
pelas pressões e aflições e poder tirar proveito
de cada obstáculo.
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