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Todos passamos por momentos difíceis vez ou outra na vida. Muitas
vezes parece que o mundo se derrama sobre nós com a fúria
dos ventos e das tempestades e nos sentimos levados por uma espiral enlouquecida
que derruba tudo ao nosso redor até que nada familiar reste.
| Se começarmos a sofrer
por algo, é preciso aceitar essa situação e não
fugir dela. Devemos, sim, ir ao seu encontro já nos primeiros
sinais, descobrir suas causas, e reajustar o caminho, antes que uma
pequena dor se transforme num monstro maior do que nós |
Não há como evitar, por mais que tentemos,
por mais cuidadosos que sejamos, não podemos evitar os movimentos
dolorosos da vida. Como um vulcão, a dor muitas vezes brota
de dentro de nós cuspindo fogo e labaredas. |
Outras vezes parece um mar em fúria que nos engole com suas ondas
incontroláveis. Existe ainda aquela dor persistente que vai nos
enlouquecendo aos poucos, algo parecido com o que sentiríamos se
nos sentássemos sobre um formigueiro.
Não importa a natureza do desafio, uma coisa é verdade:
Quanto mais resistimos, mais expostos e vulneráveis ficamos!
Seja lá qual for a forma como a dor venha visitar você, receba-a
em sua sala de visitas. Sirva-lhe um chá quente e saboroso. Cuide
para que vocês tenham alguns momentos da mais profunda paz. Olhe
bem no centro de seus olhos e pergunte-lhe:
- Por que você veio me visitar? O que quer me dizer?
Não tente evitar ou negar a dor. Isso é impossível.
Converse com a dor. Ouça seus argumentos: pergunte-lhe a razão
de sua visita.
A dor é uma mensageira da alma. Sofremos quando insistimos em ficar
estagnados. Sofremos quando nos recusamos a fazer um movimento necessário.
Sofremos quando resistimos à vida. A dor é uma mensageira
que vem com a missão de nos fazer caminhar, seguir adiante.
É claro que não há como evitar tudo isso, mas sempre
podemos escolher. Podemos resistir ou nos mover. Quanto mais resistimos,
mais dói. Quando nos movemos, deixamos para trás o que nos
fazia sofrer até que um dia aquilo se torna uma lembrança
que, se bem trabalhada, ganha o status de sabedoria.
A dor vem para trazer algo à tona, para nos fazer ver o que nos
recusamos a enxergar, vem para abrir nossos olhos, para rasgar nosso coração,
para despertar a nossa consciência. É a alma nos alfinetando
porque nos quer mais felizes. Não é uma punição,
não é uma maldição, é um ato de amor
do Universo tentando nos tornar ainda melhores do que somos.
Não que esse seja o único caminho de crescimento e transformação,
é claro que existem trilhas mais amenas. Mas mesmo nestas, vez
ou outra pisamos em um espinho, topamos com uma pedra ou somos picados
por uma abelha irada que teve sua colmeia perturbada por nossa distração.
Assim, quando estiver imerso em algum tipo de dor, evite a tentação
de fugir dela.
Plante-se bem no meio daquela sensação, abra os ouvidos
e ouça o que ela tem a lhe dizer. Feito isso, levante-se, erga
a cabeça e mova-se.
Evite mascará-la criando falsos estados de fortaleza. Muitas pessoas
associam dor à fraqueza e a escondem até de si mesmos. Fingem
que não estão sofrendo e com isso afastam-se da ajuda possível
- aquela que vem da própria dor.
Outro dia eu li que algumas pessoas nascem sem a possibilidade de sentir
dor, fisicamente falando, e que essas pessoas são muito vulneráveis.
Imagine se você tiver uma apendicite e não sentir nada? Imagine
se tiver uma úlcera e não sentir nada?
A dor é protetora!
A dor nos protege de nós mesmos. Se seguíssemos sempre em
sintonia com os movimentos da vida não precisaríamos sentir
dor. Fique atento sempre que algo for dolorido para você. Reajuste
seu caminho logo nos primeiros sinais.
Não espere que a dor tenha que se tornar monstruosa para que você
a ouça.
Assim, quando uma abelha picar você, não a mate... apenas
lhe peça para ser mais específica!
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